“O Amapá tem enorme potencial associado ao turismo de natureza”, diz ministro Gustavo Feliciano
Em entrevista exclusiva ao Diário do Amapá, o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, fala sobre o Fundo Geral do Turismo, o Fungetur, que já contabilizou R$ 3,4 milhões em novos financiamentos no Amapá, em 11 operações distintas

Cleber Barbosa
Da Redação
Diário do Amapá – Ministro, qual a avaliação que o senhor faz sobre como o Fundo Geral de Turismo (Fungetur) tem ajudado o acesso ao crédito para os negócios do turismo no Amapá?
Ministro do Turismo, Gustavo Feliciano – Os números demonstram um avanço muito significativo do Fungetur no Amapá em 2026. Tivemos um crescimento expressivo tanto no volume de recursos contratados quanto no número de operações realizadas. Entre janeiro e julho deste ano, foram contratados R$ 3,4 milhões em financiamentos, distribuídos em 11 operações, todas de capital de giro, enquanto no mesmo período de 2025 havia sido registrada uma operação, no valor de R$ 735 mil. Isso significa um crescimento de mais de 360% no volume de recursos contratados. Outro dado relevante é que o crédito está chegando principalmente aos pequenos negócios. Em 2026, seis operações (54,55%) atenderam microempresas e quatro (36,36%) foram destinadas para pequenas empresas, o que representa cerca de 91% dos financiamentos destinados aos empreendimentos de menor porte. Em 2025, a única operação realizada atendeu uma pequena empresa. A ampliação do acesso ao financiamento permite que empresários tenham mais capital para manter suas operações, investir na qualidade dos serviços e fortalecer toda a cadeia produtiva do turismo. Esse resultado mostra que o Fungetur está cumprindo seu papel de ampliar acesso ao crédito e criar condições para que o setor continue gerando emprego, renda e desenvolvimento no Amapá.
Diário do Amapá – Quem pode se habilitar a receber recursos desse fundo?
Gustavo Feliciano – Podem pleitear recursos empresários e microempreendedores individuais que atuem como prestadores de serviços turísticos e estejam devidamente cadastrados no Cadastur (Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos), que serve para atestar a regularidade de funcionamento de empresas que atuam no setor turístico no Brasil. O sistema é gratuito e funciona como um canal oficial que garante diversos benefícios aos prestadores, como acesso ao Fungetur. Vale lembrar ainda que a análise de risco, a aprovação do crédito e definição das garantias são realizadas pelas instituições financeiras credenciadas para operar o Fundo.
Diário do Amapá – Quais as regras do programa, como, por exemplo, se são financiamentos ou exigem contrapartida?
Gustavo Feliciano – O Fungetur opera por meio de financiamentos. Os recursos podem ser utilizados para obras de implantação, ampliação, modernização e reforma; aquisição de máquinas e equipamentos turísticos e para capital de giro. Os financiamentos podem chegar a R$ 15 milhões, com juros de até 5% ao ano, acrescidos da correção pelo INPC. Os prazos podem alcançar 120 meses para bens e capital de giro e até 240 meses para obras, construção, reforma e ampliação, com carência de até cinco anos. A avaliação das condições e garantias é feita pelo agente financeiro credenciado.
Diário do Amapá – Existe uma vocação específica ou segmentação turística que o Ministério entenda ser prioritária para o nicho que o Amapá aposta?
Gustavo Feliciano – O Ministério do Turismo trabalha para valorizar as vocações de cada destino. No caso do Amapá, observamos um enorme potencial associado ao turismo de natureza, à biodiversidade amazônica, ao turismo de pesca esportiva, ao turismo náutico, ao patrimônio cultural e às experiências ligadas aos povos e comunidades tradicionais. Nossa prioridade é apoiar iniciativas capazes de impulsionar o desenvolvimento sustentável, gerar emprego e renda e ampliar a competitividade do estado no mercado turístico nacional e internacional. A destinação dos recursos do Fungetur em 2026 reflete esse compromisso ao alcançar uma gama mais ampla e diversificada de segmentos turísticos. Restaurantes, cafeterias e bares concentram três operações, o equivalente a 27,27% do total, seguidos por organizadoras de eventos e prestadores de infraestrutura de apoio para eventos, com duas operações cada. Também foram contempladas agências de turismo, empreendimentos de apoio ao turismo náutico ou à pesca desportiva, prestadores especializados em segmentos turísticos e transportadoras turísticas.
Diário do Amapá – Ao invés de disputar atrair turistas estrangeiros com outros estados amazônicos, o Amapá deveria se consorciar, um turismo regional?
Gustavo Feliciano – O Brasil vive um importante momento no turismo. Em 2025, batemos o recorde ao receber 9,2 milhões turistas estrangeiros. E somente de janeiro a julho deste ano, o país contabilizou 5,87 milhões de visitantes internacionais. Esse desempenho reforça as perspectivas de crescimento do setor e cria oportunidades para que destinos como o Amapá ampliem sua participação nesse cenário. Sem dúvida que a integração regional, como a proporcionada pelo Consórcio Amazônia Legal, é um caminho importante para fortalecer a Amazônia como destino turístico. O turista internacional, muitas vezes, busca experiências complementares em diferentes localidades. Por isso, iniciativas de promoção conjunta e roteiros integrados podem aumentar a atratividade da região e gerar benefícios compartilhados para todos os estados amazônicos. É justamente com essa visão de cooperação e desenvolvimento integrado que o Ministério do Turismo vem estruturando ações voltadas às áreas de fronteira. Em junho, anunciei a realização de um diagnóstico e de um plano de ação para o desenvolvimento do turismo nas regiões fronteiriças do Amapá e do Pará com a Guiana Francesa e o Suriname. A iniciativa faz parte de um projeto de cooperação técnica firmado com a UNESCO e busca promover o desenvolvimento do turismo a partir de uma abordagem integrada, que articule a preservação ambiental, a valorização das culturas locais e a cooperação institucional entre os estados e os países fronteiriços. Vamos identificar obstáculos a serem superados e potencialidades, que vão contribuir para o enfrentamento de desafios relacionados à infraestrutura, conectividade e à promoção turística. Dos 9,2 milhões de turistas internacionais recebidos pelo Brasil em 2025, cerca de 65% tiveram origem em países sul-americanos, o que reforça o peso das regiões fronteiriças no fluxo internacional.
Diário do Amapá – No pós-pandemia os viajantes tenderam a buscar novos destinos turísticos pelo país, o Amapá pode se tornar um deles?
Gustavo Feliciano – Sem dúvida. O Amapá reúne atributos cada vez mais valorizados pelo viajante, como natureza preservada, autenticidade cultural e experiências diferenciadas. O fortalecimento da infraestrutura turística e o acesso ao crédito por meio de instrumentos como o Fungetur contribuem para que o estado esteja cada vez mais preparado para receber visitantes.
Diário do Amapá – O senhor acredita que o petróleo poderá impulsionar o turismo para o estado?
Gustavo Feliciano – Todo investimento que contribua para ampliar a infraestrutura, a conectividade e a atividade econômica pode gerar reflexos positivos para o turismo. Inicialmente, assim como em qualquer região que recebe investimentos vultosos, podemos perceber um salto no turismo de negócios – um segmento que tem a capacidade de impulsionar a economia de uma região. No longo prazo, a infraestrutura gerada por esses enormes investimentos poderá estruturar e alavancar o ecoturismo e a valorização cultural do estado. O aumento da atividade econômica poderá também, no futuro, garantir investimentos maiores em infraestrutura aeroportuária e transporte hidroviário, melhorando a conectividade e possibilitando a chegada de mais turistas domésticos e internacionais ao Amapá.
Diário do Amapá – Que mensagem o senhor deixa para homens e mulheres abnegados que militam no turismo do Amapá?
Gustavo Feliciano – Deixo o meu mais profundo e sincero agradecimento a cada um de vocês. O turismo só existe e é possível porque há o empenho diário de milhares de trabalhadores e trabalhadoras do setor. Quem recebe o visitante na chegada a Macapá, quem guia os viajantes pelos rios e florestas, quem produz e serve a gastronomia local, quem cuida da hotelaria, do artesanato, do atendimento, merece todo o nosso agradecimento. São vocês que transformam o potencial do Amapá em uma experiência única e inesquecível.
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