Polícia

Politec identifica corpos de motorista, psicóloga e médica mortos em acidente na BR-210

Acidente ocorreu no início da noite na BR-210, próximo à comunidade do Cupixí, em Porto Grande.

Compartilhe:

A Polícia Técnico-Científica (Politec) identificou as três vítimas fatais de um acidente automobilístico registrado no início da noite de sexta-feira (8) na altura do quilômetro 157 da BR-210, próximo à comunidade do Cupixí, zona rural do município de Porto Grande, distante 102 quilômetros de Macapá.

Os corpos resgatados do fundo da lagoa 3 Irmãs são da médica aposentada Janilde Verde Reis, de 75 anos; da psicóloga Adalgiza Martins, de idade não divulgada, e do taxista Acivaldo Rabelo Dias, de 61 anos.

Psicóloga Adalgiza Martins também morreu no acidente

O único sobrevivente do acidente é o filho do taxista, identificado como Acivaldo Filho, de 28 anos. Ao Diário o rapaz disse que o pai sempre fazia corridas para a médica Janilde Reis e que eles estavam seguindo de Macapá para o município de Pedra Branca do Amapari.

“Fui com meu pai para ajudar na direção, já que é uma viagem cansativa. Estávamos seguindo tranqulio quando o carro caiu em um buraco e ele [pai] perdeu a direção. O carro rodou e caímos dentro do lago. De alguma forma eu consegui quebrar o vidro e escapar, mas infelizmente não houve tempo de salvá-los. O local é muito complexo e o carro afundou rapidamente”, disse resumidamente o jovem que está abalado.

O Corpo de Bombeiros enfrentou dificuldade para fazer o resgate dos corpos, já que a lama, mato e escuridão, além do veículo submerso, eram condições desfavoráveis. Mesmo assim, os bombeiros conseguiram após horas concluir a retirada dos corpos de dentro do automóvel.

A Polícia Técnico-Científica (Politec) fez a remoção dos cadáveres para necropsia no Departamento de Medicina Legal (DML), em Macapá. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) atendeu a ocorrência e disse que vai aguardar pelo laudo da perícia de local de acidente para se posicionar sobre o que de fato causou o acidente fatal.

Médica morreu na véspera do aniversário

A médica Janilde Reis completaria 76 anos neste sábado (9). Tida como pessoas simples e muito atenciosa, Janilde resolveu comemorar o aniversário no interior do estado, onde ela prestava serviços para uma mineradora.

A amiga, Adalgiza Martins, que já havia trabalhado no Amapá e deixou o estado há alguns anos para atuar em outras regiões do país, veio do Rio de Janeiro (RJ) e decidiu ir com Janilde celebrar o natalício, mas o que era para ser uma confraternização se transformou em tragédia.

A Polícia Técnico-Científica (Politec) informou que tentava localizar os familiares da psicóloga. O que chama atenção na página oficial da médica no Facebook é um texto que ela escreveu em 14 de fevereiro do ano passado.

Janilde se revela, de fato, pessoa simples, mas de uma grandeza fantástica. No texto ela narra que está regressando para seu ‘barraco’, o qual ela “usa para viver a minha escolha”. Também declara que não tinha ‘riquezas acumuladas’, e deixa muito claro que seus maiores tesouros eram o amor, simplicidade e felicidade.

Leia o texto na íntegra:

“Que a tarde estarei a caminho do barraco que uso para viver a minha escolha. Como caipira praiana, que vive em área de rios, sinto-me no paraíso. Agradeço ao Criador, pelas bênçãos que jorram sobre mim e que me permitem sentir a todos os momentos, a verdadeira felicidade. Não tenho dinheiro em poupança, não tenho móveis alugados, não tenho fazendas, não tenho terrenos, não tenho sítios, enfim, não tenho riquezas acumuladas. Consegui chegar aos 75 anos sem ter sofrido nenhum fracasso de nenhuma espécie. Só fui internada durante 29 dias e 12 horas no hospital que escolhi (Hospital Geral ou HCAL, Hospital Geral do Amapá), onde sinceramente, fui bem acolhida, bem tratada e bem cuidada. Recebi o que mais desejava e precisava, respeito e calor humano de todos da equipe do Hospital, desde os higienizadores até o medico traumato-ortopedista. Dos 27 dias de espera da cirurgia e 36 horas apos a satisfatória cirurgia do meu fêmur esquerdo. Não considero doença, foi apenas um acidente sofrido por alguém que sempre está fazendo coisas úteis. Sou exatamente o que queria ser, tenho tudo ou pouco mais do que preciso e desejo ter, vivo como desejo viver, amo a todos que se aproximam de mim, ouço pássaros cantar, galo anunciar o nascer do dia, como frutas orgânicas do meu quintal, plantadas por mim. ENFIM, sou e serei sempre feliz. Tenho Deus na minha vida. Obrigada”.

(Janilde Reis)

Reportagem: Elden Carlos e Jair Zemberg
Fotos: Divulgação/Facebook

 
Compartilhe:

Tópicos:  

Deixe seu comentário:




Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *