Cidades

Hemoap prepara adequação às novas regras para doação de sangue no Amapá

Hemocentro capacita equipes e revisa protocolos para ampliar alcance de doadores sem comprometer a segurança transfusional


Foto: Gabriel Maciel/Sesa

 

O Instituto de Hematologia e Hemoterapia do Amapá (Hemoap) está adaptando seus fluxos internos para a implementação das novas diretrizes do Ministério da Saúde, que atualizam o regulamento técnico da hemoterapia no Brasil.

 

Estabelecidas pela Portaria GM/MS nº 11.685, de 2 de julho de 2026, as alterações entram em vigor no dia 30 de setembro. O objetivo é modernizar a triagem clínica com base em evidências científicas, ampliando o acesso de novos voluntários e mantendo a segurança de doadores e receptores.

 

Entre as principais novidades está a redução do tempo de espera para quem realiza procedimentos estéticos e corporais. Pessoas que fizeram tatuagem, maquiagem definitiva, micropigmentação ou procedimentos invasivos (como aplicação de botox, preenchimento e microagulhamento) poderão doar sangue apenas sete dias após o procedimento, desde que realizado em estabelecimento com alvará sanitário em dia.

 

Caso não seja possível comprovar a regularidade sanitária do local, o prazo passa para quatro meses, período consideravelmente menor do que as restrições anteriores.

 

 

As regras vigentes até então acumulavam quase dez anos sem uma revisão estrutural ampla, sendo atualizadas apenas por notas técnicas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério da Saúde.

 

Para garantir uma transição segura e sem ruídos no atendimento ao público, o Hemoap cumpre um cronograma rigoroso de adequação técnica antes da entrada em vigor da normativa.

 

“Estamos revisando nossos protocolos, formulários e o sistema de triagem. Iniciaremos o treinamento dos nossos colaboradores para alinhar a linguagem e garantir que toda a equipe repasse as informações de forma uniforme. Pretendemos desburocratizar o procedimento e aumentar a acessibilidade do doador, mas sempre garantindo a rastreabilidade do processo e a segurança de quem doa e de quem recebe o sangue”, pontuou Hellen Bittencourt, diretora técnica do Hemoap.

 

A portaria abrange também outras modalidades de inaptidão temporária. Candidatos com piercing na cavidade oral ou na região genital estarão aptos a doar quatro meses após a retirada do acessório.

 

Esse mesmo prazo de quatro meses passa a valer para pessoas que realizaram exames invasivos (como endoscopia e colonoscopia), fizeram uso de anabolizantes sem prescrição médica ou utilizam canetas emagrecedoras.

 

Já para cirurgias bariátricas, o caiu de 12 para seis meses. Pessoas com histórico de câncer passam a ser liberadas após cinco anos do término do tratamento (salvo exceções específicas), enquanto casos de hipotireoidismo e reposição hormonal receberão análise individualizada.

 

As novas diretrizes também facilitam o acesso tanto para os voluntários mais jovens quanto para os mais idosos. Doadores com mais de 70 anos agora poderão passar por uma avaliação médica no hemocentro para continuar doando, e menores de idade terão o processo desburocratizado, podendo apresentar a autorização prévia assinada pelos pais sem a necessidade da presença física do responsável no momento da doação.

 

Mesmo com a atualização dos critérios de triagem clínica, permanecem obrigatórias a avaliação das condições gerais de saúde do candidato e a realização dos testes laboratoriais de praxe em todas as bolsas coletadas, como os testes de ácido nucleico (NAT).

 


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