Miss Fátima Diniz, vítima de feminicídio – 41 anos sem ela
Jovem universitária aos 18 anos de idade representou a beleza amapaense no Concurso Miss Brasil; dois anos depois era morta por asfixia praticada pelo marido

Douglas Lima
Editor
Nesta segunda-feira, 23 de fevereiro, transcorrem 41 anos da morte da que foi Miss Amapá e que fez bonito desfile no Concurso Miss Brasil, Fátima Diniz, vítima de feminicídio num tempo em que esse termo ainda não tinha sido introduzido no mundo jurídico do país.
Hoje, a bela Fátima ainda é lembrada pela sua postura de jovem social e de como a vida dela foi cruelmente tirada por asfixia, pelo marido que, beneficiado pela Justiça, passou pouco tempo preso, mas que decerto carrega na memória o mal que praticou.
Os familiares de Fátima Diniz, pelo que ela representou e representa na sociedade e na história da beleza feminina amapaenses, ainda recebem solidariedade de órgãos públicos e de particulares.
A família, no recebimento da Moção de Solidariedade, foi representada pelo irmão de Fátima, advogado João Américo Nunes Diniz, sobrinha Julyana Martins Diniz e a cunhada Márcia Marques Martins Diniz. Receberam o diploma das mãos da deputada Dayse Marques, que representou Telma Nery, a parlamentar autora da medida.
A cunhada da Miss, Márcia Diniz, diz que as mulheres devem sempre levantar a causa que tem Fátima como símbolo. Para ela, o feminicídio não é algo do passado, mas atualizadíssimo.
“Atualmente, muitas mulheres são vítimas dessa violência. Devemos lembrar dos familiares que ficam sofrendo com a dor e a saudade que não diminuem com o passar dos anos”, ressalta a cunhada.
Fátima Diniz foi morta dois anos depois de ter vencido o concurso e disputado o Miss Brasil, aos 18 anos de idade. Ela, nos dois certames de beleza, era chamada, entre outros adjetivos carinhosos, de a sucessora da mãe, dona Dalva, que em 1958 fora a Miss Amapá.
O Abrigo Fátima Diniz, criado em 2016, acolhe, provisoriamente, por até 90 dias, mulheres e filhos de 0 a 12 anos em situação de violência doméstica e familiar, com risco de morte. O local resgata a autoestima, o fortalecimento emocional e a garantia de direitos às vítimas.
O irmão Américo era quem acompanhava a Miss nos compromissos sociais para os quais ela era chamada. Eram muito apegados. Fátima, era a caçula. Além deles, há o irmão Francisco José.
Américo registra que vários órgãos estão em campanha contra o feminicídio, pedindo para o caso de Fátima Diniz não cair no esquecimento, por ter tido repercussão nacional, um emblema marcante da violência à mulher no estado do Amapá.
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