Política

Capiberibe defende economia da floresta em pé, critica privilégios no serviço público e adia decisão sobre candidatura

Declarações do ex-senador, que prefere ser chamado de “cidadão Capi”, abriu série de entrevistas do Sistema Diário de Comunicação para as Eleições 2026


 

Douglas Lima
Editor

 

O ex-senador João Alberto Capiberibe (PSB) abriu, nesta quarta-feira, 25, a série especial de entrevistas do Sistema Diário de Comunicação com lideranças políticas a propósito das Eleições de 2026. A conversa, conduzida pelo jornalista Cléber Barbosa, percorreu temas como trajetória política, sustentabilidade, desenvolvimento econômico, supersalários no serviço público e conjuntura ideológica no Brasil.

 

 

Logo no início, Capiberibe preferiu simplificar os tratamentos formais. “Hoje eu sou cidadão na planície”, afirmou, ao comentar que, sem mandato, vive uma rotina mais leve. “O mandato pesa, principalmente quando é absolutamente identificado com os mais pobres. O sofrimento também termina sendo compartilhado por quem representa”, refletiu.

 

Com passagens como prefeito de Macapá, governador do Amapá e senador da República, ele afirmou que o cargo que lhe trouxe maior realização foi o de prefeito. “Você está muito próximo da população. Eu conhecia as pessoas pelo nome. Como governador você se distancia mais, e como senador, em Brasília, mais ainda”, disse.

 

 

Capiberibe destacou que abriu mão de aposentadorias vinculadas aos cargos que exerceu. Segundo ele, recusou tanto a aposentadoria de ex-governador quanto a de parlamentar. Atualmente, atua como empresário no ramo de produtos regionais e ecoturismo, com produção de fermentados de frutas amazônicas e atividades no rio Curiaú. “É possível gerar emprego sem derrubar uma árvore”, pontuou.

 

Sustentabilidade e desenvolvimento

Um dos eixos centrais da entrevista foi a defesa histórica da economia sustentável. Capiberibe relembrou a influência de Chico Mendes e a participação na Eco-92, no Rio de Janeiro, marco das políticas ambientais globais. Ele voltou a defender a chamada “economia da floresta em pé” como alternativa para o desenvolvimento do Amapá. Citou experiências de sua gestão, como a implantação de cooperativas, incentivo à bioindústria e projetos voltados à cadeia produtiva da madeira e de produtos florestais não madeireiros.

 

Ao comentar os impactos ambientais recentes no estado, como erosões e alterações hidrológicas no arquipélago do Bailique, atribuiu parte dos problemas a mudanças no curso do rio Araguari após intervenções estruturais. Para ele, os extremos climáticos são sinais de uma crise global que exige respostas estruturantes.

 

Sobre a exploração de petróleo na Margem Equatorial, ponderou que a atividade pode representar riqueza futura, mas não resolve os desafios imediatos. “Depois que se detecta uma jazida, leva pelo menos dez anos para começar a extrair o primeiro barril. O que vamos fazer até lá?”, questionou, defendendo investimentos em cadeias produtivas locais.

 

 

Transparência e supersalários

Outro ponto abordado foi o debate nacional sobre supersalários no serviço público. Capi relembrou que foi autor da proposta que resultou na Lei Complementar nº 131/2009, conhecida como Lei da Transparência, que obriga a divulgação em tempo real das receitas e despesas públicas na internet.

 

Ele comentou decisão recente do ministro Flávio Dino relacionada ao tema e classificou o momento como histórico. “O Supremo vai decidir se todos os brasileiros são iguais perante a Constituição ou se um grupo continuará com privilégios”, afirmou.

 

 

Ideologia e democracia

Questionado sobre posicionamento ideológico, Capiberibe reafirmou sua identidade socialista e defendeu que o Brasil construa um modelo próprio de desenvolvimento. Para ele, a polarização entre direita e esquerda faz parte do processo democrático e a alternância de poder é saudável. Ele citou o ex-presidente Jair Bolsonaro como representante da extrema direita no país e avaliou que o cenário político brasileiro segue aberto para novas configurações em 2026.

 

Eleições 2026

Ao fim da entrevista, João Capiberibe foi questionado diretamente se disputará as eleições de 2026. A resposta foi cautelosa: “Só vou falar em junho sobre candidatura”, disse, sem confirmar nem descartar participação no pleito.

 

 

A entrevista marcou a abertura da série do Sistema Diário com lideranças políticas e integra a cobertura especial do grupo para as Eleições de 2026, com o objetivo de aprofundar o debate público sobre os rumos do Amapá e do Brasil.

 


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