Livro infantojuvenil amapaense transforma narrativa em ferramenta de combate ao racismo
‘Yana, a menina de tranças’, de Laura do Marabaixo, valoriza identidade negra e reforça importância da representatividade desde a infância

A literatura infantojuvenil ganha protagonismo como instrumento de educação antirracista no Amapá com o lançamento do livro ‘Yana, a menina de tranças’, da escritora Laura do Marabaixo.
A obra será apresentada ao público na próxima quinta-feira, 30, às 19h, no Sesc Centro, em Macapá, dentro da programação do 1º Encontro Histórias que encantam e educam: A Literatura Infantojuvenil Produzida no Amapá, realizado pela Editora O Zezeu em parceria com o Sesc Amapá.
O evento também contará com o lançamento do livro As Três Marias Encantadas de Tartarugalzinho, do escritor Marven Junius Franklin, reunindo autores que vêm fortalecendo a produção literária local voltada às novas gerações.
A iniciativa celebra o Mês da Literatura Infantil e propõe um panorama da produção infantojuvenil amapaense, destacando o papel desse gênero na formação crítica, identitária e cultural de crianças e adolescentes.
Representatividade e resistência desde a infância
Em Yana, a menina de tranças, o público acompanha a história de uma menina negra do Amapá que carrega, com orgulho, suas tranças — símbolos de ancestralidade, identidade e resistência. Entre brincadeiras no bairro e vivências escolares, Yana enfrenta situações de preconceito, transformando episódios de discriminação em aprendizado coletivo sobre respeito e diversidade.
A narrativa evidencia a importância da valorização da cultura afro-brasileira desde cedo, ao mesmo tempo em que combate estereótipos ainda presentes no cotidiano escolar. Com ilustrações de Ozy Rodrigues, a obra dialoga com crianças e adultos ao abordar, de forma sensível e didática, questões raciais urgentes.
“Escrever Yana foi uma forma de afirmar que nossas crianças negras precisam se ver como protagonistas de suas próprias histórias. As tranças carregam memória, identidade e resistência. Quando uma criança entende isso, ela se fortalece. E quando outras crianças aprendem a respeitar, a gente começa a transformar o futuro”, destaca Laura do Marabaixo.
Literatura que educa e transforma
A história também resgata o papel da oralidade e da sabedoria ancestral, representada pela avó de Yana, que compartilha os significados culturais das tranças — tradições que remontam ao continente africano e expressam pertencimento, história e identidade.
A obra reforça a literatura como ferramenta essencial na construção de uma sociedade mais justa, atuando diretamente na desconstrução do racismo desde a base educacional.
Sobre a autora
Laura Cristina da Silva, conhecida como Laura do Marabaixo, é escritora, compositora, percussionista, dançadeira e cantadeira de marabaixo. Reconhecida como uma das principais referências da cultura negra, quilombola e tradicional do Amapá, a artista tem trajetória marcada pela valorização das raízes afro-amapaenses.
Entre suas obras, destaca-se A Turminha do Laguinho: E as Histórias dos Afro-Amapaenses, que celebra a memória e as tradições do povo preto no estado. Em Yana, a menina de tranças, Laura reafirma seu compromisso com a representatividade e a educação cultural por meio da literatura.
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