Por que é injusto medir Guardiola – e apenas ele – com a régua da Liga dos Campeões

“Fui julgado no Bayern e assim serei aqui. O meu período lá não foi bom para a maioria porque não chegamos a uma final de Champions. Fomos até a semi e acabamos julgados. Então eu sou um cara sortudo. Os meus padrões são altos e eu tenho que alcançá-los sempre (…). Tenho que aceitar. Nós […]

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“Fui julgado no Bayern e assim serei aqui. O meu período lá não foi bom para a maioria porque não chegamos a uma final de Champions. Fomos até a semi e acabamos julgados. Então eu sou um cara sortudo. Os meus padrões são altos e eu tenho que alcançá-los sempre (…). Tenho que aceitar. Nós ganhamos muito no passado e é por isso que as pessoas acreditam que isso é normal. Mas não é”.

Em março deste ano, ainda antes da dolorosa eliminação para o Tottenham, Pep Guardiola tentou desenhar com algumas palavras e doses de ironia ao responder as exigências de ter novamente a Liga dos Campeões em seu currículo. O técnico catalão é cobrado na medida em que o seu sucesso carrega fãs incondicionais – e com eles os inseparáveis haters. Como muita coisa na vida, ele também é uma dicotomia.

No sábado, o seu Manchester City atingiu um feito sem precedentes na história do futebol masculino inglês ao consumar a Tríplice Coroa nacional (Copa da Liga, Campeonato Inglês e Copa da Inglaterra) – com a Supercopa ainda de lambuja. O último troféu veio após inapeláveis 6 a 0 sobre o Watford, noutra atuação soberba na temporada.

Mas vá dizer que você não ouviu ou leu por aí qualquer relação entre fracasso e ausência da Liga dos Campeões? Se Pep não a ganhar já sabemos o que vai acontecer: sua passagem no City não terá o carimbo de sucesso para muitos dos críticos.

Pois minha função aqui é tentar convencê-lo a mudar de ideia. Sinta-se livre para discordar ao fim deste artigo 😉.

Desde 1956, 43 treinadores diferentes já venceram a Champions (contabilizando a antiga Copa da Europa). O 44º virá daqui a alguns dias – será o alemão Jürgen Klopp ou o argentino Mauricio Pochettino. Apenas três a ganharam três vezes: o inglês Bob Paisley, pelo Liverpool, o italiano Carlo Ancelotti, pelo Milan e Real Madrid, e, mais recentemente, o francês Zinedine Zidane, pelo Real Madrid.

Guardiola está ao lado de outros 16 treinadores com duas conquistas (2009 e 2011) – e estamos falando aqui de nomes com invejável contribuição ao futebol como Béla Guttmann, Helenio Herrera, Brian Clough, Arrigo Sacchi, Vicente del Bosque, Alex Ferguson, José Mourinho, Jupp Heynckes…
Então, por que apenas Pep é medido com a régua da Liga dos Campeões? Se vencê-la fosse mera formalidade, por que ninguém o fez por mais de três vezes?


 
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