Novo comandante do Bope promete atuar de forma contundente contra crime organizado
Tenente coronel Wilkson Santana assume tropa de elite da PM do Amapá; major Hércules Lucena é o subcomandante e o auxiliará nas tomadas de decisões e planejamento operacional

Elen Costa
Da Redação
O Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do Amapá está sob nova direção. Desde a semana passada, o tenente-coronel Wilkson Santana assumiu a unidade e, junto com ele, o major Hércules Lucena como sub-comandante. Ambos já fazem parte da instituição há pelo menos duas décadas.
Em entrevista ao Programa LuizMeloEntrevista (Diário FM 90,9) desta quarta-feira, 4, os chefes da tropa de elite da PM do estado, uma das mais respeitadas do país, falaram de que forma pretendem dar andamento às missões já desenvolvidas pelo batalhão, especialmente no combate ao crime organizado.
“Estamos monitorando as sete facções que agem em nosso estado. Nossa diretoria de Inteligência é extremamente atuante, e posso garantir aos senhores que estamos lidando com a pior espécie da sociedade. São criminosos que não têm escrúpulos e que fazem qualquer coisa para chegar aos seus objetivos”, explicou Wilkson.
Conforme a ‘mancha criminal’ – que indica onde concentra os maiores ataques das organizações criminosas –, a zona norte de Macapá, bairros como Santa Rita e Nova Esperança, e o município de Santana, são os pontos mais críticos do Amapá.
“São onde facções rivais coexistem na mesma região e que quando a guerra é declarada, naturalmente, por estarem próximas, vão se confrontar. Nesse caso, nosso objetivo é evitar que haja o confronto porque em área de palafitas, quando eles atiram, podem atingir um cidadão de bem, uma criança, como já registramos. Por isso, precisamos agir de forma contundente”, declarou o novo comandante do Bope.
Wilkson avaliou que o principal foco para combater as organizações criminosas é prender traficantes.
“Toda cadeia criminosa gira em torno do tráfico. O criminoso que rouba, ele faz isso para comprar drogas, o que furta é para trocar por drogas, o que mata é porque recebeu uma ordem por estar devendo a traficantes, então, quando a gente consegue pegar e tirar de circulação, traficantes, apreender grandes quantidades de entorpecentes, a gente consegue fazer com que a cadeia do crime diminua”, ponderou.
Sobre ser indicado para assumir o comando do Batalhão de Operações Especiais, o tenente-coronel se emocionou e lembrou sua trajetória na unidade.
“Não posso negar que é uma responsabilidade muito grande e que estar à frente desse batalhão me causa certo impacto. Mas confesso que é uma satisfação pessoal inenarrável porque eu fui soldado do Bope. Em 2002 formei na Polícia Militar do Amapá e, em 2003, o Bope foi criado, e eu servi na primeira turma. Então, participar da história da unidade e encerrar minha trajetória militar como comandante do Bope, é algo que vou levar para os meus filhos até o último dia da minha vida. Espero ter condições de dar orgulho para minha tropa, pois, uma tropa como o Bope precisa se reconhecer no seu comandante, se não for assim, ela não tem a motivação necessária para exercer a dificuldade das nossas missões, que são extremamente complexas”, destacou Wilkson Santana.
Administrativamente, Wilkson e Hércules já respondem pelo Bope. Porém, a formalidade da passagem de comando vai acontecer no dia 18 de março, com a formatura para apresentar os novos comandantes à sociedade e a imprensa.
A escolha do subcomandante, na avaliação do tenente-coronel Wilkson, deve-se à relação de confiança, interação e aproximação. Para ele, o então chefe de operações do Batalhão de Operações Especiais, Hércules Lucena, além de todos esses atributos, possui gabarito para auxiliá-lo diretamente nas tomadas de decisões e no planejamento operacional no combate ao crime organizado.
“Hércules é um oficial espetacular e da minha confiança. Além de subcomante, ele é chefe de disciplina do Bope. É ele quem coordena tudo que está acontecendo como forma disciplinar da unidade. Tem histórico operacional, é negociador, é gerente de crise e tem curso de Rotam”, enfatizou Wilkson.
Batalhão de Rotam
Ainda este ano, Hércules Lucena deve assumir o comando do Batalhão da Ronda Ostensiva Tática Motorizada, a Rotam, que deixará de ser uma Companhia do Bope.
A idealização do batalhão foi apresentada em 2023 pelo major durante o TCC do Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais (CAO). Após expor os motivos, a necessidade, e a viabilidade de haver uma unidade especializada na zona norte da capital, o projeto foi abraçado e criado pelo Governador Clécio Luiz.
“Fizemos uma análise científica sobre as distribuições dos batalhões nas áreas, apresentamos a quantidade de unidade por zona, a quantidade populacional, e detectamos que, só na zona norte, tem cerca de 30 bairros e quase 150 mil habitantes. Quando a gente analisa os dados de ataques de facção, a maior parte é concentrada nessa região. Por isso, a necessidade de um reforço, de uma unidade especializada ali”, fundamentou Lucena, assegurando que irá trabalhar para reduzir os índices de violência.
“Sabemos que o crime nunca vai acabar porque ele é um fenômeno social. Onde existe a sociedade, de uma forma minoritária, vai existir o crime. Então, o Estado tem que inserir nesses locais para não deixar espaço para o domínio do crime.
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