Polícia

Polícia Civil deflagra Operação Sangria contra esquema de R$ 60 milhões no Amapá

Investigações apontam que gestor de empresa privada forjou furto de embarcações para encobrir repasse a agiota; dinheiro desviado bancou viagens, aeronaves e mansões


 

Elen Costa
Da Redação

 

A Polícia Civil do Estado do Amapá, por meio da Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), coordenada pelo delegado Estéfano Santos, deflagrou na manhã desta quarta-feira, 7, a Operação Sangria. O alvo é uma organização criminosa estruturada que atuava dentro da alta gestão de uma empresa privada e é investigada por um amplo esquema de fraudes financeiras e lavagem de dinheiro.

 

A ação foi cumprida simultaneamente em Macapá, no Amapá, e em Brasília, no Distrito Federal, com apoio operacional da Polícia Civil daquela unidade federativa.

 

Ao todo, a Justiça amapaense expediu mandados de busca e apreensão em seis endereços residenciais e dez endereços empresariais ligados aos investigados, incluindo uma barbearia e outras companhias distribuídas pela capital Macapá e pelo bairro Sudoeste, em Brasília.

 

 

Segundo as investigações, o esquema operou entre os anos de 2022 e 2026 e gerou um prejuízo patrimonial estimado em aproximadamente R$ 60 milhões à empresa vítima.

 

Fraude começou com falso boletim de furto

O ponto de partida da investigação foi inusitado. Em abril de 2026, o principal investigado, então gestor da empresa, procurou a polícia para noticiar um suposto furto de quatro embarcações.

 

Durante a apuração desse boletim, no entanto, a denúncia levou a uma abordagem forçada e indevida de dois advogados que prestavam serviço à própria empresa vítima. Ao aprofundar as diligências, a Draco descobriu que toda a comunicação do furto havia sido uma fraude arquitetada pelo próprio gestor.

 

A motivação, segundo a polícia, seria ocultar que ele havia repassado as embarcações como garantia de pagamento a um suposto agiota, após acumular dívidas pessoais milionárias.

 

Como funcionava o esquema

A partir desse fato, a investigação revelou uma estrutura criminosa dividida em três núcleos: gerencial, financeiro e ‘noteiro’.

 

Diversas empresas de fachada, que compunham o núcleo noteiro, foram alvos da operação. Elas emitiam notas fiscais frias, simulando prestação de serviços ou entrega de mercadorias inexistentes. Na sequência, os diretores financeiros da companhia autorizavam o pagamento dessas notas, desviando e lavando os recursos de forma sistemática.

 

O dinheiro desviado serviu para custear uma vida de luxo para os envolvidos. De acordo com a nota divulgada pela Polícia Civil, os valores bancaram viagens, despesas familiares, aluguel de aeronaves privadas e até o uso de mão de obra da própria empresa vitimada para a construção de residências particulares de alto padrão.

 

Somente o principal investigado teria recebido mais de R$ 13 milhões diretamente em suas contas pessoais e de familiares.

 

Apreensões

Durante a deflagração, as equipes policiais cumpriram ordem judicial que autorizou a apreensão de fontes de provas como celulares, computadores, mídias em geral, veículos e dinheiro em espécie.

 

 

A Justiça também autorizou a extração forense e a quebra de sigilo dos dados consolidados nos dispositivos apreendidos. Segundo a Draco, essas análises serão fundamentais para aprofundar o inquérito e mapear novos desdobramentos e outros possíveis envolvidos no desvio milionário. A investigação segue em andamento.

 


Deixe seu comentário


Publicidade