Polícia

Líderes de facções colocados em isolamento podem voltar para pavilhões comuns no Iapen

Doze líderes de facções foram colocados em isolamento, no pavilhão P3 do Iapen, após uma ação do Gaeco. Desde então, cessaram os ataques que vinham fazendo várias vítimas na capital e interior.

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Elden Carlos
Editor-chefe

Desde a transferência – na segunda-feira (11) – de doze lideranças de facções criminosas que estão reclusas no sistema penitenciário para uma ala específica (P3) do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen), que não houve, por parte das autoridades, o registro de ataques e execuções promovidos por integrantes dessas organizações que agem nas ruas da capital e de outros municípios do estado.

A transferência dos líderes para a área de isolamento total foi decidida durante uma reunião na quinta-feira (07) na sede das Promotorias de Justiça de Macapá, na Avenida Padre Júlio, Centro, entre a coordenadora do Núcleo de Inteligência do Ministério Público do Amapá (NIMP), Andréa Guedes, que também coordena o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco); o comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope), tenente-coronel Kléber Silva e o diretor do Iapen, Lucivaldo Costa.

Após a operação de transferência dos presos para a ala isolada, a promotora Andréa Guedes declarou que a ação [paliativa] foi necessária para deixar incomunicável as lideranças até que a transferência para presídios federais, anunciada pelo governo do Estado dentro de um pacote de medidas contra o crime organizado, fosse concretizada.

Investigações dos setores de inteligência das forças de segurança e do Ministério Público do Estado, demonstraram que os crimes de execução, registrados em larga escala nos últimos meses, eram determinados de dentro do Iapen.

A guerra declarada entre a Família Terror Amapá (FTA) e a organização criminosa Amigos Para Sempre (APS) também deixou vítimas inocentes, como a pequena Ana Júlia, de 5 anos, morta com um tiro na cabeça na Baixada do Ambrósio, em Santana, na tarde de 15 de setembro enquanto comia um pedaço de bolo. A outra vítima foi o estudante Yalisson Andrade de Moura, de 9 anos, alvejado com um tiro no abdômen quatro dias depois do caso de Ana Júlia, no bairro Marabaixo IV, zona oeste de Macapá.

Porém, o Diário apurou que a sensação de alívio promovida com o ‘cessar fogo’ entre as facções pode estar ameaçada com a movimentação de advogados e da própria Promotoria de Justiça de Execuções Penais e Penas Alternativas da Comarca de Macapá.

Nesta quarta-feira (13), a promotora de justiça Socorro Pelaes, enviou o ofício nº 026/2021-PJEP ao diretor do Iapen, Lucivaldo Costa, solicitando, estranhamente, no prazo de 24 horas, que: “esclareça a esta Promotoria de Justiça, em que consistiu a movimentação dos presos e de onde partiu a decisão”, como descreve trecho do ofício a que o Diário teve acesso.

A promotora Socorro Pelaes justifica o pedido de informações manifestando que: “…não houve pedido junto à Vara de Execuções Penais, nem tampouco parecer Ministerial, ou qualquer informação aos órgãos da execução penal e fiscalizadores…”, se referindo à movimentação dos presos.

O ofício causou estranheza pelo fato de que na reunião do dia 7 de outubro, na sede das Promotorias de Justiça, a promotora Socorro Pelaes foi acionada pela promotora Andréa Guedes, por meio de chamada de vídeo, onde foi comunicada da situação, garantindo naquela oportunidade total apoio à movimentação e isolamento dos líderes. Já no ofício, Socorro demonstra ‘desconhecer’ a ação de isolamento.

Diante desses novos e ameaçadores fatos a promotora Andréa Guedes, também nesta quarta-feira (13), enviou o ofício nº 0271/2021-Gaeco, à procuradora-geral de Justiça do Ministério Público do Amapá, Ivana Cei, demonstrando preocupação com o possível retorno desses líderes para as celas de onde vinham ordenando os crimes, e a retomada da onda sangrenta de mortes.

Após fazer uma ampla defesa no ofício, observando os motivos que levaram à tomada de decisões para o isolamento das lideranças do crime organizado, Andréa Guedes relatou que: “Após toda a longa, mas necessária, argumentação exposta, requer esta signatária que Vossa Excelência, promova, dentro dos limites legais, ações junto à Promotoria de Execuções Penais no sentido de tentar manter essa medida paliativa, mas que já demonstrou resultado eficaz (eis que de fato, não houve registro de mortes violentas com características de execução neste primeiro fim de semana após o isolamento dos internos), até que seja adotada medida definitiva acerca da já tão noticiada transferência para o Departamento Penitenciário Federal”, declarou.

Ainda na justificativa, a coordenadora do Gaeco afirma que: “…foi a medida mais acertada a ser tomada, visto que não violou os direitos e garantias fundamentais dos internos, já que foi observada a preservação da dignidade da pessoa humana, mas tão-somente houve por bem colocá-los em celas individuais para que cessasse o acesso a aparelhos celulares e, assim, chegassem ordens a seus “comandados. ”

 

 

 
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