Polícia

Juiz revoga prisão da esposa que matou marido; advogado alega legítima defesa

Mulher afirmou em depoimento que tomou a faca de seu agressor e desferiu um único golpe no peito. Ela declarou que era vítima de agressões há 28 anos.

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Casal vivia em matrimônio durante 28 anos

O juiz Antônio José de Menezes, da 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Macapá, revogou na tarde desta sexta-feira (14) a prisão preventiva da técnica de enfermagem Ana Kátia dos Santos Melo, de 43 anos, que confessou ter assassinado no dia 8 deste mês o marido Valmir Silva Reis, de 45 anos, com quem ela mantinha um matrimônio de 28 anos.

A defesa – feita pelo advogado Hugo Silva – trabalha com a tese de legítima defesa. O crime ocorreu por volta de 20h no apartamento 402, bloco 22, do conjunto habitacional Mucajá, bairro Beirol, zona sul da capital.

Em depoimento a técnica em enfermagem disse que ela e o companheiro haviam retornado de uma confraternização, e que ainda nas escadas do prédio começaram as agressões. Já dentro do imóvel, Valmir teria pegado uma faca. Ela teria sido engasgada, mas conseguiu se desvencilhar e tomar a arma, desferindo um único golpe no peito do companheiro.

Ela disse que pensava se tratar de um ‘risco’, e levou Valmir para o banheiro, mas percebeu a gravidade do ferimento. O socorro médico foi acionado, mas o homem não resistiu. Ela se apresentou à polícia e foi levada à delegacia.

“Essa senhora vinha sendo agredida pelo companheiro durante as quase três décadas, mas como grande maioria das mulheres, sofria calada. Ela desferiu o golpe para se defender de mais uma agressão e não ser morta. Estamos atuando com a tese da legítima defesa. Ela é uma vítima e não uma assassina”, afirmou o advogado.

Hugo Silva acredita que sua cliente sequer será pronunciada. “Vamos aguardar a audiência de instrução, mas acreditamos que ela [Kátia] não será pronunciada, e, com isso, não será submetida ao Conselho de Sentença”, concluiu.

O delegado José Manoel Pacheco, que preside o inquérito, indiciou a mulher por homicídio qualificado e considerou o caso complexo, já que durante todo o tempo de convivência os próprios filhos do casal teriam presenciado as agressões.

 

Reportagem: Elden Carlos e Jair Zemberg

 
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