Esmeraldina dos Santos transforma ancestralidade e memória afro-amapaense em seu livro “Cartas de Aquilombamento”
Obra é dedicada à valorização da ancestralidade, da identidade quilombola e das tradições afro-amapaenses

A memória de um povo, quando registrada, atravessa gerações. É com esse propósito que a escritora, pedagoga e mestra Griô Esmeraldina dos Santos, de 71 anos, lançou na sexta-feira, 28, o livro “Cartas de Aquilombamento”, uma obra dedicada à valorização da ancestralidade, da identidade quilombola e das tradições afro-amapaenses.
O lançamento ocorreu no Parque Residencial, em Macapá, reunindo familiares, amigos, representantes da cultura e pessoas que acompanham a trajetória da autora.
Nascida no tradicional bairro do Laguinho, Esmeraldina carrega uma história profundamente ligada ao Quilombo do Curiaú e às duas maiores manifestações culturais de matriz africana do Amapá: o Marabaixo e o Batuque. A relação com a cultura vem de berço. Ela é filha de Mestre Bolão e Tia Chiquinha, reconhecidos pela atuação na preservação e transmissão dos saberes e costumes tradicionais.
Foi nesse ambiente, ouvindo histórias e convivendo com manifestações de fé, música, dança e resistência, que Esmeraldina construiu parte importante de sua identidade. Com o passar dos anos, os conhecimentos transmitidos principalmente pela oralidade passaram também a ocupar as páginas dos livros.
Da tradição oral para a literatura
Com sete livros publicados, Esmeraldina transformou experiências de sua comunidade e conhecimentos herdados dos antepassados em literatura. Sua produção contribui para registrar histórias que, durante muito tempo, foram preservadas sobretudo pela palavra falada e transmitidas de geração para geração.
O trabalho da escritora também está ligado à educação. Pedagoga, Esmeraldina segue ampliando sua trajetória acadêmica e atualmente é mestranda da Universidade Federal do Amapá (Unifap), com estudos voltados à Educação, Cultura e Diversidade.
Essa união entre educação, literatura e saberes tradicionais está presente em sua missão de transmitir às novas gerações a história de seu povo e fortalecer o sentimento de pertencimento e a identidade quilombola.
“Cartas de Aquilombamento”
A nova obra parte justamente desse compromisso. “Cartas de Aquilombamento” apresenta um olhar para a comunidade, suas vivências e os caminhos construídos por meio da ancestralidade.
Para Esmeraldina, o livro fala sobre aquilo que permanece vivo mesmo com a passagem do tempo.
“O livro ‘Cartas de Aquilombamento’ é um trabalho voltado à nossa comunidade, mostrando a importância de viver uma história de fé e de tradições que se perpetuam até os dias de hoje”, destaca a escritora.
O próprio título carrega o sentido de união, pertencimento e preservação das memórias coletivas. São histórias que encontram na escrita uma forma de permanecer vivas e alcançar crianças, jovens e futuras gerações.
Aos 71 anos, Esmeraldina segue escrevendo uma trajetória que começou muito antes dela, com seus ancestrais, e que agora ganha continuidade por meio da literatura. O lançamento de “Cartas de Aquilombamento” não é apenas uma nova publicação, mas a força das histórias, das vozes e das tradições que ajudam a construir a identidade cultural do Amapá.
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