Promessas a granel

Para agradar os eleitores, vários candidatos evidenciam apelidos bem bizarros e até abreviados, porque a escrita ou a pronuncia literal não soam bem. Sujeito de baixa estatura, que tem a bunda baixa, conhecido por parentes e amigos como “cu-de-râ”, propala que seu nome de guerra é “De rã”.

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Os promesseiros políticos estão de volta. Eles correspondem aos periquitos que só pousam nas mangueiras quando elas estão frutíferas. Chegam com uma fome feroz e não dispensam bem as manguinhas verdes. As palavras chaves são as mesmas de sempre: novas escolas, postos médicos, atendimento dentário, assistência hospitalar esmerada, novos coletivos, geração de empregos, asfaltamento de ruas, avenidas, becos e pontes, bibliotecas com moderníssimo acerto, segurança pública eficiente, limpeza total das cidades, aberturas de novas estradas e revestimento asfáltico das existentes, etc. Segundo informes de domínio público, são mais de 400 candidatos concorrendo aos cargos de prefeito e vereadores. Alguns deles já alcançaram o píncaro da glória, mas agora estão em queda livre e prestes a sentirem o “cheiro da perpetua”. Mesmo assim não perdem a pose. Falam com a voz mansa como se fossem “anjos de candura”, mas só parecem. Dizem, que o diabo quando não vem manda o secretário ou alguém que o represente neste vale de lágrimas.

Para agradar os eleitores, vários candidatos evidenciam apelidos bem bizarros e até abreviados, porque a escrita ou a pronuncia literal não soam bem. Sujeito de baixa estatura, que tem a bunda baixa, conhecido por parentes e amigos como “cu-de-râ”, propala que seu nome de guerra é “De rã”. Outro, cujo “cegonho” não levanta mais o pescoço é “P. Mole”. Em Rondônia apareceu agora um tal de “Sobre Cú.” É famosa a história de um individuo que ficou rotulado como “calça nova”. Sendo conhecidíssimo no serviço público por exigir e receber propina caiu na besteira de enaltecer sua duvidosa honestidade por ocasião de um comício. Batendo nos bolsos laterais da calça gritou: “nestes bolsos nunca entraram dinheiro público”. Um eleitor, que conhecia muito bem a vida pregressa do bafento, retrucou: “calça nova, né Gabiru”? O candidato prometedor de instalar bibliotecas municipais bem modernas não é um marinheiro de primeira viagem. No presente momento tem o domínio do órgão estadual responsável pelo desenvolvimento da política cultural da nossa combalida “Capitania do Cabo Norte”. A Biblioteca Elcy Rodrigues Lacerda passa por um dos seus piores momentos e há muito tempo não recebe a atenção que merece.

O atual prefeito de Macapá, que concorre à reeleição, também prometeu muita coisa na campanha passada. Ocorre que pretensão é um coisa e a realidade outra. A política bem praticada é importante e salutar. Porém, querer praticá-la usando de práticas aéticas e imorais penaliza os munícipes e só apresenta vantagens para os que agem em conluio ou “cumandita”. Por isso, a “política” é tida como a arte de enganar os trouxas. E é mesmo. Vez por outra, velhacos políticos tiram do fundo da cartola alguém que o eleitor nem conhece.

O sujeito é orientado a agir com cidadão exemplar e merecedor de toda a confiança possível. Este tipo de gente é rotulada como “jabuti”, que num passo de mágica sai do chão para o galho de uma árvores. Ora, jabuti não sobre em árvore, dirão alguns eleitores. Isso mesmo, mas vocês, estimulados por políticos velhacos o colocam em plano elevado. A desgraça é que, uma vez estabelecido no galho, o jabuti não quer descer de jeito algum.

A queda só acontece quando a árvore é derrubada. Para evitar o desmatamento é recomendável manter o jabuti no solo. Quem não dispõe de recursos fartos financeiros e não conseguir fechar acordo consistente com financiadores de campanhas não deve de atrever a concorrer a um cargo eletivo. Nem sempre o eleitor está disposto a fazer uso do voto de protesto, que é optar por um candidato tido sem expressão, cuja vitória despertará revoltas e rancores nos candidatos melhor qualificados. Coisas deste tipo já ocorreram no Brasil.Em São Paulo os eleitores votaram no rinoceronte “Cacareco”,que era do Zoológico do Rio de Janeiro e tinha cedido para o congênere paulista por um certo período de tempo.Os eleitores gozadores alegaram, que sendo vereador na paulicéia o “Cacareco” teria que exercer seu mandato na terra da garoa.Em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco, foi eleito o “Bode Cheiroso”, caprino que chegou a vestir paletó e ser levado à Câmara Municipal no dia da posse.


 
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