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Pe. Claudio Pighin

Processo equilibrado na comunicação


Precisamos se tornar pessoas humanas com toda a nossa identidade: pessoas verdadeiras, não vazias e nem manipuladas. A humanidade que existe em cada um de nós é irrepetivelmente única e precisa realizá-la em toda a sua plenitude e originalidade. Ora, o ser humano, que deve realizar essa operação central na própria vida, é chamado a nunca esquecer que o passado se une com o presente e caminha em direção ao futuro.

Isto vale na vida pessoal e na história da humanidade, porque a nossa existência não é um episódio simples, mas um evento comunitário. O ser humano, quando é autêntico, é pessoa, isto é, sujeito que vive junto aos seus semelhantes e com os seus semelhantes faz crescer a própria medida humana, a qualidade da sua fraternidade na convivência social. De que maneira ele cumpre essa extraordinária transmissão de vida? Comunicando, porque comunicando produz conhecimento, pesquisa, crescimento em todos os níveis.

Ora, as pistas da comunicação que ligam passado, presente e futuro em poder do ser humano são comunicação falada, comunicação impressa, comunicação escrita, comunicação audiovisual, comunicação telemática, comunicação cibernética. Seguindo estas pistas, realiza-se a nossa história e a história da humanidade. Seguindo estas atividades comunicacionais, produz-se não somente diálogo, mas cultura e sabedoria; trabalha-se pela construção de uma humanidade digna deste nome, porque o ser humano dá força e consegue se transformar em um ser humano do direito e do amor.

Tirar esta possibilidade de comunicar entre passado, presente e futuro quer dizer tirar do ser humano a possibilidade de ser ele mesmo e de construir aquele seu destino futuro que é a contribuição fundamental da história que estamos vendo e observando. Este atentado a formação humana tem como ponto de partida o terrível capítulo de tirar a memória do ser humano e, portanto, de eliminar o grande esforço do progresso. Em primeiro lugar, é eliminada a sua cultura e, neste caso, o livro é o símbolo mais representativo desta eliminação.

Assim sendo, podemos ir ao encontro de um grande risco perigoso e imbecil de uma televisão (também das redes sociais) ladra do tempo, o nosso precioso tempo livre, e mentirosa, subserviente somente às regras da curiosidade mais sentimental e não a lógica da verdade. Como consequência, parece reconhecer o primado aos espetáculos carnavalescos, aos mitos mais banais, as loterias bilionárias, ao sexo desenfreado, a dessacralização dos valores desde os religiosos aos civis. Isto acontece ao ser humano quando ele tem totalmente reconhecido como elemento determinante a emotividade. No entanto, nunca como hoje, torna-se urgente ligar a emotividade à razão para obter um processo equilibrado deste mundo digital.