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Promessas, armas do passado

Ulisses Laurindo – Jornalista Articulista Há quatro anos, na campanha eleitoral passada que elegeu Clécio Luís, depois das entrevistas com todos os candidatos, na Rádio Diário, escrevi que os postulantes à Prefeitura voluntariamente faziam promessas mil sabendo, conscientemente, que muitas delas ou quase todas não poderiam ser concretizadas diante da indisponibilidade de recursos e, também, […]


Ulisses Laurindo – Jornalista
Articulista

Há quatro anos, na campanha eleitoral passada que elegeu Clécio Luís, depois das entrevistas com todos os candidatos, na Rádio Diário, escrevi que os postulantes à Prefeitura voluntariamente faziam promessas mil sabendo, conscientemente, que muitas delas ou quase todas não poderiam ser concretizadas diante da indisponibilidade de recursos e, também, na ausência de prévio planejamento, contendo as necessidades da população, mostrando a cada uma concreta solução e não promessas vazias que, mais tarde, seriam vistas como enganosas. Neste ano, porém, cabe registrar que os candidatos enveredaram para sistemática diferente um tanto negativa, varrendo ruas, limpando ruas, modelo que leva ao eleitor a desconfiança de que o gesto é só para impressionar e colher o voto.

Cada época tem suas dificuldades que pouco eram levadas em conta pelos candidatos. E o que dizer agora, quando os municípios continuam sendo vistos como os primos pobres nas prioridades da política do país, logo eles que, materialmente falando, são os mais presentes no dia a dia da população, pois para o seu equilíbrio demandam forças iniciais das cidades.

Claro que os municípios sozinhos não têm condição de desenvolver seu próprio progresso, pois normalmente estão também associados às dificuldades do estado e, esse, às da União. A legislação eleitoral em vigor cerceou a liberdade dos candidatos de espalharem aos quatro cantos promessas difíceis de serem cumpridas, manobras que representam o lado podre da política tão sadia na sua essência, mas perversamente usada.

Mesmo com o rigor da legislação moderna a prática ainda é usual, não por todos, naturalmente, mas por aqueles que entram no jogo dispostos a que “tudo mais vá para o inferno”, como diz a música. A essência da política, sabe-se, é o conjunto de fatos, processos que envolvem e regem a sociedade, o estado suas instituições e relacionamentos entre eles.

Então prometer sem saber que pode cumprir é negar a verdade política, fazendo recair sobre quem promete não a graça desejada, mas o opróbrio. Quatro anos, porém, foi um prazo que trouxe melhoria em relação às promessas largamente oferecidas aos eleitores que, sem discernimento, acabavam tomando como verdadeiras as ofertas que, depois, traduziam em efeitos perniciosos para todos, a quem foi ludibriado e, de resto, à população.

Os candidatos de hoje, mesmo ainda insistindo na ideia de que podem enganar, mas refletem e sabem que o mundo de agora é outro com mais poder de conhecimento dos eleitores que, espera-se, não vão se deixar enganar, pois a experiência mostra, no caso de Macapá, que algo pode ter mudado, porém, muito mais poderia ser feito. Vale então a advertência aos candidatos que não há mais inocentes, talvez como nas eleições passadas. As promessas de tijolos, empregos, ruas asfaltadas, esgotos, saíram do cardápio e não têm mais o peso de antigamente.


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