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Maria – fonte de fé, amor e devoção a Deus

Na continuação da programação em homenagem à Mãe de Jesus, que vem desde o dia 9, sexta-feira, para encerrar no próximo dia 19, domingo, em torno de duzentas mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, fazem hoje o Círio de Nazaré que completa a sua octogésima primeira realização em Macapá. A tradicional procissão começa logo […]

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Na continuação da programação em homenagem à Mãe de Jesus, que vem desde o dia 9, sexta-feira, para encerrar no próximo dia 19, domingo, em torno de duzentas mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, fazem hoje o Círio de Nazaré que completa a sua octogésima primeira realização em Macapá.

A tradicional procissão começa logo após a Missa Campal programada para as 7h em frente ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima. O Círio tem o seguinte itinerário: avenida Cora de Carvalho\rua Hildemar Maia\avenida Mendonça Furtado\rua Hamilton Silva \ avenida Presidente Vargas\rua Cândido Mendes\avenida Mário Cruz\chegada na tradicional Igreja São José.

As homenagens à Nossa Senhora de Nazaré, neste ano, começaram sexta-feira passada com o Círio dos Mototaxistas, que se deslocou da TV Amapá, no bairro Buritizal, à Rampa do Santa Inês, percorrendo quatro artérias da capital.

No mesmo dia ocorreria o Círio Fluvial que acabou não ocorrendo, por questão de segurança, conforme orientação da Marinha do Brasil. O Círio Fluvial se deslocaria, às 12h30min, da Rampa do Santa Inês, em Macapá, ao Porto do Grego, em Santana.

No lugar do cortejo de embarcações houve uma carreata com a imagem da Santa sendo levada para celebração na igreja Nossa Senhora de Fátima, na cidade santanense.

Ontem, 10, às 8h30min, aconteceu o Círio Rodoviário, saindo da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima (Santana) até à Catedral de São José, em Macapá, onde à noite houve Missa e a transladação da Imagem para o Santuário de Fátima, o local da saída do Círio de Nazaré, hoje.

Ainda hoje, às 19h, na Catedral de São José, há Novenário sob a responsabilidade das comissões da Festa de Nossa Senhora de Nazaré. A programação religiosa em homenagem à Virgem Santa será levada até dia 18 com Rosário Eucarístico e santas missas, envolvendo as paróquias do Sagrado Coração de Jesus, Cristo Bom Pastor, Jesus Bom Samaritano, São Benedito, Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora de Nazaré, Santuário Nossa Senhora de Fátima, Jesus de Nazaré, São João Piamarta, São José, São Pedro, Nossa Senhora da Conceição e Santuário Nossa Senhora Perpétuo Socorro.

Também participam da programação religiosa da Festa os movimentos e novas comunidades Focolares, Comunhão e Libertação, Cursilhos de Cristandade, Shalom, RCC, Eterna Aliança, Canção Nova e Sacerdotal Mariano, bem como as pastorais sociais Comissão Pastoral da Terra, da Criança, do Menor, Carcerária e da Saúde.

Dia 12 de outubro, segunda-feira, acontecerá o Círio das Crianças. Dia 17, o Círio dos Jovens e, dia 18, o Círio dos Ciclistas. A programação em homenagem à Nossa Senhora de Nazaré será encerrada dia 19 com Missa e Procissão das Luzes na Paróquia Jesus de Nazaré, às 19h. A procissão se deslocará para a Catedral São José.

 

Mensagem do Bispo Diocesano
“Sua mãe guardava todas estas coisas no coração”
(Lc 2,51b)

Todos nós fazemos a experiência de acontecimentos tão marcantes para a nossa vida que eles ficam guardados entre as nossas lembranças. Às vezes são momentos felizes; daqueles que chamamos, justamente, de inesquecíveis. Outras vezes nós até gostaríamos de poder esquecer, mas aquelas circunstâncias não saem da nossa cabeça. Lembrar significa também reviver, através da memória, situações, rostos, emoções. Uma pessoa sem lembranças é como uma pessoa que parte para uma viagem sem bagagem. Não tem experiência alguma para enfrentar novos desafios. Não tem história; não sabe responder às perguntas existenciais: Quem sou eu? De onde venho e para onde vou? Parte todo dia da estaca zero!

O próprio Jesus nos deixou o memorial de sua Páscoa. Este foi o acontecimento decisivo da sua vida. Cruz e entrega. Morte e ressurreição. Túmulo vazio e vida nova. Amor até o fim. Os apóstolos custaram para acreditar, tão nova e única era a situação. No entanto, tinham bem guardadas as lembranças de tantos gestos de Jesus com os quais ele dava a vida nova às pessoas. Os doentes ficavam curados. Os pecadores eram perdoados. Aos pobres era anunciada a boa nova do Reino de Deus. Também tinham os gestos da última ceia. O pão repartido e o vinho distribuído. Um sinal do qual deviam guardar a memória. Os discípulos de Emaús puderam reconhecer Jesus “ao repartir o pão” (cf. Lc 24) porque já o tinham visto fazer aquele gesto. Através da memória podiam fazer novamente aquilo, podiam proclamar para sempre aquelas palavras e descobrir Jesus presente nos sinais por ele mesmo escolhidos. Mistério da fé. Prodígio da memória viva, da fé guardada, todos frutos da ação do Espírito Santo. Bendita Eucaristia. Pão da unidade, alimento da missão. Alegria dos cristãos.

Como e com Maria, precisamos aprender a guardar no coração a memória da nossa fé. Estamos esquecendo o amor de Jesus, o seu exemplo, as suas palavras. Inebriamo-nos com novidades passageiras, que logo caem no esquecimento. Se perdermos a nossa história, deixaremos de ser povo que faz a “memória” do Senhor. Perderemos a nossa identidade. Ficaríamos sem rosto, sem mais nada para contar. Enfim, mais tristes.

Dom Pedro José Conti / Bispo Diocesano

 

* * * * * * * * * História do Círio * * * * * * * * 

No ano de 1934 ocorreu a primeira festa religiosa do Círio no Amapá, segundo dados da Diocese de Macapá. Mas há controvérsias em relação ao evento que se tornou a tradição da fé católica amapaense. Uns atribuem a iniciativa do evento ao prefeito da cidade naquela época, Sr. Eliezer Levy, outros atribuem o feito a Sra. Raimunda Mendes Coutinho, também conhecida como Professora Guita.
A primeira procissão do Círio de Nazaré em Macapá, quando a cidade ainda pertencia ao estado do Pará, aconteceu quando as religiosas da Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria, ao comando da senhora Ester Benoniel Levy, esposa do então prefeito de Macapá, major Moisés Eliezer Levy, organizaram pela primeira vez a procissão e festa. A transladação noturna da imagem da virgem saiu da igreja São José e aconteceu na véspera do Círio. A frente da peregrinação foram 20 cavaleiros, em seguida vinham os anjos conduzindo as bandeiras do Brasil e da igreja e em seguida o “escaler” da Marujada, que simboliza um dos milagres da santa e por último vinha a Berlinda conduzindo a imagem.

Segunda versão
Outra versão aponta que o Círio aconteceu no dia 5 de outubro do mesmo ano, e foi organizado por um grupo de senhoras, dentre elas, a Professora Guita. Nesta época não se tinha nenhuma imagem de nossa senhora de Nazaré na cidade, por isso a procissão foi conduzida pela imagem da santa Nossa Senhora da Conceição que ganhou apenas um manto e foi utilizada para dar início ao tradicional evento, a utilização de outra santa no lugar da virgem de Nazaré partiu de um acordo com o vigário-geral, Padre Felipe Blanck. No ano seguinte a santa chegou a Macapá e o Círio passou a ser conduzido por Nossa Senhora de Nazaré.
A transladação saiu da casa da professora Guita para a igreja de São José, e o círio partiu da igreja até a casa do Tabelião da cidade Cesário Cavalcante, localizada no antigo Novo Hotel, e na manhã seguinte acontecia o recírio que partia da casa de Cesário para a residência Guita, onde era guardada a Santa.

O Círio, que antes era realizado em novembro, passou a ter a mesma data de Belém após um acordo feito entre o então prefeito Major Eliezer Levy um dos organizadores e a Igreja. De lá para cá essa devoção aumenta a cada ano. Esta versão é a mais conhecida entre os fiéis amapaenses.

Apesar da cidade já ter seu padroeiro, São José, cuja festa é realizada todo dia 19 de março, a concentração de romeiros do Círio de Nazaré em Macapá consegue ultrapassar, em volume de massa, os penitentes do próprio padroeiro São José, crescendo a cada ano o número de fiéis.

Essa grande festa de devoção acontece apenas em Macapá, Vigia, Belém e Marabá. Sendo que esta articulação começou nas festas antigas de Portugal, vigia e, principalmente em Belém, que é a maior referência de devoção nesta região. A devoção a virgem de Nazaré veio de Portugal, o primeiro círio aconteceu na cidade de vigia e depois passou para Belém. Esse evento foi um marco histórico, é conhecido no Brasil inteiro e reuni milhares de fiéis anualmente. O círio deve ser realizado no segundo domingo de outubro, em Macapá a primeira procissão aconteceu em novembro, mas logo depois se rendeu a tradição paraense e começou a ser celebrado no segundo domingo de outubro. O acordo que definiu a mesma data para realização do evento tanto em Belém quanto em Macapá, foi aceita para que os macapaenses que não tinham a oportunidade de ir até o Pará pudessem festejar junto a Nossa Senhora de Nazaré.

Origem dos arraiais
No período em que era realizada a Festa de Nazaré, que durava de sete a 14 dias, vários romeiros iam do interior do Pará até a Basílica de Nazaré. A maioria não tinha condições para ficar em um hotel ou pensão, ou não possuía parente algum na cidade. Ao redor da igreja eles começaram a construir barracas improvisadas, onde passavam as noites e vendiam iguarias à base do pato no tucupi, bolos, salgados e produtos da terra de origem: uma farinha de mandioca, massa para o tacacá, etc. Esse hábito passou a ser incorporado na festa, formando-se daí os arraiais.
Como se viu no início, em Macapá a festa surgiu em 1934, já com as barracas que eram construídas rudimentarmente em frente à igreja de São José, no local onde hoje é o Teatro das Bacabeiras. Até a década de 60 havia a Barraca da Santa em frente à Igreja, onde eram realizadas as festividades da administração paroquial, acompanhadas de retretas da Guarda Territorial.

Transladação sobre as Águas
A padroeira da Amazônia também é padroeira dos navegantes. Por isso, logo após a romaria rodoviária, na manhã do sábado, anterior ao Círio, a imagem de Nossa Senhora participa da romaria fluvial, um dos mais esperados, belos e emocionantes momentos de devoção à virgem de Nazaré.
A imagem é levada por um barco, enfeitado com flores, balões e fitas coloridas, seguida por centenas de outros barcos ornamentados. O percurso fluvial é acompanhado por fiéis, religiosos, jornalistas, políticos e estudantes. Dos barcos e da orla, ao longo da procissão, a imagem vai sendo reverenciada pelos ribeirinhos com fogos de artifício e aplausos. São momentos de fervor e devoção que emocionam.

Promessas e milagres
É muito comum durante a procissão ver fiéis com os pés descalços, carregando cruzes, miniatura de casas e canoas, além dos tradicionais anjinhos. Isso geralmente porque a população paga promessas através desses objetos é uma forma dos fiéis agradecerem pelas graças alcançadas durante o ano. As autoridades da igreja alerta apenas que a população não deve cumprir promessa extravagante que prejudiquem sua saúde, como era o caso das pessoas que iam de joelhos ou carregavam cruzes pesadas durante o percurso.

Solidariedade no percurso da procissão
Existem aqueles prestam solidariedade durante o círio, esses distribuem água mineral e frutas em pontos estratégicos para hidratar a população, tendo em vista que a temperatura é alta e muitos fiéis necessitam de hidratação para continuar o percurso. Todos os anos, a Diocese de Macapá realiza uma campanha de doação de água entre os fiéis.

Decoração do percurso do círio
O trajeto por onde passa a imagem da virgem de Nazaré é enfeitado todos os anos com faixas, flores, papel picado, folhas de mato, bandeirinhas e uma infinidade de peças são colocadas em frente às residências dos fiéis. Hoje em dia muitos empresários colocam faixas de agradecimento pelas graças alcançadas em frente dos estabelecimentos por onde a santa é conduzida.

Corda
A corda utilizada na procissão do Círio de Nazaré representa ligação entre os fiéis, em uma demonstração de devoção. Segundo os devotos, os milagres são muitos, desde a aquisição da casa própria, a cura de uma doença, até a vida de uma criança salva, sem explicações médicas, segundo relatos de centenas de mães que todos os anos levam seus filhos vestidos de anjos, em um dos inúmeros carros e barcas especiais da procissão.

Tradicional almoço do círio
Outro grande momento de emoção é o término da procissão do Círio, as que lotavam as ruas de Macapá, voltam às suas casas, para confraternizar em torno de mesas fartas, onde são servidas as mais deliciosas iguarias típicas da terra. É dia de muita festa, de matar as saudades, de rever os parentes e amigos distantes.

 
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