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Não deu mais: Lula preso

Fora a corrupção, que misturou crises políticas e financeiras, o PT dividiu as finanças com países, cujos regimes davam as costas à democracia, e que servia para assegurar ao brasileiro o prestígio de grande estadista

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Ulisses Laurindo – Jornalista
Articulista

O grito de vitória mais certo que poderia ser ouvido após a sessão do Supremo Tribunal Federal, que condenou o ex presidente Lula, seria o da vitória daquela Corte que viveu os últimos dias na iminência de colocar em xeque sua autoridade na decisão que o país inteiro não admitia, como órgão máximo jurisdicional brasileiro. A derrota de Lula, rejeitada por seus seguidores, demorou, tornou-se inevitável porque se há lembranças de feitos de seu governo, sobram razões para lamentar os falsos caminhos enveredados pela política nos 12 anos de liderança do Partido dos Trabalhadores para resolver problemas existentes no país.

Fora a corrupção, que misturou crises políticas e financeiras, o PT dividiu as finanças com países, cujos regimes davam as costas à democracia, e que servia para assegurar ao brasileiro o prestígio de grande estadista, com o pensamento de se manter indefinidamente como comandante. Assim foi com portos, metrôs, rodovias e outras obras de infraestrutura, sem proveito para a Nação brasileira, com despesas de mais de 7 bilhões de dólares, sem benefício para o país.

A batalha travada pelo PT e seus milionários advogados quase chegou à raia do impossível, tentando livrar o réu, sob a alegação de inocência, quando nos diversos tribunais que julgaram seus recursos não houve sequer um único voto favorável dos juízes julgadores. O carisma de Lula não impediu que ele merecesse privilégio que a nenhum brasileiro é concedido, de se colocar acima da lei. A prisão recebida pelo PT como arbitrária foi fundamentada em longo pareceres provando a culpa de Lula, que demorou a ser efetivada, em atenção aos recursos apresentados e da imensa aceitação junto ao povo, que não entendeu que muitas das medidas, teoricamente libertadoras do povão, na verdade condenavam o beneficiário, e o país a um desgaste financeiro, hoje com a dívida interna calculada em R$ 4 trilhões, rombo responsável pela falta de recursos para a saúde e outras carências, por estarem essas verbas aplicadas em programas sociais que só têm porta de saída e nunca de entrada.

O STF não tinha outra atividade senão negar o habeus corpus que colocaria o ex-presidente a gozar das mesmas regalias constitucionais do cidadão que anda nos trilhos, como o trem, e não comete infrações que mereçam punições públicas. Certo que a Ministra Rosa Weber sofreu pressão para proferir seu voto, porque o clima interno no Tribunal deixou de ser o mesmo depois do atrito entre Luiz Barroso e Gilmar Mendes. A partir do bate boca tudo levava a crer que lá cada qual procurava estabelecer isolamento em seu ponto de vista, pois assinalava que já não era um conjunto homogêneo. A questão em jogo era mais do que Lula e, sim, preservar o conceito do Supremo prejudicado em não decidir de acordo com a letra da lei e constantes atritos entre os ministros.

Resta esperar os contornos dos advogados para tentar livrar Lula da prisão, possibilidade mais distante, agora, porque todos os recursos foram tentados e rejeitados. A ordem de Sérgio Moro, poucas horas depois de recebido o oficio do TRF-4, de Porto Alegre, foi, provavelmente, devido ao temor de novo recurso para prolongar o cerceamento do ex presidente, pelo menos assim entende Sepúlveda Pertence.

Para terminar, transcrevemos um trecho do artigo de Delfim Netto publicado no Diário do Amapá, quinta-feira, 5: “É hora, pois, de voltar ao ‘livrinho’” e colocar cada Poder e seus complementos dentro de ‘caixinhas’ e coibir toda e qualquer invasão ou abuso de poder. É hora de submetê-los, todos, às necessárias restrições corretivas produzidas sob o controle do Superior Tribunal Federal”.

 
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