Política Nacional

À CPI, auxiliar de Pazuello tenta justificar demora para compra de vacinas. Senador vê ‘negligência’

Coronel da reserva Elcio Franco depôs durante mais de oito horas à CPI. Ele era o principal negociador do MS com os laboratórios fabricantes de vacinas contra Covid

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O ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Elcio Franco apontou, em depoimento de mais de oito horas à CPI da Covid, uma série de motivos para justificar a demora na aquisição e contratação de vacinas pelo país.

Os argumentos de Franco não foram bem recebidos pelos senadores da comissão parlamentar de inquérito, que falaram em “negligência”.

Coronel da reserva do Exército e braço-direito do ex-ministro Eduardo Pazuello, Franco foi responsável — enquanto esteve na pasta, até março deste ano — pelas negociações com laboratórios fabricantes de vacinas contra a Covid.

Ele apontou alguns fatores complicadores, segundo afirmou, para o processo de contratação de vacinas:

Em depoimento à CPI, representantes da Pfizer e do Instituto Butantan relataram diversas ocasiões de ofertas de imunizantes ao governo, com perspectiva de entrega ainda em 2020, que ficaram sem resposta. Franco era um dos destinatários dos contatos.

“Eu quero apenas lamentar este momento que nós estamos vivendo, e não tenho dúvida nenhuma de que meu país sofre hoje pela negligência de tantas pessoas que foram para o governo sem nenhum compromisso com o país”, afirmou o senador Otto Alencar (PSD-BA), membro da CPI.

“Fica aqui a nossa conclusão de que este governo negligenciou medidas não farmacológicas, negligenciou a compra de vacinas, negligenciou a testagem e agiu de forma temerária e dolosa ao adotar como medida de controle sanitário o uso da cloroquina para prevenir e tratar precocemente”, afirmou o senador Rogério Carvalho (PT-SE), suplente na comissão.

 

Pfizer

Segundo Elcio Franco, o primeiro contato com representantes da Pfizer aconteceu em 6 de agosto do ano passado, durante uma videoconferência.
Conforme o gerente-geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, entre agosto de 2020 e fevereiro deste ano, houve ao menos seis ofertas de vacinas ao Brasil até o governo decidir fechar o contrato.

Ao todo, foram 81 e-mails e correspondências enviados pela farmacêutica a representantes do governo, a maioria sem resposta, conforme levantamento feito pela CPI.

Aos senadores, o ex-número 2 da Saúde Elcio Franco negou que tenha sido uma “decisão” não responder aos contatos. Segundo ele, muitos dos e-mails eram repetidos e enviados com o mesmo teor.

 
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