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Corpo de bebê morto por escorpião no Marajó chega em geladeira

Cadáver do bebê de dois meses foi exumado nessa segunda-feira, 30. Caixão foi colocado dentro de uma geladeira para tentar conservar o corpo



Foto: Samuel Silva

 

O corpo de um bebê de dois anos de idade chegou à Macapá na tarde desta nesta terça-feira, 31, dentro de uma geladeira que estava a bordo de uma embarcação vinda do município de Chaves, na Ilha do Marajó (PA), distante cerca de oito horas de viagem fluvial da capital amapaense. O caixão – retirado do meio do gelo colocado para tentar manter conservado o corpo – causou espanto nas pessoas que acompanharam o desembarque.

De acordo com o delegado João Neto, titular da Delegacia de Polícia Civil de Chaves, a criança foi vítima de uma picada de escorpião no sábado, 28, em uma comunidade da Ilha Mexiana, distante de Chaves quatro horas de viagem de barco.

“Os pais estão acusando o hospital de negligência. A informação é de que o garoto foi picado por volta das 16h de sábado. A família só conseguiu chegar com a criança por volta de 1h da madrugada de domingo, 29. Uma atendente teria ligado para o médico plantonista e esse dissera que não era necessária a presença dele por se tratar de um caso normal, e pediu que a família retornasse pela manhã. O fato é que o médico só compareceu à unidade – de acordo com a família – por volta do meio dia do dia seguinte”, disse o delegado, já em Macapá.

A um jornal paraense, ainda nesta terça, a promotora Ana Maria Magalhães, titular da Comarca de Chaves, disse que o Ministério Público já entrou com representação para que o caso seja investigado.
“Quando o médico chegou no hospital ele aplicou um soro no meu filho. A criança não estava bem, mas era estável. Em seguida meu bebê começou a ter complicações com sangramento. O médico e os enfermeiros ficaram nervosos em seguida. Um helicóptero chegou a ser acionado, mas meia hora depois que o médico aplicou a medicação meu filho morreu”, disse Tiago Ferreira, 27 anos, pai do pequeno Alisson Ferreira.

De acordo com a Promotoria, será apurado se houve omissão de socorro e erro médico. ”Qualquer que seja a acusação, a pergunta é por que esse médico deixou o caso e foi embora? Ou por que ele não estava na hora do plantão no hospital? Será que essa criança não poderia ter sobrevivido?”, declarou a promotora Ana Maria ao jornal paraense.

O corpo da criança foi sepultado por volta das 9h da manhã dessa segunda-feira, 30, mas a promotora pediu a exumação do cadáver, o que foi autorizado pelo juiz da comarca. Ela requereu à Polícia Técnico Científica (Politec), do Amapá, por questões de logística, que fizesse a necropsia. O corpo do menino foi removido por volta das 15h30 para o Departamento Médico Legal (DML).


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