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Ômicron na China e guerra na Ucrânia levam CNI a ver tombo do PIB da indústria de transformação em 2022

Em dezembro do ano passado, entidade estimava que a indústria de transformação teria expansão de 0,5% neste ano, mas agora prevê queda de 25%


AA guerra na Ucrânia e a variante Ômicron do coronavírus, que têm causado novas interrupções de produção na China e problemas logísticos, vão causar queda de 2% no Produto Interno Bruto (PIB) da indústria de transformação em 2022, estimou a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em dezembro do ano passado, a previsão da entidade era de uma alta de 0,5% neste ano.

Para o PIB como um todo, que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia, a previsão da entidade é de uma expansão de 0,9% neste ano, contra a estimativa anterior (feita em dezembro) de 1,2%.

Já o PIB industrial, que engloba também as indústrias extrativa mineral e da construção civil (além da indústria de transformação), deve apresentar um recuo de 0,2% neste ano. Em dezembro do ano passado, a previsão da CNI era de uma alta de 0,5% em 2022 para o PIB industrial.

Em 2021, o PIB industrial foi um dos destaques da recuperação da economia, com uma forte expansão de 4,5%, sendo superado somente pela alta de 4,7% no setor de serviços.

“Os dois principais motivos para os cálculos mais pessimistas em relação à economia nacional são: a guerra na Ucrânia e a variante Ômicron, que têm causado novas interrupções de produção na China, em importantes centros industriais e problemas logísticos”, informou a CNI.

Acrescentou que tanto as sanções comerciais e financeiras impostas por vários países ocidentais sobre a Rússia quanto a nova variante da Covid-19 contribuíram para a “persistência dos desarranjos nas cadeias produtivas”.

“A guerra tem ainda o agravante econômico de pressionar para cima o preço dos fretes internacionais devido à alta do petróleo e de várias outras commodities, em especial de alimentos”, avaliou a entidade.

 

Inflação alta e renda em queda

Além dos problemas causados pela guerra na Ucrânia e pela variante ômicron na China, o gerente-executivo de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles, avaliou que a redução da renda real da população e a alta nos juros também desestimulam a aquisição de bens de consumo duráveis, como automóveis e eletrodomésticos.

“Temos um desafio, cada vez mais difícil, de enfrentar inflação alta com baixo crescimento. Mas o Brasil não pode deixar que o controle da inflação recaia exclusivamente sobre a elevação dos juros, principalmente pelo efeito de perda de ritmo da atividade econômica. Sobretudo quando as expectativas de crescimento já são modestas”.

De acordo com o analista, medidas como a redução do IPI, anunciada recentemente pelo governo, são complementares ao processo de alta dos juros para tentar conter a inflação.


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