Polícia

Policial civil é indiciado por feminicídio; em depoimento ele diz não recordar ter atirado em empreendedora

Kátia Almeida, de 46 anos, foi morta com um tiro no tórax disparado pelo policial civil Leandro da Silva Freitas, de 29 anos. O exame residuográfico atestou a presença de pólvora na mão dele.

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Elden Carlos e Rodrigo Silva
Da Redação

 

A delegada Cássia Melo, da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), indiciou pelo crime de feminicídio o policial civil Leandro da Silva Freitas, de 29 anos, que teria matado com um tiro no tórax a empreendedora Ana Kátia Almeida da Silva, de 46 anos. O crime ocorreu na madrugada de quarta-feira (8) na Avenida Lua, bairro Jardim Marco Zero, zona sul de Macapá.

A confirmação do indiciamento foi detalhada na manhã desta quinta-feira (9) durante entrevista coletiva na sede da DECCM, que foi acompanhada pelo delegado-geral da Polícia Civil do Amapá, Antônio Uberlândio, e corregedora da PC, delegada Sheila Vasques.

O delegado-geral disse que toda ação isolada de um policial civil, que se envolve em algum tipo de crime, é repudiável. “Estamos diante de um caso grave, praticado, infelizmente, por um policial civil. A Polícia Civil repudia, veementemente, todos os atos de violência, principalmente quando praticado por um policial que tem o dever legal de proteger bens jurídicos, de proteger vidas, e, que ceifou a vida de uma mulher com a qual ele mantinha um relacionamento amoroso [embora breve], mas as investigações apontam nesse sentido”, disse o delegado.

Cássia Melo reforçou o envolvimento amoroso do policial com a vítima e fez uma explanação sobre o que aconteceu antes do crime. “A princípio, apuramos que ele [Leandro] tinha um breve relacionamento amoroso com a vítima, apesar de ele negar em depoimento, mas testemunhas ouvidas confirmam essa informação. Sobre os fatos apurados até agora, descobrimos que na tarde de terça-feira (7) Leandro e Kátia foram a uma confraternização de um familiar dele na zona norte de Macapá. Eles ingeriram bebidas alcoólicas, e, depois, seguiram para a zona sul da capital, onde ocorria o aniversário da nora de Kátia, no bairro Jardim Marco Zero, onde o crime ocorreu”, relatou a delegada.

Ainda de acordo com a presidente do inquérito, em determinado momento da noite o policial e o filho mais velho de Kátia [Kadu Deoclesiano] saíram para comprar bebidas. No retorno, Leandro – ao estacionar o automóvel – sacou a pistola e, aleatoriamente, efetuou dois disparos para o alto.

“Ele [Leandro] queria mostrar que ali tinha policial civil. Uma tentativa de intimidar os presentes e vizinhos. O clima ficou estranho e a nora da vítima decidiu dispersar. A Kátia resolveu ir embora, mas o policial queria ficar bebendo mais. As testemunhas relatam que eles dois saíram da casa e depois se ouviu um estampido de tiro. Os presentes correram para ver o que estava acontecendo e se depararam com a mulher caída no chão e Leandro dentro do carro, já ferido, no ombro esquerdo”, revela.

Na sequência, relata ainda a delegada Cássia, Kadu tomou a arma do investigado. Em seguida, pegou a mãe nos braços, colocou dentro de um carro e saiu em direção à unidade de saúde. “No meio do caminho ele [Kadu] percebeu que a mãe poderia estar morta e retornou. Ele acionou um vizinho que tomou a direção do veículo e foi para a UPA Zona Sul, onde o óbito foi confirmado”, detalha.

O delegado Uberlândio declarou que todas as perícias foram requisitadas no sentido de saber a dinâmica do crime, a trajetória da bala e se a morte foi intencional ou acidental, como sustenta a defesa do policial.

“As provas técnicas, imagens de câmeras de segurança e os depoimentos serão determinantes para entendermos a dinâmica de tudo isso. Ao término das apurações teremos a conclusão do inquérito. É importante frisar que, além do processo criminal, também foi instaurado um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). O policial está em estágio probatório ainda, mas lhe será dada a garantia da ampla defesa e do contraditório”, concluiu.

Sobre o depoimento do policial civil Leandro Freitas, a delegada Cássia disse que ele pouco colaborou. “Primeiro negou relação amorosa com a vítima, mas isso foi derrubado pelo depoimento das testemunhas. Ele apenas disse que lembra que foi aos eventos, que bebeu, mas que não recorda de ter atirado na vítima, apenas voltando a si quando já era atendido no Hospital de Emergências”, finalizou.

 
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