Política

Diocese de Macapá divulga Carta sobre Eleições 2026 e destaca compromisso ético e cidadania

Documento, entre outros pontos, cita expectativas com promoção dos povos ribeirinhos, indígenas, quilombolas e das populações mais pobres que vivem nas periferias alagadas


 

A Diocese de Macapá publicou nesta terça-feira, 29, a ‘Carta sobre as Eleições’, dirigida aos fiéis leigos católicos e a todos os homens e mulheres de boa vontade. O documento manifesta preocupação com o cenário político e social do Amapá e propõe uma reflexão ética e cristã sobre a responsabilidade cidadã diante das eleições.

 

Assinada pelo bispo diocesano Dom Antônio de Assis Ribeiro, juntamente com sacerdotes, diáconos e o Conselho de Leigos da Diocese de Macapá, a carta aborda questões como corrupção, agressividade entre candidatos, uso indevido de recursos financeiros nas campanhas, assédio político em ambientes institucionais, interesses pessoais relacionados ao voto e conflitos provocados pelo contexto eleitoral.

 

Responsabilidade cidadã

No documento, a Diocese ressalta que a Igreja Católica não indica candidatos ou partidos, mas apresenta princípios e critérios para a reflexão dos eleitores, respeitando a consciência e a liberdade de cada cidadão. A carta reforça ainda que o voto não deve ser tratado como instrumento de troca ou de divisão.

 

A orientação é para que os eleitores analisem as propostas apresentadas pelos candidatos e não sejam conduzidos por promessas consideradas fáceis ou ilusórias, nem por interesses pessoais, econômicos ou religiosos. O documento também destaca que os candidatos devem estar comprometidos com a promoção do bem comum.

 

Atenção aos vulneráveis

Entre as expectativas apresentadas pela Diocese aos candidatos está o compromisso com a promoção dos povos ribeirinhos, indígenas, quilombolas e das populações mais pobres que vivem nas periferias alagadas. A carta também defende um governo comprometido com o desenvolvimento humano integral e reconhece a necessidade de um plano factível de desenvolvimento socioeconômico para o estado do Amapá.

 

O documento dedica ainda atenção à perspectiva de exploração de petróleo na costa norte do estado. A Diocese destaca a necessidade de investimentos em capacitação profissional e administrativa e defende que os royalties sejam administrados com honestidade para que possam beneficiar a população.

 

Ao mesmo tempo, manifesta preocupação com os possíveis impactos socioambientais da atividade, defendendo monitoramento, atenção às populações indígenas e ribeirinhas e responsabilidade jurídica e social diante de possíveis sinistros.

 

Conhecer candidatos

A carta incentiva os cidadãos a participarem das eleições e reforça que o voto não deve ser “vendido”. O documento chama os eleitores a conhecerem os candidatos, analisarem suas propostas e histórias, terem atenção às promessas enganosas e combaterem as fake news.

 

A Diocese também orienta para o respeito à diversidade de opiniões e afirma que não deve haver manipulação religiosa ou moral na política. O texto conclui com um chamado à união entre fé e cidadania em favor da construção de uma sociedade mais justa, solidária e fraterna.

 


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