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220 milhões esperando o hexa

A beleza do esporte consiste no equilíbrio das disputas, onde nunca existe um vencedor imbatível, mas com confrontos que valorizam os combates apontando, ao fim, o vencedor mais bem preparado.

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O Brasil inicia amanhã na terra da ex grande União Soviética sua caminhada para conquistar o hexa do futebol mundial, privilégio que o distanciará ainda mais dos seus adversários, alguns poderosos, mas que não conseguem acompanhar a força do esporte na terra de 220 milhões de habitantes e considerado o país do futebol que alimenta o ideal dos jovens para um dia merecer a glória dos heróis imortalizados na memória do povo. Às 15h de amanhã (hora de Brasília) a bola vai rolar para Brasil e Suíça, jogo inaugural do Grupo E, que comporta ainda Costa Rica e Sérvia que, com mais sete grupos, disputam o título da 21ª Copa, no território russo.

A beleza do esporte consiste no equilíbrio das disputas, onde nunca existe um vencedor imbatível, mas com confrontos que valorizam os combates apontando, ao fim, o vencedor mais bem preparado. A alegria do torcedor brasileiro se identifica com a realeza do futebol, esporte simples, belo e natural, permitindo o acesso a todos em razão de suas regras fáceis de serem assimiladas por multidões, entendidos e até por leigos.

Lembramos as conquistas brasileiras, desde 1958, passando por 1962, 1970, 1994 e 2002. Quando a seleção canarinha ganhou o último título no Japão/Coreia, em 2002, os jovens na época que tinham 15 anos, hoje desfrutam 31primaveras e vão experimentar a sensação que outros jovens da época tiveram com o gosto da vitória há 16 anos. Com o futebol, como já vimos, por ser modalidade de acesso facilitado para quem tem ou não pretensão a ser craque, conseguiu, no país, absoluta adesão que falta às outras modalidades. A explicação para o fenômeno é fácil de ser entendida, pois, repetimos, o acesso é livre, diferente das outras especialidades, com regras mais difíceis.

Amanhã será um dia de grande alegria para o povo brasileiro. Desde que o treinador Tite assumiu a seleção, substituindo Dunga, que ocupou a vaga de Felipão, com a tragédia dos 7 a 1, a seleção ganhou personalidade e foi derrubando os adversários um por um, a ponto de hoje ser enaltecida como a grande favorita, em Moscou. Há, todavia, um aspecto a considerar. Em 2014, a seleção de Felipão tinha, como a de hoje, imenso prestígio que, ao fim, acabou diluindo-se. Com certeza o exemplo de anos passados despertou nos profissionais de hoje a modéstia e a compreensão de que todos têm a vitória como objetivo, exigindo, por isso, cuidado.

Por ser um país do futebol, a maioria dos brasileiros tem convicção que o favoritismo do Brasil se apoia em dados que a experiência revela. Das 32 seleções inscritas, pelos menos cinco podem ser apontadas com possibilidade de chegar ao título, e aí estão a Alemanha, última campeã; França; Espanha, Bélgica e, longinquamente, Inglaterra. Numa análise da forças dessas seleções, de per si, o Brasil aparece como o mais cotado, pelo simples e determinante fato de que os seus titulares são jogadores diferenciados nos seus clubes da Europa, Ásia e China. Nas outras, existem quatro ou cinco de destaque, e isso vai depender do conjunto para propiciar condição aos melhores.

Destacamos em análise anterior que o Brasil é o único em que os jogadores procuram e sabem fazer gol. Depois de 2010, quando a Espanha exibiu o futebol de passes rápidos e elegante, sendo, inclusive, beneficiada com o título na África. O modelo se espalhou para todos, futebol acadêmico, bonito, mas ineficaz. Sem gol não se ganha jogo e, por isso, o Brasil leva as honras de grande favorito.

 
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