Viva o Círio!

Segundo os “Padres da Igreja”, depois de Jesus, é Maria a pessoa mais importante. Jesus revela o Pai, mas quem ajuda a chegar a Jesus é Maria. Ela é uma pessoa como nós, mas foi preservada do pecado por Deus. Essa grandeza pode explicar a devoção popular a Maria.

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Maria, “estrela da evangelização”, ajuda-nos a discernir o verdadeiro poder dos filhos e filhas de Deus que não podem confundi-lo com o dos ‘homens’, porque o poder de Deus é misericórdia, é amor infinito. O Círio 2017 quer testemunhar como a Virgem Nazaré é a verdadeira e grande servidora desse poder de Deus. Essa grande manifestação religiosa paraense testemunha a perfeita sintonia com a Virgem de Nazaré.
E por essa proximidade do povo paraense com Maria leva a contagiar todo o povo amazônico. É uma festividade que congrega e une as pessoas. É uma maneira de expressar sua religiosidade, rica em emoções e gestos heroicos de solidariedade. Nessa prodigiosa manifestação, o paraense se sente povo de Deus que busca adesão ao seu Senhor, e se percebe livre para transbordar tudo aquilo que tem na vida e no seu coração. Mesmo que alguns devotos expressem sua fé de modo estranho ao catolicismo tradicional, essa vontade de se abrir a Deus é considerada rica de valores para serem exploradas. Por meio da devoção à Virgem de Nazaré, vejo nas pessoas uma grande sede de Deus. De fato, cada povo manifesta esse desejo do seu modo e de acordo com sua maneira de ser. Assim sendo, não podemos tentar catalogar a festa religiosa como sendo de classe ‘A’ ou classe ‘B’. Antes, contém, com frequência, um profundo sentido de Deus e dos seus atributos como a paternidade, a providência, a presença amorosa e a misericórdia. O Círio é de todos, também daqueles que, às vezes, nem frequentam a Igreja ou de outras denominações que não pertencem à Igreja Católica Apostólica Romana.

Segundo os “Padres da Igreja”, depois de Jesus, é Maria a pessoa mais importante. Jesus revela o Pai, mas quem ajuda a chegar a Jesus é Maria. Ela é uma pessoa como nós, mas foi preservada do pecado por Deus. Essa grandeza pode explicar a devoção popular a Maria.

E a devoção e o amor à Maria é um incentivo constante do culto divino para fazermos a experiência da nossa condição de filhos e filhas de Deus. Círio é fazer uma experiência de fé. Essa religiosidade tão rica, mas ao mesmo tempo vulnerável, acolhe com grande sensibilidade os valores inegáveis que ajudam a fazer um verdadeiro encontro com Deus, em Jesus Cristo. Círio, isto é, Nossa Senhora de Nazaré, é uma imensa oportunidade de realizar tudo isso. O ser humano precisa de mediações e, sobretudo, daquelas que lhes são mais concernentes com a sua realidade. Maria de Nazaré foi como uma de nós. Por seu exemplo, os devotos recebem incentivos para imita-la em como ser bons cristãos. É verdade também que há pessoas, nessas circunstâncias, qual do Círio, que podem se deixar levar ao perigo das superstições, a se limitar a uma manifestação cultural e nada mais, e a outras deformações. Mas é também verdade que o Círio pode ajudar a uma verdadeira evangelização através do desejo ardente de Deus, capacidade de incentivar a fraternidade com gestos abnegados e alimentar processos de despojamento e abertura aos outros.

Portanto, essa manifestação de fé no Círio de Nazaré não exclui nem sequer ofusca a mediação universal e insubstituível de Cristo, o qual permanece sempre o caminho por excelência para o encontro com Deus, como ensina o Concílio Vaticano II. Celebrar mais um Círio é uma extraordinária oportunidade de resgatar e estimular a nossa condição de filhos e filhas de Deus. Com Maria, “Estrela da Evangelização”, temos mais sensibilidade para abrir-nos ao Deus de Jesus Cristo. Assim sendo, a devoção mariana nos alimenta a sermos uma Igreja cada vez mais viva e corajosa. “Hão de chamar-me bem-aventurada todas as gerações (Lc 1, 48)”, disse Maria, no seu cântico profético. “Bendita sois entre as mulheres, e bendito o fruto do vosso ventre, Jesus”, lhes respondem os cristãos paraenses e do mundo todo.

Concluindo, o papa Francisco nos diz: “A alegria plena se exprime com a voz de Maria na estupenda oração do Magnificat: É o canto de louvor a Deus que opera grandes coisas por meio das pessoas humildes, desconhecidas para o mundo, como é a própria Maria, como é o seu esposo José, e como é também o local onde vivem, Nazaré. As grandes coisas que Deus fez com as pessoas humildes! As grandes coisas que o Senhor faz no mundo com os humildes, porque a humildade é como um vazio, que deixa espaço para Deus. O humilde é poderoso, não porque é forte. E esta é a grandeza do humilde, da humildade”. E acrescentou o Santo Padre: “Gostaria então de perguntar a cada um de vós e também a mim mesmo: Como está a minha humildade?”
Feliz Círio!


 
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