Política

Clécio diz que ‘oportunistas’ tentam se promover politicamente sobre vítimas da pandemia

Em entrevista franca e aberta, prefeito da capital reconheceu colapso na saúde; desabastecimento do mercado de fármacos, insumos e equipamentos, e repudiou os ‘oportunistas de plantão’, que buscam promoção política em cima do sofrimento alheio. “Corvos e urubus”, classificou.

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Elden Carlos
Editor

 

O prefeito de Macapá, Clécio Luis, desabafou nesta sexta-feira (22) durante entrevista ao programa radiofônico LuizMeloEntrevista (Diário 90,9FM) e afirmou que ‘corvos’ e ‘urubus’ tentam se aproveitar da desgraça da população, afetada pela pandemia da Covid-19, com objetivo claro de tentar se promover politicamente.

 

“Além da luta desigual contra o inimigo invisível, que é o coronavírus, temos que lutar contra os oportunistas de plantão, que é outro ‘vírus’ existente e muito forte. Lutamos diariamente contra problemas de falta de estrutura, de desabastecimento do mercado hospitalar, de falta de medicamentos e insumos e ainda temos que lutar contra essa legião de oportunistas, corvos e urubus, que querem apenas se promover politicamente em cima da desgraça alheia”, disse.

 

Questionado se reconhece o colapso do sistema público de saúde na capital, e a fragilidade da estrutura de retaguarda, Clécio não titubeou: “Sim, claro, mas a pandemia era algo impensado. Nossa estrutura [municipal] é de atenção básica. Antes, tínhamos a marcação de consulta, o remédio nas farmácias, o atendimento nas nossas unidades, que, inclusive, foram reformadas, ampliadas e até mesmo erguidas do zero. Porém, já falávamos lá atrás que as pessoas não podiam adoecer ao mesmo tempo porque o sistema não suportaria. É exatamente o que está acontecendo agora”, relatou.

 

O prefeito também afirmou que além do colapso no sistema, outro agravante é o desabastecimento do mercado hospitalar em nível nacional.

 

“Agora, além da rede [de saúde] não suportar, não tem onde comprar. O Brasil está desabastecido de medicamentos básicos como, por exemplo, ivermectina e azitromicina. Pode fazer uma pesquisa. Ontem, soube que chegou um pouquinho em algumas farmácias, mas são lotes ínfimos. Se a gente quiser comprar camas hospitalares, não tem. Se quisermos comprar equipamentos para intubação, não tem. Medicamentos que vendem em farmácias, como os utilizados para tratar coágulos e trombose, não têm. Essa é a realidade”, revela.

 

A pandemia do coronavírus também provocou a corrida das pessoas às farmácias, na busca de medicamentos como a ivermectina ou azitromicina, que são vendidas de forma livre [sem receitas] e isso ocasionou o esvaziamento dos estoques em toda a rede de farmácias privadas.

 

Para evitar a automedicação no município de Macapá. Clécio Luis afirma que o novo protocolo médico adotado só garante a entrega da medicação aos pacientes consultados nas UBSs, mediante prescrição médica.

 

“A pessoa procura a unidade de saúde do município, ou é atendida por consultas telefônicas, e, caso precise, já tem a medicação prescrita. Isso ajuda, e muito, a reduzir a automedicação. Uma dosagem errada pode ocasionar uma série de problemas a essa pessoa, inclusive, óbito. Toda medicação só deve ser feita mediante prescrição médica”, alerta.

 

O prefeito disse que entre as estratégias para evitar a ida de pessoas às Unidades Básicas de Saúde (UBSs), está uma em que as equipes de saúde estão entrando nos bairros com maior incidência de casos e fazendo um diagnóstico, já disponibilizando a medicação inicial, impedindo o agravamento da doença.

 

“Veja bem. Temos tido problemas sérios com a questão dos testes rápidos. Muitas vezes, a demora no resultado pode agravar a situação de uma pessoa que pode evoluir clinicamente, então, o médico já realiza a consulta e faz uma investigação ali mesmo [na residência] prescrevendo a medicação. O médico é soberano no seu diagnóstico. Dessa forma, o paciente já entra em tratamento, não sendo necessária sua ida à unidade de saúde”, garantiu.

 

Oficialmente, o município de Macapá adotou, há 32, dias o protocolo de administração de ivermectina, azitromicina e outros medicamentos, todos adquiridos com recursos do Tesouro Municipal. Clécio afirmou que recebeu, do governo federal, 25 mil comprimidos de cloroquina, que vai atender a rede básica, mas o número é insuficiente, já que cada paciente em tratamento deve administrar 18 comprimidos no tratamento.

 

 

“Iniciamos uma tratativa de negociação com as farmácias locais de manipulação para adquirir a cloroquina e fazer a distribuição. Ninguém vai obrigar ninguém a usar a cloroquina. O médico vai avaliar a necessidade e vai conversar com o paciente para saber se ele [paciente] deseja o tratamento com esse medicamento, e vai assinar um termo de responsabilidade”.

 

Sobre a superlotação das unidades de saúde, o prefeito da capital lembrou que o município atua na atenção básica.

 

“Quem for a uma unidade de saúde vai encontrá-las superlotadas, infelizmente, mas é porque estamos em pandemia. Mas quem for lá vai receber tratamento de atenção básica. O que é que não temos? Não temos tratamento hospitalar, nós não somos hospital. Eu to falando isso  porque durante esse período, ficaram muitas pessoas internadas nas nossas UBS, o que não pode acontecer. O paciente grave, precisa ser transferido para uma rede de regulação nos hospitais, mas lá também está sobrecarregado, não está tendo leito. Então, o que vamos fazer? Expulsar esse paciente? Não, vamos fazer de tudo para salvá-lo. Para se ter uma idéia, já houve um dia em que tivemos 32 pacientes internados nas nossas três unidades de referência”, observa.

 

Clécio, ao ser questionado sobre a morte de pacientes, disse que é uma sensação de derrota.

 

“Cada vez que eu vejo uma cena chocante, uma família chorando, pessoas que faleceram dentro das UBS, pra gente, é uma derrota. No entanto, lutamos com tudo o que temos. Eu também peço a compreensão para os funcionários. Eles não têm culpa, se esforçam ao máximo, estão em nível de estresse altíssimo. Eles também têm famílias”, disse.

 

Em relação à destinação de recursos para o combate à pandemia em Macapá, Clécio reconheceu o empenho da bancada federal. “Temos tido a participação de toda a bancada nessa empreitada. Infelizmente, a fake news também atrapalha esse processo. Mas, com exatidão, temos recebidos apoio determinante da bancada federal, através do senador e presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, dos senadores Randolfe Rodrigues e Lucas Barreto, além de todos os deputados federais”, garantiu.

 

O prefeito macapaense revelou que do auxilio financeiro liberado pelo governo federal, Macapá vai receber R$ 7 milhões, exclusivos para o combate à Covid-19.

 

“Esse auxílio financeiro tem dois tipos de recursos. Um, para Covid, que é de R$ 7. Outros R$ 64 milhões [no decorrer do ano] para repor parte das perdas de arrecadação. Nossa arrecadação foi para o chão. Se continuasse assim, sem o auxílio financeiro, mês que vem, atrasaríamos salários. Só para você ver a gravidade. Então, essa medida, que foi toda arquitetada pelo presidente Davi, vai repor uma parte das perdas de ISS e ICMS”.

 

Lockdown

 

Nesta sexta-feira, Macapá entrou no quarto dia de lockdown, para garantir o isolamento social e outras medidas restritivas. O prefeito da capital avaliou que essa decisão foi tomada de forma acertada.

 

“Foi uma medida acertada. Esse é o momento correto, do pico da doença. Estamos embasados em relatórios científicos e técnicos. Antes, tínhamos 40% da população em casa e 60% na rua. Depois, no lockdown, chegamos nesses dias a 57% de isolamento domiciliar”, divulga.

 

Hospital Universitário

 

Clécio disse que existe um aceno positivo para entrada em operação do Hospital Universitário, na próxima semana, reforçando a retaguarda e levando o município a testar medidas de retomada de algumas atividades econômicas.

 

“Conversei, ontem, com o presidente Davi e tenho falado todo dia com o governador Waldez. Existe essa expectativa de abertura do HU na próxima semana. Com isso, também vamos testar medidas de retomada de algumas atividades econômicas, claro, de forma progressiva. É o que estão chamando de ‘um novo normal’. Estamos trabalhando pra isso”.

 
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