Cidades

Acesso à internet em escolas da rede pública do Amapá chega a 65,9% em 2025

Dados do Censo Escolar indicam avanço de 32,8 pontos percentuais desde o ano passado nas escolas de educação básica no estado


Kayo Sousa/MCom

 

O Amapá avança em direção à universalização do acesso à internet em escolas públicas de ensino básico. Informações divulgadas pelo Censo Escolar 2025 indicam que o estado deu um salto de 32,8 pontos percentuais em dez anos. Em 2015, 33,1% das instituições públicas de ensino infantil, fundamental e médio estavam conectadas à internet no Amapá. Em 2025, o percentual chegou a 65,9%. A média nacional ficou em 93,1% em 2025.

 

Levando em conta apenas as instituições em áreas urbanas, a evolução no Amapá foi de 74,8% para 92,7% entre 2015 e 2025 (17,9 pontos percentuais). Já nas áreas rurais, o avanço foi de 38,4 pontos percentuais: saiu do patamar de 6,4% em 2015 para 44,8% em 2025. O mesmo fenômeno se refletiu em escolas quilombolas, indígenas e de educação especial. Nas quilombolas, o avanço foi de 33,9 pontos percentuais, de 28,6% em 2015 para 62,5% em 2025. A educação indígena registrava 1,7% em 2015 e alcançou a marca de 25,8% em 2025 (24,1 p. p.). Já na educação especial, o salto foi de 52% para 75,6% (23,6 pontos percentuais).

 

No plano mais diretamente conectado ao cotidiano dos estudantes do Amapá, subiu 31 pontos percentuais (de 15,6% para 31%) o número de escolas públicas com internet disponível para atividades de ensino e aprendizagem entre 2019 e 2025.

 

Estratégia nacional – Os avanços observados no Censo Escolar dialogam com um conjunto de políticas federais implementadas nos últimos anos para ampliar o acesso à internet nas escolas públicas. Lançada em setembro de 2023, a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (ENEC) articula ações voltadas à expansão do acesso à internet de qualidade, à melhoria da infraestrutura elétrica e de rede interna (Wi-Fi) e à promoção do uso pedagógico das tecnologias digitais. Entre 2023 e 2025, foram destinados aproximadamente R$ 3 bilhões para ações de conectividade em escolas estaduais e municipais, em regime de colaboração com estados e municípios.

 

Fins pedagógicos – “Nós queremos a tecnologia na escola com fins pedagógicos, para auxiliar a aprendizagem do aluno e ser elemento complementar do professor. Há um esforço do governo de garantir 100% da conectividade para fins pedagógicos das escolas”, afirmou o ministro Camilo Santana (Educação).

 

A Estratégia opera de forma integrada. Combina expansão da infraestrutura, monitoramento técnico da qualidade da conexão e apoio às redes de ensino para garantir que o acesso esteja associado a condições efetivas de aprendizagem e uso pedagógico.

 

“O censo apresenta a conectividade em geral, mas ela pode ser para a sala do professor, para o diretor, para a área administrativa. O que queremos é que o professor possa transmitir um vídeo em sala. E é por isso que criamos a Estratégia de Conectividade de Escolas, e passamos de 45% em 2023 para 70% este ano”, completou Santana.

 

Como é feito – O Censo Escolar é realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e contabiliza 178,8 mil escolas de educação básica no Brasil. A divulgação dos resultados de 2025 foi realizada em 26 de fevereiro de 2026. O levantamento apresenta dados sobre escolas, professores, gestores, turmas e alunos de todas as etapas e modalidades de ensino.

 

Para que serve – Os indicadores do censo são usados para formulação, monitoramento e avaliação de políticas públicas. Os resultados servem, ainda, para a definição de programas e critérios para atuação do MEC junto às escolas, aos estados e aos municípios. Além disso, subsidiam o cálculo de indicadores, como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e possibilita contextualizar os resultados das avaliações, bem como o monitoramento da trajetória dos estudantes desde seu ingresso na escola. A precisão dos dados é base para o repasse de recursos de federais, como o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), no ano seguinte.

 

Indicador complementar – Complementarmente ao Censo, o Ministério da Educação usa o Indicador Escolas Conectadas (INEC), no âmbito da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas, para avaliar se essa internet atende às condições necessárias para o uso pedagógico. O indicador considera a velocidade da conexão, a presença de Wi-Fi nos ambientes escolares e a infraestrutura elétrica compatível, além de integrar diferentes fontes de informação, como medições de velocidade da internet, registros contratuais e dados validados por gestores.

 


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