Nota 10

Pesquisador de São Paulo destaca conexão histórica entre Mazagão Velho e Marrocos

Professor da Unifesp visita a vila histórica e aponta que estudos fortalecem a compreensão sobre a ancestralidade da comunidade e ampliam o intercâmbio entre a Amazônia e o norte da África


 

A programação dos 249 anos da Festa de São Tiago, em Mazagão Velho, recebeu a visita do professor doutor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pesquisador do grupo Lincart Africas, Mahfuz Ag Adnane , que participou de atividades na vila histórica e destacou a importância científica, cultural e histórica do município para o fortalecimento das relações entre o Amapá e o Marrocos.

 

A visita integra uma agenda de intercâmbio acadêmico e cultural promovida durante a festividade, que reúne pesquisadores, turistas e moradores em torno de uma das mais importantes manifestações culturais da Amazônia.

 

 

Durante a passagem por Mazagão Velho, Adnane explicou que a ligação entre a comunidade amapaense e o norte da África vai além dos registros tradicionais da colonização portuguesa.

 

“A cidade originária no Marrocos se chamava Marsa Mazagan, o Porto de Mazagão. Essa história precisa ser conhecida porque fortalece os laços históricos, culturais e sociais entre os dois povos”, afirmou o pesquisador.

 

Segundo o professor, estudos recentes indicam que grande parte das famílias que chegaram à Amazônia no século XVIII possuía origem Imazighen (berbere), contribuindo para a formação da identidade cultural preservada até hoje em Mazagão Velho.

 

“É um projeto importante que pode fortalecer parcerias culturais e ampliar o conhecimento sobre a ancestralidade da população local. Estamos falando de uma história viva, preservada por gerações”, ressaltou Adnane.

 

O pesquisador também chamou atenção para outra conexão entre a África e a Amazônia, desta vez do ponto de vista ambiental.

 

Integrante do projeto ‘Desertos e Florestas’, ele destacou que estudos comprovam que partículas de poeira do Deserto do Saara atravessam o Oceano Atlântico e contribuem para a fertilização da Floresta Amazônica.

 

“São dois biomas que se conectam. A África é o berço da humanidade e precisamos fortalecer essas relações arqueológicas, históricas e geológicas”, destacou.

 

Além das pesquisas apresentadas durante a visita, os participantes acompanham a programação dos 249 anos da Festa de São Tiago, realizada até o dia 28 de julho. Entre os principais momentos estão a Alvorada Festiva, o Baile de Máscaras, a Missa Solene, o Círio e as tradicionais encenações da batalha entre cristãos e mouros, consideradas o ponto alto da celebração.

 

A programação também inclui apresentações culturais, atividades voltadas às crianças, manifestações religiosas e atrações musicais no Balneário de Mazagão Velho, consolidando a festa como um dos maiores eventos de valorização do patrimônio histórico e cultural do Amapá.

 


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