Artista amapaense lança curtas sobre abuso e lugar da mulher na sociedade
Produções ‘Suja’ e ‘Sagrado Feminino’ serão exibidas nesta sexta-feira, 27, na programação do Cine Trans, em Macapá

Nesta sexta-feira, 27, a artista e ativista Adna Selvage realiza o lançamento de dois curtametragens autorais, ‘Suja’ e ‘Sagrado Feminino’, dentro da programação do Cine Trans Mulheres LBTI, em Macapá. A exibição acontece no Centro de Acolhimento às Mulheres Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexo (AMA LBTI), reunindo arte, denúncia e reflexão sobre temas urgentes.
As obras abordam questões profundas como o abuso sexual e suas sequelas, além de provocar reflexões sobre o lugar da mulher na sociedade, os julgamentos enfrentados cotidianamente e as estruturas que historicamente colocam mulheres em posição de submissão. Um dos pontos centrais das narrativas propõe uma inversão simbólica: como seria a construção social e religiosa se a figura divina fosse feminina?
Cada curta apresenta recortes sensíveis sobre as dificuldades enfrentadas por mulheres simplesmente por nascerem mulheres, evidenciando violências muitas vezes silenciadas.
Em Suja, Adna Selvage, também conhecida como Poeta Inflamada, interpreta Maria em uma obra de vídeo-arte autobiográfica que rompe com padrões tradicionais. O filme traz à tona o delicado e necessário debate sobre o abuso sexual de crianças e adolescentes, a partir de uma perspectiva íntima e visceral.
Lésbica, ativista poética e sobrevivente de abuso, Adna transforma sua vivência em linguagem artística. Por meio da poesia e do audiovisual, denuncia violências estruturais e busca ressignificar sua própria história, ao mesmo tempo em que acolhe e representa outras mulheres que compartilham experiências semelhantes.
“Esses filmes nascem de um lugar muito íntimo, mas também coletivo. São histórias que precisam ser contadas, porque o silêncio também adoece. Minha arte é uma forma de sobreviver, de denunciar e de dizer a outras mulheres que elas não estão sozinhas”, destaca a idealizadora do projeto, Adna Selvage.
Equipe do filme Suja: Sereia Caranguejo
- Adna Selvage
- Jéssica Sousa
- Hellen Maise
- Iandra Moura
- Mayura Justin
- Celestine
- Baluarte Cultural
- Ap Delas Mais
Equipe do filme Sagrado Feminino
- Adna Selvage: Poeta Inflamada; Jéssica Thaís;
- Iandra Maria de Moura Santos; Rose Show;
- Aline Malcher Brazão;
- Tainá Nascimento Gama
- Masayoshi Koga ;
- Iara Cyndel;Robenita Costura Criativa.
Mais de Adna Selvage
Além da atuação artística, Adna também desenvolve iniciativas de impacto social. Ela idealizou a primeira equipe de mulheres bartenders LGBTQIAPN+ do Amapá, com o objetivo de promover autonomia financeira para mulheres e pessoas da comunidade em situação de vulnerabilidade.
Autora do livro ‘A Dependência do Amor’ (2023), que aborda relações afetivas entre mulheres, a artista reforça que, para além da militância, também é essencial falar sobre afeto e amor como formas de resistência.
Reconhecida com prêmios nacionais e internacionais por seu trabalho voltado ao acolhimento e empoderamento feminino, Adna agora expande sua atuação para o audiovisual. O curta Suja, no qual atua, dirige e roteiriza, levou cerca de dez anos para ser concretizado, especialmente devido à dificuldade de apoio para tratar de uma temática tão sensível.
A produção é uma realização do Coletivo Arte Performance Delas Mais e Baluarte Cultural, em parceria com a artista.
O evento ocorre por meio da Lei Paulo Gustavo (LPG), com patrocínio do governo federal, Ministério da Cultura e gestão de recursos pela Secretaria de Estado da Cultura. Apoio da AMA LBTI e CEPC.
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