Política Nacional

Polícia Federal defendeu junto à PGR aprofundar investigações dos atos antidemocráticos

PGR, no entanto, após cinco meses, pediu arquivamento do inquérito. Em relatório, PF propôs investigar obstrução à CPI das Fake News e dinheiro do exterior para financiar atos

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A Polícia Federal defendeu junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) um aprofundamento das investigações do inquérito dos atos antidemocráticos. A PGR, no entanto, demorou cinco meses para se manifestar e pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) o arquivamento do inquérito.

As investigações dos atos antidemocráticos apuram o financiamento e a organização de manifestações realizadas em abril do ano passado. A abertura do inquérito foi pedida pela PGR e autorizada pelo STF.

As manifestações levantaram causas inconstitucionais, como ataques ao Congresso e ao STF e apologia ao AI-5, considerado o ato mais repressor da ditadura militar.
Ao pedir o arquivamento, o vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, argumentou que as investigações da PF não conseguiram apontar a participação dos deputados e senadores nos supostos crimes investigados. No relatório parcial, assinado pela delegada Denisse Ribeiro, a afirma que vê “justa causa” para aprofundamento das investigações, mesmo diante de “lacunas” na apuração.

Algumas dessas lacunas, segundo ela, ocorreram porque a PF não conseguiu obter provas junto à CPI das Fake News.

“Apesar de a Polícia Federal não ter conseguido utilizar determinados meios de obtenção de prova (busca e apreensão, acesso ao conteúdo obtido pela CPI, por exemplo) para completar lacunas em alguns eventos e também para verificar a consistência e subsistência de algumas das hipóteses criminais apresentadas, observa-se que há justa causa para aprofundamento desses fatos, não necessariamente dentro do presidente inquérito situação que deverá ser avaliada pelo ex. sr. ministro relator”, disse a delegada.

Em outro trecho, a PF afirma que a investigação permitiu identificar a “existência de um grupo de pessoas que se influenciam mutuamente, tanto pessoalmente como por meio de redes sociais digitais, com o objetivo de auferir apoio político partidário por meio da difusão de ideologia dita conservadora”.

O relatório afirmou também que foi verificada a tentativa de um empresário e do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, de comprar ou alugar uma rádio para fortalecer apoios políticos.

“Uma articulação de Otávio Fakhoury — empresário — com o deputado federal Eduardo Bolsonaro, do PSL, no intuito de adquirirem ou alugarem uma rádio com o fim de possuírem, um canal de mídia tradicional para a difusão do ideal conservador.”

Ao longo do inquérito, a PF faz uma série de cruzamento de dados e mostra a relação de empresários, políticos e apoiadores do governo. Uma das linhas de investigação da PF é se houve o direcionamento de repasse do governo federal para sites e outros canais bolsonaristas atacarem as instituições. A PF diz que não foi possível obter informações aptas a verificar se a Secretaria de Comunicação da Presidência adotou medidas que impedissem o direcionamento de recursos federais aos canais.

 
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