O verde território da esperança

A palavra vem de esperar, ansiar, almejar. Esperar que a nossa terra seja respeitada,seu povo valorizado, a riqueza que produzimos retorne à população em forma de educação, saúde, segurança e emprego.

Compartilhe:

Nasci no ano de 1944, quando a implementação do Território Federal do Amapá ocorria de forma acelerada. A área que passou a integrar a nova unidade criada em 13/9/1943 era relegada pelo Estado do Pará e já havia sido desejada por aventureiros, principalmente pelos franceses. A falta de infra-estrutura social e econômica era patente. A cidade de Macapá, sede do antigo município de igual denominação, jurisdicionado ao Pará, não possuía água encanada, energia elétrica, hospital e empreendimentos geradores de empregos. Em pouco tempo, o panorama mudou radicalmente. Subordinado ao Ministério da Justiça e Negócios Interiores, o Amapá tinha que andar na linha. O governador Janary Gentil Nunes, paraense natural de Alenquer tinha perfeita consciência de que sua missão atendia exigência da segurança nacional. Desenvolveu seu trabalho enfrentando mudanças radicais no alto escalão da Nação tendo como principal galardão sua eficiência e probidade. O povo recebeu com simpatia a filosofia por ele implantada, evidenciando o otimismo em relação ao futuro e a crença de que tudo precisava mudar. Nas escolas públicas, os estudantes aprenderam a dar valor ao civismo. Sem o amor de seus filhos, o Amapá não progrediria. Usava-se com freqüência a expressão: “Amapá, o Verde Território da Esperança”. O Amapá era e ainda é verde, mas a esperança está passando ao largo, como um navio pilotado por aventureiros, sem rumo certo.

Apesar de haver portos bastante seguros, onde a embarcação possa atracar, os comandantes buscam um destino sem fundamentos morais e éticos. O melhor atracadouro é a esperança, que precisa ser entendida como condição de progresso. A palavra vem de esperar, ansiar, almejar. Esperar que a nossa terra seja respeitada,seu povo valorizado, a riqueza que produzimos retorne à população em forma de educação, saúde, segurança e emprego. Os eleitores amapaenses precisam rejeitar os oportunistas, que se prevalecem de cargos eletivos para surrupiar o dinheiro público. No decorrer das campanhas eles agem como autênticos “santos do pau oco”. Depois de eleitos revelam um cinismo revoltante, mostrando que não cultuam o civismo e são capazes de praticar atos abomináveis. O verde, da frase que titula este artigo teve inicialmente o sentido de novo. O verde das nossas matas e campos vem sendo preservado a custa de muito esforço dos cidadãos residentes no meio rural e por força das leis de proteção ambiental. É tão importante, que passou a nominar um projeto concebido pelo Senador José Sarney propondo a criação da Zona Franca Verde no Amapá.

Dia 18/12/2015, a Presidente Dilma Rousseff sancionou a nova lei, renovando as esperanças dos amapaenses. Considerada um corredor econômico, que viabiliza a instalação de indústrias para a fabricação de produtos com matéria prima de origem animal, vegetal e mineral, a ZFV oferece atrativos às indústrias que desejarem se instalar no Amapá. Em épocas mais recuadas, em Calçoene, tivemos uma fábrica rudimentar, que extraia essência de pau-rosa, vendendo-a a japoneses, europeus e norte-americanos. Desde o meu tempo de guri, ouço dizer que os campos do Amapá não prestam para a agricultura. A terra é improdutiva e ácida. Como não presta? A Companhia Progresso do Amapá-COPRAM, empresa que integrava o grupo do empresário Augusto Antunes usou uma vasta faixa de serrado para plantar cana-de-açúcar e o resultado foi excepcional. A empresa pretendia implantar uma fábrica de açúcar para produzir 100 mil sacos do produto ao mês. Infelizmente, manobras dos grandes usineiros do Nordeste impediram a concessão da licença federal.

A COPRAM ateou fogo na plantação e a liberou para quem quisesse retirar canas da área. Experimentos com soja registram bom nível de produtividade, até mesmo nos campos do Curralinho, bem perto de Macapá. Ora, se os campos de Rondônia e os lavrados de Roraima estão sendo utilizados para o desenvolvimento de grandes empreendimentos agrícolas, por que, nos campos do Amapá o mesmo não pode acontecer? No primeiro semestre de 2016, o governo federal deverá regularizar as terras do Amapá e isso ajudará a mudar esta triste realidade.


 
Compartilhe: