Artigos

A emoção de Velho Chico

A história começa no fim da década dosanos 1960, na cidade fictícia de Grotas do São Francisco, Nordeste brasileiro. Cada geração com seus costumes e tradições e suas rixas familiares desfilam capítulo a capítulo.

Compartilhe:

Wellington Silva – Jornalista e historiador
Articulista

Vem aí a nova programação que invadirá o seu lar e será simultaneamente estendida a todos os canais de televisão: o horário eleitoral gratuito. Bom, nestes tempos de crise moral política, impeachment, desconfiança popular, etc. e tal, nada melhor do que distrair a cuca e se ligar na boa novela do plim-plim. Falo da novela Velho Chico. Há tempos não curto novela, mas desde o primeiro capítulo que tô ligado nela. Velho Chico vem se mostrando pura emoção, com um elenco de primeira. A novela tem nomes fortes, conhecidos talentos e grandes revelações.

A história começa no fim da década dosanos 1960, na cidade fictícia de Grotas do São Francisco, Nordeste brasileiro. Cada geração com seus costumes e tradições e suas rixas familiares desfilam capítulo a capítulo. E logo nos primeiros, Tarcísio Meira, show em cena, encarna um típico coronel nordestino, o coronel Jacinto, o manda chuva de Grotas, um lugar que parece que parou no tempo. O personagem Belmiro dos Anjos, um retirante sertanejo fugido da seca, encarnado pelo veterano e excelente ator Chico Diaz, emociona o Brasil ao ter contato pela primeira vez com as águas de um rio, justamente as águas do majestoso rio São Francisco, ao lado da esposa Piedade, personagem interpretada por Cyria Coentro.

A novela mostra a realidade histórica de um povo humilde, sofrido, valente, trabalhador, aguerrido e decente, a família Dos Anjos. Velho Chico é um mosaico social de contrastes extremos. De um lado as oligarquias, a tradição imperialista e coronelista passada de pai para filho. De outro, pessoas simples e mal acostumadas no cabresto destas castas. No contraponto surge a resistência para acordar o povo: capitão Ernesto Rosa, interpretado por Rodrigo Lombardi, e seu fiel escudeiro, Belmiro dos Anjos. A resistência dura pouco. Capitão Ernesto Rosa acaba vítima de um atentado em pleno cais ao embarcar uma boa produção.

Mas, nem só de sede de poder, ódio, maquinações diversas e vingança vive a boa audiência de uma boa novela. Paixões avassaladoras tomam conta da trama e a principal é entre Maria Teresa (Julia Dalavia e depois Camila Pitanga) e Santo (Renato Góes e depois Domingos Montagner), tendo como perseguidor deste romance o Coronel Afrânio (Rodrigo Santoro e depois Antônio Fagundes), pai de Teresa, perseguidor e inimigo número um de Santo e de sua família, a Dos Anjos. E durma-se num barulho desses! Para engrossar o caldo ou piorar ainda mais as coisas, Cícero (Pablo Morais e depois Marcos Palmeira), enciumado com o romance entre Teresa e Santo, pois desde criança curte somente para si uma paixão pela bela morena, resolve assassinar Santo numa emboscada. Belmiro dos Anjos, pai de Santo, cavalgando ao seu lado no desfiladeiro, percebe no alto o brilho de uma espingarda, o que somente dá tempo de fazer parede para o corpo do filho e cair morto ao chão. A verdade sobre a emboscada ainda será revelada nos próximos capítulos, assim como outros fatos amorosos, de trama e de assassinatos serão mostrados. A paz um dia reinará em Grotas e o velho e ranzinza coronel Afrânio, o Saruê, sobreviverá ou se arrependerá de seus pecados? Bom, assista aos próximos capítulos e escolha bem os seus candidatos que porventura aparecerem no horário eleitoral gratuito. O certo é que Velho Chico é uma boa trama romanceada e certamente marcará a telenovela brasileira. Tem todos os conteúdos, incluindo sua trilha sonora, para fazer tanto ou bem mais sucesso do que Escrava Isaura fez mundo afora, por exemplo. Velho Chico é o retrato histórico de um grande pedaço do Brasil, o nosso querido e sofrido Nordeste brasileiro.

 
Compartilhe:

Tópicos:  

Deixe seu comentário:




Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *