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Wellington Silva

UNA: ancestralidade e expressão de nossa identidade cultural


Quem foi a União dos Negros do Amapá – UNA para apreciar a programação ali realizada em comemoração, honra, e memória a nossos antepassados, nossa cultura, nossa identidade cultural, naquele momento sagrado, lá pode sentir, vibrar e dançar à vontade…

A bela Joana Ramos foi eleita a Mais Bela Negra do Amapá.

A capoeira, expressão maior de resistência e de luta corporal no Brasil, perpetuada através da histórica imagem de Besouro, Cordão de Ouro (1920), solenemente abriu a programação na UNA.

A tradicional Missa dos Quilombos, com o tema Ancestralidade e Resistência, celebrada por Padre Paulo, além de emocionar a todos, deixou em cada um de nós, através de sua mensagem, renovado sentimento de dever ou de compromisso com Um rico universo místico, justamente a profunda ligação espiritual com o Sagrado, nossos costumes e tradições.

Padre Paulo Roberto nos fez refletir que jamais devemos nos esquecer do meio ambiente cultural em que vivemos, sentimos e respiramos, a consciência de nossa história, nossa ancestralidade…

Celebração, respeito, recordação e profunda saudade dos que se foram…

Após a emocionante Missa dos Quilombos os tambores rufaram para valer! O Marabaixo da Favela fez uma entrada apoteótica, contagiando a todos, que foram bailar na grande roda. Ali, naquele exato momento contagiante, povo, artistas, Clécio Luiz, autoridades, eram Um.

Zumbi dos Palmares, e toda a nossa ancestralidade, devem estar felizes, pois o Dia da Consciência Negra e o Encontro dos Tambores, no Estado do Amapá, em Macapá, foram momentos felizes de belas celebrações e de profunda reflexão.

O que nos chamou também a atenção foi a excelente exposição plástica intitulada IX Zumbiarte, Exposição de Artes Visuais, Resistir para Existir, com a participação e liderança dos velhos amigos, carnavalesco e artista plástico Egídio Gonçalves, o grande escultor e artista plástico Grimualdo e o nosso querido e irreverente, como eu, artista plástico Damasceno e fotógrafo Paulo Gil. Mas, o que pessoalmente me impressionou foi os novos e bons talentos, artistas plásticos Abmael Art e M. Silva, e a escultora Graça Sena. São talentos notáveis que precisam ser observados, notados, sentidos, e fundamentalmente valorizados.

Esta é a nossa riqueza cultural, nossos valores, nossa gente, retratos e cenários do Amapá. Cantos e re-cantos tucujus de uma região cortada pela linha imaginária do Equador, ponto Norte Setentrional do Brasil, terra abençoada e belamente banhada pelo rio Amazonas.

Paz na terra, aos homens e mulheres de boa vontade…