General Maximiniano Gurjão

A bordo da escuna “Bella Maria”tomou parte no bloqueio e bombardeio da Pedreira, forçando Eduardo Angelim q desencadear a evacuação de Belém.

Compartilhe:

Hilário Maximiniano Antunes Gurjão, emérito militar brasileiro, filho do Major Hilário Pedro Gurjão e de Dorothéa de Andrade Gurjão, nasceu em Belém, sede da Província do Pará, no dia 21/2 /1820. Seu avô paterno foi o Capitão General português Francisco Pedro Gorjão, 18º Governador do Estado do Grão-Pará, no período de 1747 a 1751. A tendência de Hilário ser militar se concretizou no dia 13/5/1836, quando ele se alistou no Exército, ocasião em que o movimento intitulado Cabanagem estava em andamento no Pará.

A bordo da escuna “Bella Maria”tomou parte no bloqueio e bombardeio da Pedreira, forçando Eduardo Angelim q desencadear a evacuação de Belém. Ainda no decorrer de 1836 comandou as tropas enviadas ao Acará, onde os cabanos estavam instalados, tendo a missão precípua de prender Eduardo Angelim. No dia 3 de janeiro recebeu a designação para comandar a guarnição estabelecida na Fortaleza de São José, na então Vila de São José de Macapá. Em 1837, Hilário Gurjão havia alcançado o posto de cadete passando à patente de 2º tenente em 1838. Ainda exercia suas funções na Fortaleza de Macapá, quando saiu sua promoção a 1º tenente, no dia 2 de dezembro. Ao retornar a Belém, no ano posterior, matriculou-se na Escola de Artilharia. Permaneceu na capital paraense até 1845, ostentando a patente de capitão, que foi outorgada em 1841. Com o apoio de seus superiores e do Presidente da Província do Pará, José Thomaz Henrique, seguiu para o Rio de Janeiro, ingressando na Escola Militar. Deixou-a no dia 2/8/ 1851, como Bacharel em Matemática e classificado na Arma de Artilharia. De volta a Belém passou a servir no terceiro Batalhão do Exército.

A criação do Comando das Armas da Província do Amazonas, o major Hilário Gurjão foi incumbido dirigir as obras de fortificação daquela região, tarefa executada com aprumo. Transferido para Belém, continuou a desempenhar suas atividades normais e também lecionou Geografia e História no Colégio Paraense. Em 1857, como tenente-coronel, acompanhou o Presidente da Província do Pará, Antonio Coelho de Sá e Albuquerque, em uma viagem de inspeção as fortalezas de Macapá (São José), Gurupá (Santo Antônio) e Òbidos (Pauxis).

No ano supracitado foi para o Rio de Janeiro, ficando aquartelado no terceiro Batalhão de Artilharia. Em 1863, Gurjão assumiu o comando da Fortaleza de Santa Cruz, com a missão de reformá-la amplamente. Ele estava no comando do Primeiro Batalhão de Infantaria quando, em 1865, teve inicio a Guerra do Paraguay. No posto de coronel, partiu para o campo de luta, comandando a 17º Brigada. Em janeiro de 1866 passou para o comando da 3ª Brigada de Infantaria. Participou dos combates do Passo da Pátria, de Estero Belaco. Dirigia as forças do Exército Brasileiro estacionadas em Corrientes (Argentina), quando o Duque de Caxias designou-o para comandar a artilharia do 2º Corpo do Exército, com a responsabilidade da artilharia de vanguarda da coluna atacante na batalha de Tuiuti. A mais sangrenta das batalhas da Guerra do Paraguai começou às 11 horas do dia 24 de maio de 1869 e terminou às 17 horas. A refega se deu nos pântanos e matas do lago de Tuiuti. Os paraguaios tinham 20 mil soldados e contaram mais de seis mil mortos. Entre as tropas da Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) as baixas foram em menor número.

Os brasileiros lutaram denodadamente em terreno adverso e perderam 3.011 homens. Num ímpeto de bravura, querendo estimular seus comandados, o general Gurjão, então subcomandante das tropas do Brasil, galopou no sentido dos inimigos, conseguindo chegar bem perto deles, mas, gravemente ferido foi ao chão. Com a chegada do grosso da tropa comandado pelo Duque de Caxias a vitória foi assegurada. O general Gurjão foi resgatado e transferido para o Hospital de Sangue da cidade de Humaitá e ali faleceu no dia 17/1/1869. Belém e Macapá lhe prestaram justas homenagens. Nas duas cidades há uma rua com seu nome. No centro da Praça D. Pedro II, em Belém, existe um belo monumento perpetuando sua memória. Anos depois da guerra, seus restos mortais foram transferidos para o Cemitério da Soledade, na capital do Pará.


 
Compartilhe: