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Futebol transfere seus valores

Não há dúvida de que para alguns analistas a seleção brasileira tem sempre nos pés o mérito da qualidade com seus jogadores e, gozando, até pouco tempo, do belo estigma de ser o Brasil o país do futebol, prova, sobejamente, quando ostenta cinco títulos mundiais.

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Ulisses Laurindo – Jornalista
Articulista

São sempre as mesmas e repetidas toadas sempre que o futebol brasileiro não vai bem nas jornadas de que participa e, como consequência, se o resultado não forem vitórias absolutas, chovem críticas, nas quais se misturam erros e acertos, sem, contudo, avaliarem os méritos que sempre existem em disputa esportiva, cuja máxima estabelece vencedores e perdedores. Repercute ainda a passagem da seleção brasileira pela Copa do Mundo, na Rússia, cujo desfecho entristeceu meio mundo, salvo por aqueles torcedores que não se entusiasmaram em demasia e têm o hábito raciocinar e não se deixar levar pela emoção.

Não há dúvida de que para alguns analistas a seleção brasileira tem sempre nos pés o mérito da qualidade com seus jogadores e, gozando, até pouco tempo, do belo estigma de ser o Brasil o país do futebol, prova, sobejamente, quando ostenta cinco títulos mundiais.

E agora o Brasil carrega as antigas qualidades? A resposta é não. O sumiço não se deu de um momento para outro, mas oriundo de problemas financeiros que maltratam os clubes e, claro, sem recursos, abdicam de seus grandes jogadores que se evadem para outros centros, restando para o calendário nacional só os que não têm mercado.

A curto prazo, a evasão não foi sentida, mas provocou efeito deletério e negativo a longos prazo e médio. Atualmente os grandes craques brasileiros pertencem a clubes da Europa e do mundo.

Aparentemente, a princípio tal medida constituía grande vantagem para o desenvolvimento do futebol que um dia exibiu craques como Pelé, Tostão, Jairzinho, Rivelino, Gérson, Carlos Alberto e uma fileira de astros que faziam brilhar os céus brasileiros. Mas os interessados no desenrolar e progresso do futebol brasileiro sentiam enorme vazio quando assistiam à rotina dos campeonatos regionais e lamentavam a presença dos mestres da bola, todos jogando fora do país.

O tempo foi passando, o modelo se desenvolvendo e passou a ser regra única no domínio do futebol brasileiro. A consequência não tardou, e levou mais de 16 anos. Explico: o último título mundial do Brasil foi em 2002, na Coreia/Japão, com grande parte dos jogadores atuando no país. Depois vieram as copas 2006, 2010, 2014 e, agora 2018, quando a seleção brasileira ficou a zero de título e, pior, desclassificada por seleções europeias, logicamente com o estilo assimilado da genial virtude do jogador brasileiro representado pelo toque individual ligado à velocidade com a bola nos pés.

A CBF, claro, já oportunizou os planos para 2022, no Catar. Provavelmente cuidou do roteiro para o Oriente Médio, qual a cor da camisa que vai usar no calor abrasante da região e, claro, ainda não pensou como vai ligar com problema financeiro do decaído sistema dos clubes brasileiros com dívidas superiores a R$ 5 bilhões.

A primeira tarefa da entidade, ah, ia me esquecendo, é ser decente com o processo e depois nacionalizar o futebol do país que reconhecidamente é o melhor do mundo, mas não com esses buracos negros em sua estrutura, para tristeza do brasileiro.

 
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