Polícia

Mulher que matou policial penal a facadas vai a julgamento terça-feira, 10

Após cinco anos do crime, Maria Darci senta no banco dos réus; ela responde por homicídio qualificado sobre José Éder, por motivo fútil


 

Elen Costa
Da Redação

 

Na próxima terça-feira, 10, a Justiça amapaense irá julgar um dos crimes mais brutais e cometido com requinte de frieza ocorrido na cidade de Macapá: o assassinato do policial penal José Éder Ferreira Gonçalves, ocorrido em novembro de 2021.

 

A ré no processo, Maria Darci Farias Moraes Gonçalves, que era ex-esposa da vítima, chegou a ser presa em flagrante, porém meses depois teve a prisão convertida para domiciliar com o uso de tornozeleira eletrônica. Em junho do ano seguinte, sete meses após o fato, ela deixou de usar o equipamento, por determinação do Poder Judiciário. Atualmente, Maria Darci reside no sul do país e, segundo informações, vive outro relacionamento conturbado. Ela será julgada por homicídio qualificado, por motivo fútil.

 

A mãe de José Éder, dona Maria Margarete Ferreira, usou as redes sociais e, num desabafo emocionante, clamou por Justiça pelo filho.

 

“…desde o dia em que meu filho se foi, eu aprendi a viver com um silêncio que grita. Ele tinha sonhos, tinha um sorriso fácil, tinha futuro. Mas, tudo isso me foi arrancado de forma cruel, injusta, irreparável. Hoje eu não falo só por mim. Eu falo por uma vida que foi interrompida, por uma história que não teve a chance de continuar. A dor de uma mãe não tem descanso, ela acorda comigo, caminha comigo e dorme ao meu lado todas as noites. Mas, a dor não pode ser maior que a verdade. Eu não busco vingança, eu busco justiça. Justiça para que o nome do meu filho não seja apenas mais um número. Justiça para que nenhuma outra mãe precise aprender a sobreviver sem o abraço do seu filho. Enquanto houver silêncio, eu vou falar. Enquanto houver impunidade, eu vou lutar. Porque o amor de uma mãe não morre, e a memória do meu filho merece respeito, verdade e justiça”, disse ela em um vídeo publicado pela família.

 

 

A filha do casal, Ingrid Ferreira, tinha 12 anos de idade quando, juntamente com o irmão, que tinha 14 anos, viu a mãe matar o pai.

 

“Eu estava lá, eu vi tudo…não sinto raiva, perdoei ela, mas às vezes sinto medo. Não sei exatamente como vou me sentir com o resultado do julgamento. Só sei que dói lembrar de tudo que aconteceu. Mas, a dor maior é de ter perdido meu pai e minha mãe ao mesmo tempo”, expôs a adolescente em uma troca de mensagens com a reportagem do Diário do Amapá.

 

Relembre o caso

Conforme os autos, Maria Darci, agora com 47 anos, matou José Éder, com quem estava em processo de separação, com uma facada no pescoço na manhã do dia 12 de novembro de 2021, no apartamento onde morava, no residencial Vitória Régia, no bairro São Lázaro, zona norte de Macapá. O policial penal tinha 44 anos de idade.

 

Na época ela alegou que os dois tiveram uma briga conjugal e que em determinado momento ela acabou se armando, mas que o golpe foi um acidente, e declarou que não tinha intenção de matar o companheiro.

 

O filho do casal contou na delegacia que sua mãe trancou o apartamento para impedir que José Éder deixasse o local, o que acabou gerando a briga conjugal. Ele afirmou que seus pais estavam em processo de separação, e que o policial penal não estava morando na residência atualmente.

 

O garoto confirmou que Maria Darci havia pedido para que José Éder dormisse no imóvel na noite anterior ao fato, o que foi atendido pelo policial penal. Mas, que ao se arrumar para deixar o local na manhã seguinte, acabou impedido por Darci.

 

A partir daí, começou uma discussão entre os dois e José Éder afirmou que não queria mais permanecer no relacionamento. Nesse momento, Darci se armou com a faca. O policial penal ainda tentou se defender, mas acabou lesionado de forma letal no pescoço.

 

Vizinhos ainda tentaram socorrer a vítima, mas foram impedidos por Maria Darci. A arma do crime foi achada dentro da lixeira do imóvel.

 


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