Política

Clécio faz balanço da gestão e apresenta planos para futuro mandato em sabatina na Diário FM

Atual governador do Amapá e candidato à reeleição afirmou que saúde e educação continuarão entre as prioridades e abordou economia, segurança, infraestrutura e desafios para um eventual novo mandato


 

Douglas Lima
Editor

 

O Sistema Diário de Comunicação, em cadeia com a TV Marco Zero, realizou no fim da tarde e início da noite desta quinta-feira, 1º, uma sabatina com o governador do Amapá e candidato à reeleição, Clécio Luís (União Brasil). A programação havia sido inicialmente preparada para o tradicional debate entre candidatos ao Governo do Estado, mas foi transformada em entrevista de uma hora após a ausência de Antônio Furlan (PSD).

A disputa pelo Governo do Amapá nas eleições de 2026 conta com cinco candidatos: Clécio Luís; o ex-prefeito de Macapá Antônio Furlan; Delegado Marcos (Democracia Cristã); Jairo Palheta (Partido da Causa Operária) e Carlos Cley (PSTU). Pelas regras estabelecidas para o debate, participariam Clécio e Furlan, em razão dos critérios definidos previamente pela emissora.

 

Com apenas Clécio no estúdio, a transmissão foi conduzida pelo jornalista Luiz Melo, que, em editorial na abertura do programa, ressaltou a importância de candidatos que pedem o voto da população apresentarem respostas sobre propostas, compromissos e os principais problemas enfrentados pelo estado.

Melo destacou questões relacionadas aos desafios sociais e de infraestrutura e defendeu que o eleitor tenha acesso a informações que permitam comparar propostas e posicionamentos.

 

“A pergunta pode incomodar, a resposta pode esclarecer, e o eleitor tem o direito de comparar. O voto entrega poder, a informação ajuda o cidadão a decidir a quem entregá-lo”, afirmou.

Ao comentar a ausência de Furlan, o apresentador criticou a decisão do candidato de não participar do encontro e ressaltou que, mesmo sem o confronto inicialmente previsto, Clécio seria submetido à mesma cobrança por respostas sobre sua gestão e seus compromissos para um eventual novo mandato.

 

Com a mudança de formato, a programação passou a ser uma entrevista de uma hora, reunindo temas de interesse da população amapaense, propostas de governo, balanço da atual administração, desafios do Amapá e assuntos que ganharam destaque nesta reta final da campanha.

Na abertura de sua participação, Clécio afirmou ter comparecido a todos os debates realizados durante a campanha e classificou esses encontros como fundamentais para que o eleitor possa refletir sobre sua escolha. Também fez críticas ao adversário Antônio Furlan e levantou questionamentos relacionados a investigações envolvendo o ex-prefeito.

 

Gestão, economia e contas públicas

Ao ser questionado sobre as finanças da Prefeitura de Macapá, administrada por ele entre 2013 e 2020, Clécio citou entregas realizadas durante seus dois mandatos, entre elas escolas, creches, campos esportivos, unidades de saúde e obras em ramais da capital.

“Quando assumi, o orçamento da Prefeitura de Macapá era de R$ 500 milhões, e quando deixei o cargo era de R$ 1,280 bilhão, sem dívidas correntes do meu período, mais R$ 400 milhões em obras e contratos feitos. Mais R$ 400 milhões da outorga do saneamento básico que entrou depois que saí, líquidos da Prefeitura”, declarou.

 

Ao comparar as experiências à frente da Prefeitura e do Governo do Estado, Clécio destacou a situação orçamentária e financeira da administração estadual e afirmou que os salários estão em dia e que o Estado dispõe de recursos em caixa.

O candidato também voltou a mencionar investigações policiais relacionadas à gestão de seu adversário e disse ter sido alvo de ataques de “milícias digitais”. Ao citar a Operação Palanque Digital, atribuiu a investigações da Polícia Federal a identificação de recursos que, segundo ele, teriam sido utilizados para ataques políticos contra sua imagem.

 

Segurança pública e combate às facções

A expansão das facções criminosas no Amapá e o aliciamento de jovens também estiveram entre os temas da sabatina. Clécio respondeu apresentando um balanço dos investimentos realizados na segurança pública durante sua gestão.

“Fizemos o maior chamamento de concurso público da história de todas as polícias; fizemos também a maior aquisição de equipamentos e viaturas novas”, afirmou.

 

O governador citou ainda indicadores de segurança pública e afirmou que o estado registrou redução em diferentes modalidades de crimes durante seu mandato. Segundo os números apresentados pelo candidato, a taxa de homicídios teria caído 60%, os latrocínios, 77%, as lesões corporais seguidas de morte, 94%, e as mortes por intervenção legal, 58%.

“O crime organizado não vai se criar no Amapá”, declarou.

 

Sobre o aliciamento de crianças e adolescentes por organizações criminosas, Clécio citou iniciativas como o Escola Segura e o Qualifica Amapá. Segundo ele, as ações buscam reduzir a aproximação de jovens com facções e ampliar as oportunidades de qualificação profissional, inclusive para novas cadeias produtivas, como petróleo e gás.

Petróleo, logística e infraestrutura

Durante a participação de representantes da sociedade civil, o presidente do Conselho Regional de Engenharia do Amapá, Amarildo Magalhães, questionou como o estado pretende enfrentar os desafios de logística e infraestrutura diante da perspectiva de desenvolvimento da cadeia econômica de petróleo e gás.

 

Clécio respondeu que o InfraBR foi adotado como instrumento de orientação dos indicadores para melhorias da estrutura viária e afirmou que pretende dar continuidade ao plano de expansão da rede rodoviária estadual.

Segundo o candidato, um dos objetivos é melhorar o escoamento da produção até o Porto de Santana, que classificou como estratégico para a saída de cargas e a integração da Amazônia. Também citou negociações com a concessionária NOA para transformar o Aeroporto de Macapá em um centro de cargas da região amazônica.

IDH e desenvolvimento social

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amapá (OAB/AP), Israel da Graça, levantou a posição do Amapá no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e perguntou quais medidas poderiam fazer o estado avançar nos indicadores nacionais.

 

“Estamos fazendo muito, mas ainda há muito a ser feito. O IDH mede vários itens, acredito na evolução deles”, respondeu Clécio.

O candidato apontou o Qualifica Amapá como uma das iniciativas voltadas à empregabilidade dos jovens e citou investimentos em educação, saúde e saneamento básico. Na saúde, afirmou que oito hospitais estão sendo entregues ou estruturados e que outros três estariam planejados para um eventual próximo mandato.

 

No saneamento, reconheceu que ainda existem metas a serem cumpridas, mas sustentou que houve avanços, citando drenagem, tratamento e destinação de resíduos sólidos e projetos de infraestrutura em áreas alagadas.

Saúde e educação entre as prioridades

Questionado sobre qual área teria prioridade orçamentária em 2027 entre saúde, segurança, educação e infraestrutura, Clécio afirmou que a saúde continuará recebendo atenção prioritária, juntamente com a educação.

 

Segundo o candidato, investimentos nessas áreas também estarão relacionados à geração de empregos. Em infraestrutura e economia, citou políticas de incentivo fiscal e a preparação do Amapá para a indústria de petróleo e gás.

 

Ao falar sobre mudanças estratégicas para um eventual segundo mandato, Clécio apontou a economia como uma das áreas que deverão passar por ajustes para ampliar a participação da iniciativa privada.

 

“Fomos o primeiro governo a sair da economia do contracheque, onde o privado assuma seu papel”, declarou.

 

O candidato também defendeu incentivos fiscais vinculados à produção e à geração de postos de trabalho no estado.

 

Estrutura administrativa será mantida

Outra questão apresentada durante a sabatina tratou do número de secretarias estaduais. Jorge Anaice perguntou se, diante da atual estrutura administrativa, Clécio pretendia reduzir a quantidade de pastas e encaminhar alguma proposta nesse sentido à Assembleia Legislativa do Amapá.

 

O governador respondeu que não pretende reduzir o número de secretarias e classificou a proposta de enxugamento da estrutura como um discurso eleitoral.

 

“As secretarias não atrapalham o estado. São sem impacto negativo. São úteis para termos políticas públicas mais claras”, afirmou.

 

Centro de Convenções e prioridades para 2027

Na rodada de perguntas rápidas, Clécio foi questionado sobre qual seria sua prioridade absoluta para 2027 em caso de reeleição.

 

“Continuar a transformação que já está acontecendo no Amapá para saúde, educação, segurança, empregos e economia”, respondeu.

 

Ao apontar uma obra que considera necessária para o estado, citou o Centro de Convenções. Segundo o governador, o empreendimento já dispõe de recursos e projeto e deverá ser construído na Rodovia do Centenário, com previsão de início das obras no primeiro semestre de 2027.

 

Questionado se se arrepende de alguma declaração feita durante a campanha, Clécio respondeu que não. Disse ter sido firme em suas manifestações e voltou a fazer acusações contra adversários, relacionando o debate eleitoral a investigações sobre uso de recursos públicos e supostas ligações com integrantes de facções criminosas.

 

Pesquisas, críticas e decisões impopulares

Sobre o peso das pesquisas eleitorais na definição da disputa, Clécio afirmou que levantamentos de intenção de voto não determinam resultados e relembrou campanhas anteriores em que disputou os cargos de vereador, prefeito e governador.

 

Ao ser perguntado sobre qual crítica à sua atuação como governador considera justa, admitiu que existem cobranças legítimas sobre sua administração.

 

“Muitas. Sou ser humano e gosto de ouvir críticas verdadeiras e sinceras, de um povo sofrido”, afirmou.

 

O candidato, entretanto, voltou a criticar o que classificou como ataques políticos sofridos nos últimos anos e afirmou que não aceita o uso de recursos públicos para esse tipo de ação.

 

Clécio também foi questionado sobre qual resposta gostaria de ter recebido de Furlan durante o debate realizado pela Rede Amazônica. Disse que esperava ouvir mais propostas e menos ataques pessoais.

 

“Gostaria que ele falasse da proposta e não só ficasse de ataques com apelidos e frases feitas, como me chamar de funcionário de Davi ou grupo do atraso. Será que é atraso construir seis hospitais e ter oito obras hospitalares em curso?”, questionou.

 

Ao responder se estaria disposto a tomar decisões impopulares em um eventual segundo mandato, Clécio afirmou que o exercício de um cargo público exige medidas que nem sempre produzem retorno eleitoral.

 

“Quando aceitei um cargo público, sabia que não poderia tomar somente decisões que me dariam voto”, declarou.

 

No encerramento, o candidato voltou a comparar sua trajetória administrativa e afirmou ter alcançado altos índices de cumprimento de compromissos assumidos em campanhas anteriores. Segundo Clécio, sua gestão como prefeito cumpriu 86% dos compromissos assumidos, enquanto seu atual governo teria alcançado 91% das promessas antes mesmo do encerramento do mandato.

 

A sabatina encerrou a programação que inicialmente seria destinada ao confronto entre os dois candidatos habilitados pelas regras do debate da Diário FM e marcou uma das últimas oportunidades da campanha para a apresentação de propostas e prestação de contas antes da votação.

 

 


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