Polícia Militar forma nova tropa para atuação na Amazônia
Treinamento do Bope reúne policiais em ambiente de selva, tem alta taxa de desistência e recebe investimento de R$ 840 mil do governo estadual

Douglas Lima
Editor
Após 17 anos sem oferta no Amapá, a Polícia Militar retomou o Curso de Operações Especiais, considerado um dos treinamentos mais rigorosos da corporação. A formação foi destacada nesta sexta-feira, 17, pelo comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope), tenente-coronel Wilson, no programa LuizMeloEntrevista (Diário FM 90,9).
O curso iniciou na última segunda-feira com 40 policiais inscritos, mas já registra redução significativa no número de participantes. Segundo o comando do Bope, 20 alunos permanecem na formação após as primeiras etapas, marcadas por exigências física e psicológica elevadas.
Com duração média de quatro meses e meio, o treinamento não possui data definida para encerramento. A lógica segue a doutrina das operações especiais: o policial só conclui o curso após cumprir todas as missões e etapas estabelecidas.
A formação ocorre em ambiente de selva, com atividades em área rural nas proximidades de Ferreira Gomes. Os alunos recebem instruções voltadas à realidade amazônica, como sobrevivência na mata, navegação fluvial e atuação em regiões de difícil acesso.
De acordo com o comandante, a retomada do curso corrige uma lacuna histórica. Durante quase duas décadas, policiais do Amapá buscaram capacitação em outros estados, com treinamentos adaptados a biomas como Caatinga e Cerrado, diferentes das condições enfrentadas na região Norte.
O investimento para a realização do curso gira em torno de R$ 840 mil. O recurso faz parte de um pacote mais amplo de fortalecimento do BOPE, que inclui aquisição de equipamentos, viaturas e estruturas operacionais.
O ingresso no Batalhão de Operações Especiais depende da conclusão de cursos específicos. Cada companhia da unidade possui formação própria, voltada às suas atribuições, como operações táticas, controle de distúrbios, policiamento motorizado e atuação com cães.
Segundo o comandante, a expectativa é de que os novos operadores saiam preparados para atuar em ocorrências de alta complexidade, em especial nas áreas de selva e regiões ribeirinhas do estado. “O curso garante que o policial esteja apto para atuar nos cenários mais críticos da nossa realidade. Aqui, ele treina exatamente onde vai operar”, afirmou o tenente-coronel Wilson.
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