A CPI da Pandemia e seu relatório: Face, verdade, dor dos sobreviventes e o que virá…

O referido documento, solicitando 80 indiciamentos, já foi entregue a Procuradoria Geral da República, Tribunal de Contas da União e Supremo Tribunal Federal-STF para as urgentes providências legais que cada aberração e cada caso absurdo requer.

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A CPI da Pandemia encerrou seus trabalhos de investigação, apuração, relatos e provas nesta terça-feira, 26 de outubro de 2021, compondo um robusto documento com 1. 299 mil páginas intitulado Relatório Final da CPI da Pandemia. O referido documento, solicitando 80 indiciamentos, já foi entregue a Procuradoria Geral da República, Tribunal de Contas da União e Supremo Tribunal Federal-STF para as urgentes providências legais que cada aberração e cada caso absurdo requer.

 

Os comoventes e marcantes depoimentos de sobreviventes da covid-19, relatados na histórica sessão da CPI da Pandemia do dia 18 de outubro de 2021, certamente causou, em todos nós, um grande nó na garganta e um forte aperto no coração. São relatos de dor, desespero e abandono, vítimas de um estado que absurdamente insiste em ser negacionista, contrário a ciência e aos necessários cuidados preventivos do uso de máscara, isolamento e distanciamento social.

 

O líder da ONG carioca, Rio da Paz, Antônio Carlos Costa, assim se manifestou, para que jamais esqueçamos o absurdo que estamos vivendo: “Temos subido e descido morro levando cesta básica. Tivemos que ir às ruas para pedir para aquele que ocupa o mais alto posto que trate a população com respeito e dignidade. O que vimos foi a antítese de tudo que se esperava de um presidente. Não soubemos de favela que tenha visitado ou hospital que tenha se dirigido aos profissionais de saúde. Em dias de fome, doença, morte e luto, em vez de cuidar do povo que o elegeu, se dedicou a defender seu mandato. Faço questão de ressaltar sua impressionante falta de empatia para que nunca mais sejamos governados dessa maneira por quem quer que seja”.

 

Os casos são tão graves, de tudo o que foi minuciosamente apurado na CPI da Pandemia, que já não cabe qualquer argumentação de cunho ideológico, vitimização, calúnia, injúria e muito menos difamação.

 

E realmente, convenhamos, existe um grande abismo de diferença entre liberdade de expressão e absurdas e loucas expressões de indução ao crime, ao genocídio coletivo. Portanto, explorar e abusar a falta de conhecimento ou fé das pessoas com a tal imunidade de rebanho, descaradamente agindo como se seres humanos fossem ratos em experiência laboratorial, inegavelmente, é considerado CRIME GRAVE em qualquer parte do mundo.

 

O depoente Marco Antônio assim desabafou na plenária da CPI da Pandemia:

 

“Daria a minha vida para meu filho ter chance de ser vacinado. Quero entender porque lutar contra máscara e vacina. Eu daria tudo para meu filho ter essa chance. Naquele dia, na Praia de Copacabana, parecia que meu filho era culpado por ter morrido de covid. Começaram a agredir me chamando de comunista. Ele não é um número! Estou aqui porque tive oportunidade de tomar vacina”!

 

Marco Antônio, no dia em que foi agredido na Praia de Copacabana, simplesmente estava recolocando de volta as cruzes enterradas na areia que simbolizavam as vítimas da covid, infelizmente derrubadas por fanáticos radicais.

 

Diversos são os crimes tipificados pela CPI da Pandemia a várias autoridades públicas, do presidente a ministros de estado, secretários, assim como assessores, colaboradores diretos ou indiretos, empresários e fornecedores. Incitações ao crime, charlatanismo, crimes contra a humanidade, perigo para a vida ou saúde de outrem, epidemia com resultado de morte, infração de medida sanitária preventiva, omissão de notificação de doença, falsificação de documento particular, falsidade ideológica, uso de documento falso, emprego irregular de verbas ou rendas públicas, corrupção passiva, prevaricação, usurpação de função pública, corrupção ativa, advocacia administrativa, fraude em licitação ou contrato, fraude processual, são as citações apensadas no relatório pelo renomado jurista, o Prof. Dr. Miguel Reale Jr.


 
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