Polícia

Investigação revela como homem foi atraído para execução no Macapaba

De acordo com a DHPP, Pedro Dener mudou de facção criminosa e teve a morte decretada; jovem simulou interesse amoroso por aplicativo para atrair vítima


 

Elen Costa
Da Redação

 

Uma investigação detalhada da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) desvendou a trama de traição, facções criminosas e emboscada que resultou na morte de Pedro Dener de Almeida Furtado, de 28 anos. O crime ocorreu na noite de 12 de outubro de 2025, no Conjunto Macapaba II, na zona norte de Macapá.

 

Segundo o delegado José Mário Carneiro, o assassinato foi motivado por um “decreto” de morte emitido após a vítima deixar a facção Família Terror Amapá (FTA) para migrar para o Comando Vermelho (CV). Três lideranças da FTA — conhecidos como ‘Mex’, ‘Loiro’ e ‘Gerente’— foram identificados como os mandantes e estão foragidos.

 

Conforme levantamentos contidos no inquérito policial, para conseguir localizar e executar a vítima, o grupo criminoso utilizou uma armadilha afetiva. Uma jovem de 19 anos, identificada como Sebastiana Batista Rosa, conhecida como ‘Preta Rara’, foi a responsável por atrair Pedro.

 

Ela simulou um interesse amoroso pelo rapaz por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens. Depois, marcou um encontro presencial com a Pedro Dener e repassou a localização exata de Pedro em tempo real para os executores

 

“A vítima saiu de sua casa, no bairro Buritizal, acreditando que iria se encontrar com a mulher, mas acabou indo em direção à emboscada. A hipótese de latrocínio, que é o roubo seguido de morte, foi descartada de imediato porque os criminosos não levaram a motocicleta da vítima”, explicou o delegado.

 

Ainda segundo as investigações, no local combinado, Pedro Dener foi abordado por Izaías Araújo de Lima, o ‘Cabuloso’. Izaías tentou atirar primeiro, mas a arma falhou. Foi então que outro integrante do grupo, apelidado de ‘Andreyzinho’, assumiu o ataque e efetuou os disparos fatais.

 

A perícia identificou sete ferimentos de arma de fogo no corpo da vítima, sendo cinco nas costas e dois nas nádegas. As posições das perfurações confirmaram à polícia que Pedro foi atacado enquanto tentava fugir ou estava completamente indefeso.

 

Com a conclusão do inquérito policial, o caso foi encaminhado ao Poder Judiciário.

 

No atual cenário jurídico, Sebastiana, a Preta Rara, confessou formalmente a participação no crime durante o interrogatório. O mandado de prisão por homicídio qualificado foi cumprido dentro do Instituto de Administração Penitenciária (Iapen), onde ela já se encontrava detida por tráfico de drogas. Izaías, o Cabuloso, morreu em 17 de junho deste ano durante um confronto armado com a Polícia Militar. Luiz Coutinho, o Mex, Brendo Washington, conhecido como Loiro, e Gelton Figueira, o Gerente, tiveram as prisões decretadas pela Justiça, mas seguem foragidos.

 

A Polícia Civil do Amapá mantém as buscas para localizar os demais integrantes do bando criminoso. A população pode ajudar com denúncias anônimas através do número (96) 99170-4302, o canal oficial de comunicação da DHPP.

 


Deixe seu comentário


Publicidade