Petróleo, desenvolvimento e oportunidades: presidente do IBP analisa cenário para o Amapá
Cleber Barbosa – O senhor já esteve no Amapá diversas vezes, não é mesmo Embaixador? Roberto Ardengue – Sim, mais de vinte vezes. Primeiro como diplomata, especialmente por conta da relação com a Guiana Francesa, e agora acompanhando esse novo momento com as perspectivas de exploração de petróleo na região. Cleber Barbosa – […]

Cleber Barbosa – O senhor já esteve no Amapá diversas vezes, não é mesmo Embaixador?
Roberto Ardengue – Sim, mais de vinte vezes. Primeiro como diplomata, especialmente por conta da relação com a Guiana Francesa, e agora acompanhando esse novo momento com as perspectivas de exploração de petróleo na região.
Cleber Barbosa – O petróleo vai muito além da indústria, não é? Ele influencia até conflitos internacionais?
Roberto Ardengue – Sem dúvida. O petróleo responde por cerca de 35% da energia mundial. Com o gás natural, esse número passa de 55%. Ele está presente em praticamente tudo: indústria, transporte, comércio. É um recurso estratégico e essencial.
Cleber Barbosa – E muita gente não percebe que o petróleo está no dia a dia, né?
Roberto Ardengue – Exatamente. Cerca de 85% dos objetos ao nosso redor têm alguma relação com o petróleo — desde roupas até equipamentos eletrônicos. É uma dependência muito maior do que as pessoas imaginam.
Cleber Barbosa – Existe muita discussão sobre exploração na Amazônia. É possível fazer isso com segurança?
Roberto Ardengue – Sim. O Brasil já explora petróleo na Amazônia há décadas, como no projeto de Urucu, no Amazonas, com impacto ambiental mínimo. O importante é fazer com responsabilidade e tecnologia.
Cleber Barbosa – Sobre o Amapá, houve recentemente a retomada das perfurações. O senhor está otimista?
Roberto Ardengue – Sim, mas com cautela. Trata-se de um poço pioneiro. Ele vai indicar se há petróleo ou gás e ajudar a entender o tamanho do reservatório. É um processo técnico e gradual.
Cleber Barbosa – Ou seja, não necessariamente o primeiro poço já traz uma grande descoberta?
Roberto Ardengue – Exatamente. Ele pode indicar a presença de hidrocarbonetos e orientar novas perfurações. É assim que se constrói o conhecimento da área.
Cleber Barbosa – Nossos vizinhos, como Guiana e Suriname, já vivem um boom econômico com o petróleo. Isso pode acontecer aqui?
Roberto Ardengue – Pode, sim. A Guiana, por exemplo, teve crescimento de cerca de 58% no último ano. Isso muda completamente a economia de um país. E pode gerar oportunidades também para o Amapá.
Cleber Barbosa – Inclusive com empresas e mão de obra vindo de outras regiões?
Roberto Ardengue – Exatamente. É natural que haja integração com empresas mais experientes, principalmente do Sudeste. Isso ajuda a desenvolver toda a cadeia produtiva local.
Cleber Barbosa – O Brasil precisa continuar explorando novas áreas?
Roberto Ardengue – Sim. Os reservatórios existentes amadurecem e a produção diminui com o tempo. É necessário repor reservas para manter o país como grande produtor.
Cleber Barbosa – E a transição energética? O petróleo ainda tem futuro?
Roberto Ardengue – Tem, e por muito tempo. A transição será lenta e diferente em cada país. Mesmo com carros elétricos, o petróleo continuará essencial para a indústria e diversos produtos.
Cleber Barbosa – Para encerrar, sua mensagem ao povo do Amapá.
Roberto Ardengue – Tenho um carinho especial pelo estado, inclusive sou cidadão honorário. Estou sempre à disposição para contribuir com informações e ajudar no debate sobre o desenvolvimento da região.
Cleber Barbosa – Doutor Roberto Ardengue, muito obrigado pela entrevista. Foi um grande prazer recebê-lo.
Roberto Ardengue – Eu que agradeço. Um abraço a todos.
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