Prefeito em exercício anuncia pagamento emergencial e tenta evitar colapso no transporte coletivo de Macapá
Pedro DaLua confirma atraso de repasses, admite crise herdada e negocia com empresas e rodoviários para impedir greve

Douglas Lima
Editor
Em meio a atrasos salariais, paralisações e ameaça de greve, o prefeito em exercício de Macapá, Pedro DaLua, anunciou nesta sexta-feira, 20, medidas emergenciais para tentar restabelecer o funcionamento do transporte coletivo da capital. O gestor afirmou que a prefeitura iniciou o pagamento de valores referentes a janeiro para as empresas com a exigência de quitação imediata dos salários e benefícios dos trabalhadores.
O anúncio foi feito durante coletiva de imprensa na sede do Executivo Municipal, após vistoria realizada na garagem da empresa Nova Macapá, onde o prefeito disse ter constatado ônibus parados por falta de combustível e manutenção. Segundo ele, a situação é resultado de atrasos acumulados de repasses e subsídios ainda da gestão anterior.
De acordo com DaLua, a paralisação do sistema já ocorreu outras vezes pelos mesmos motivos. Ele disse que apenas 20 ônibus novos foram incorporados à frota nos últimos anos, número muito abaixo dos 180 prometidos anteriormente, e que esses veículos ainda estão financiados, o que agrava o risco de apreensão por inadimplência.
A gestão informou que o sistema de bilhetagem não possui recursos suficientes para cobrir o passivo das empresas, estimado em cerca de R$ 15 milhões apenas com uma operadora. Diante disso, a prefeitura pretende fazer novos aportes do tesouro municipal a partir da próxima semana.
Ameaça de greve
Durante a coletiva, representantes do Sindicato dos Rodoviários protocolaram indicativo de greve para o próximo dia 26. A categoria cobra o pagamento de salários atrasados e benefícios como vale-alimentação, atualmente em atraso.
Segundo o sindicato, os trabalhadores não descartam paralisação caso os repasses não resultem no pagamento integral dos direitos. “O trabalhador quer trabalhar, mas precisa receber. As contas não esperam”, afirmou a liderança da categoria.
O prefeito garantiu que irá cobrar das empresas o pagamento completo, incluindo salários e benefícios, e demonstrou confiança de que a greve poderá ser evitada.
Sobre a crise administrativa
Pedro DaLua voltou a afirmar que assumiu a prefeitura há 15 dias em meio a um cenário de instabilidade administrativa, com renúncia do então prefeito e exoneração em massa de secretários, o que impactou diretamente a capacidade de gestão financeira. Segundo ele, a atual administração tem priorizado regularizar pagamentos atrasados em diversas áreas, incluindo servidores, garis, agentes de saúde, educação e artistas locais.
“Entramos em um voo cego. Agora é organizar a casa e colocar o trabalhador como prioridade”, disse.
Também sinalizou que, após as medidas emergenciais, a gestão pretende iniciar um debate sobre a reestruturação do sistema de transporte coletivo da capital, com foco em sustentabilidade financeira e melhoria do serviço prestado à população.
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