Política

Randolfe Rodrigues anuncia retorno ao magistério na Unifap e retomada de doutorado

Senador afirma que não planeja disputar Prefeitura de Macapá em 2028, nega tratativas para cargos no governo Lula e diz estar à disposição do presidente para “qualquer tarefa”


 

Douglas Lima
Editor

 

Após não conseguir a reeleição para o Senado, Randolfe Rodrigues (PT) afirmou nesta terça-feira, 27, no programa Luiz Melo Entrevista, do Sistema Diário de Comunicação, que pretende voltar a dar aulas na Unifap, e retomar o doutorado interrompido quando assumiu o mandato no Congresso Nacional. Segundo ele, neste momento sua prioridade é retornar à Universidade Federal do Amapá e concluir a formação acadêmica que precisou deixar de lado em 2010.

 

“Minha única candidatura colocada neste momento é a candidatura a voltar a dar aulas na Universidade do Federal do Amapá”, declarou o senador. Randolfe explicou que, quando foi eleito para o Senado, estava prestes a ingressar em um programa de doutorado, depois de concluir o mestrado em políticas públicas. O projeto acabou sendo suspenso em razão da eleição e da chegada ao Congresso.

 

Randolfe Rodrigues disse que seu foco na Unifap será principalmente nas áreas de Direito Constitucional, Ciência Política e Teoria do Estado. Também afirmou que poderá lecionar História, caso seja requisitado.

 

Sem planos para disputar a Prefeitura

Questionado sobre a possibilidade de disputar a Prefeitura de Macapá em 2028, ele descartou a hipótese. “Não está nos meus planos”, respondeu. Também negou que esteja negociando eventual indicação para um cargo no Tribunal de Contas da União (TCU) ou para algum ministério do governo federal. Segundo ele, não houve conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre uma possível nomeação.

 

“Não fui chamado, não fui procurado. Não tenho conhecimento de nada nesse sentido e nem conversei com ninguém sobre isso”, afirmou.

 

O senador deixou claro que permanece politicamente alinhado a Lula e que está disponível para colaborar com o presidente caso seja chamado para alguma missão: “Eu estou à disposição de Lula desde quase quando eu nasci. Eu estou à disposição de Lula desde sempre para qualquer tarefa, seja para o que for”, declarou.

 

 

Resultado eleitoral

Ao falar sobre a eleição presidencial, o senador destacou sua relação histórica com Lula e com o Partido dos Trabalhadores. Ele afirmou que vota no presidente desde 1989, quando tinha 16 anos e participou pela primeira vez de uma eleição presidencial. Também atribuiu à mobilização popular, especialmente da juventude, parte importante da vitória de Lula no segundo turno. Segundo ele, houve uma mobilização que ultrapassou as estruturas partidárias e levou diferentes gerações às ruas.

 

Randolfe classificou o resultado como uma demonstração de força da democracia brasileira e afirmou que a vitória de Lula representou, na sua avaliação, uma reação da sociedade ao avanço da extrema direita. Ele também criticou declarações do candidato derrotado à Presidência, que questionou o resultado das urnas. Em contraponto, citou o próprio comportamento após perder a eleição para o Senado no Amapá.

 

“Eu perdi a eleição. Assim que eu confirmei o resultado, o que foi que eu fiz? Eu gravei um vídeo reconhecendo o resultado, cumprimentando os dois senadores eleitos, cumprimentando o governador eleito e desejando a eles o melhor dos esforços para o Amapá”, disse.

 

Apesar da derrota eleitoral, Randolfe disse que pretende trabalhar até o fim do mandato, que se encerra no início de 2027. Entre as prioridades, citou a continuidade das ações relacionadas à transposição de servidores do Amapá para os quadros da União e a votação de medidas voltadas aos servidores públicos. Ele também mencionou a PEC 47, apresentada por ele em 2020 e aprovada no Senado em 2023, cuja tramitação ainda precisa avançar na Câmara dos Deputados.

 

Futuro político em aberto

Embora tenha descartado, neste momento, uma candidatura à Prefeitura de Macapá, e afirmado que seu foco imediato está na universidade, Randolfe não fechou as portas para a política. Ao comentar a possibilidade de colaborar com o governo Lula, ressaltou que sua disposição não se resume à ocupação de um cargo: “Lula não é um nome, Lula é um movimento político que incluiu o povo brasileiro, que defendeu os trabalhadores, que representa o povo mais pobre e que no último domingo salvou a democracia”, afirmou.

 

BR 156 entre as prioridades

O senador também falou sobre obras de infraestrutura no Amapá, especialmente a BR 156. Segundo ele, a rodovia avançou mais durante os governos do PT e a expectativa é de que o próximo governo federal dê continuidade à pavimentação dos trechos Norte e Sul. Ele afirmou que as obras estão em andamento na região de Laranjal do Jari e que também houve retomada dos serviços no trecho Norte, em direção ao Oiapoque.

 

Para Randolfe, a conclusão da BR 156 deve ser uma tarefa assumida não apenas pelo governo federal, mas também pelo governo estadual e pela nova bancada do Amapá no Congresso. Ao fim da entrevista, ele reforçou que, apesar da derrota eleitoral, pretende permanecer próximo do estado e da população.

 

“Minha cabeça está voltada para organizar o meu retorno à Universidade Federal do Amapá e voltar para lecionar, que é uma das coisas que mais felicidade me dá”, afirmou.

 


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