Ações governamentais no interior

Se na capital o estado sanitário era deprimente, no interior a realidade revelava um abandono absoluto, notadamente na área compreendida entre o arquipélago do Bailique e a margem direita do rio Oiapoque.

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Ao iniciar sua gestão como governador do território federal do Amapá, a 25 de janeiro de 1944, o capitão Janary Gentil Nunes precisou contar com o apoio de uma valorosa equipe para poder mudar o cenário decadente que a região correspondente à nova unidade federada apresentava. Se na capital o estado sanitário era deprimente, no interior a realidade revelava um abandono absoluto, notadamente na área compreendida entre o arquipélago do Bailique e a margem direita do rio Oiapoque.

A cidade de Amapá e o povoado e Oiapoque, por exemplo, só podiam ser alcançada por via marítima, aérea e fluvial. Mesmo assim. Antes de meados do ano de 1945, o governo recorreu aos préstimos de proprietários de embarcações para visitar pontos afastados da sede administrativa. Uma vez por semana, aos sábados um avião do Correio Aéreo Nacional-CAN, vindo do Rio de Janeiro, pousava em Macapá, Base Aérea de Amapá e Oiapoque, estendendo seu vôo até Caiena. Nestas ocasiões cargas importantes e trabalhadores eram transportados.

A estrada de rodagem Macapá/Clevelandia sequer passava do quilômetro 25, entrada pata a região do rio Pedreira. Nos dias que antecederam o final do mês de junho de 1945, quando o governo já havia criado o Serviço de Transportes Marítimos e contava com alguns iates, entre eles o Itaguary, Janary Nunes convocou alguns membros de sua equipe para empreender uma importante viagem à região norte do Território do Amapá. A visita seria de inspeção aos serviços públicos e levantamento das necessidades vitais dos interioranos. Todas as providências foram tomadas com a antecedência necessária. A bordo do iate Itaguary foram colocadas carteiras escolares, material didático, medicamentos, gêneros alimentícios, aparelhagem cinematográfica, redes, mosquiteiros, combustíveis. Além da tripulação, comandada pelo mestre Idalino Oliveira, encontravam-se embarcados enfermeiros, professoras e alguns operários.

O Iate Itaguary antecedeu a viagem da comitiva governamental e foi aguardá-la em Oiapoque. No dia 30 de junho, uma quinta-feira, a comitiva governamental embarcou em um aparelho do Correio Aéreo Nacional com destino à fronteira norte do Brasil. Acompanharam o governador: o capitão Humberto Pinheiro de Vasconcelos Diretor da Divisão de Segurança e Guarda e comandante da Guarda Territorial; o engenheiro Hildegardo Nunes, Diretor da Divisão de Viação e Obras Públicas; o agrônomo Arthur de Miranda Bastos, diretor da Divisão de Produção e Pesquisa e o médico Célio Melo,representando a Divisão de Saúde. Ao chegarem ao Oiapoque, os excursionistas embarcaram no iate Itaguary, onde ficaram instalados. Na manhã do dia 1º de julho foi empossado o primeiro prefeito do município de Oiapoque, senhor Amadeu Burlamaque Simões. Em seguida, a embarcação seguiu para Clevelândia do Norte, aldeia dos índios Galibis, no rio Uaçá, propriedades da senhora Quity Guarany, do casal Jacynto Santos, casal Amaral, senhor Antônio Abreu e Ponta dos Índios. No Uaçá foi conhecido o trabalho que o Serviço de Proteção aos Índios vinha realizando. Os silvícolas receberam a assistência de que precisavam para produzir e vender seus produtos agrícolas. Seus filhos dispunham de um internato que, instalado a pouco tempo, prometia ser eficiente.

O Serviço de Proteção aos Índios estava sob o controle do inspetor Eurico Fernandes. Dia 4 de julho os excursionistas atracaram na cidade de Oiapoque, pela madrugada. Durante o dia o governador atendeu dirigentes locais e comunitários. À noite, a comitiva jantou na residência do casal Becil e participou de um baile na sede do Oiapoque Clube. Na tarde do dia 6 de julho, o Itaguary deixou Oiapoque, entrou nos rios Cassiporé e Jenipapo indo até Vila Velha. Concluído os trabalhos, o belo iate voltou a costear o litoral e, dia 8 atracava na propriedade do senhor Raul Nascimento, no Cunani. Dia 9 seguiu para a Vila de Calçoene e dia 10 atracava no trapiche da cidade de Amapá, ali permanecendo até dia 12. O governador Janary Nunes e seus diretores deslocaram-se até a Base Aérea, retornando a Macapá em avião dos Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul.


 
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