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O Brasil e os novos objetivos do milênio

Em um planeta com sete bilhões de pessoas 1,2 bilhão ainda se encontram na condição de miséria e 842 milhões de seres humanos permanecem desnutridos. O principal indicador é a prevalência de desnutrição em crianças de até cinco anos com peso abaixo do esperado para sua idade.

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Wellington Silva – Jornalista e historiador
Articulista

Que fim levaram os oito objetivos do milênio? Quais metas foram alcançadas e quais ainda faltam alcançar? Obviamente sabemos que o primeiro e principal, acabar com a fome e a miséria, não é tarefa fácil para um mundo mergulhado em sérias desigualdades sociais, terrorismo, conflitos étnicos e religiosos e violência urbana. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima no mundo que o número de seres humanos na linha de extrema pobreza diminuiu para 700 milhões, ao longo de duas décadas. Em um planeta com sete bilhões de pessoas 1,2 bilhão ainda se encontram na condição de miséria e 842 milhões de seres humanos permanecem desnutridos. O principal indicador é a prevalência de desnutrição em crianças de até cinco anos com peso abaixo do esperado para sua idade. O analista Marcelo Neri afirma que “os indicadores referentes aos grupos tradicionalmente excluídos, como as mulheres, negros, analfabetos, moradores de campo e nordestinos, estão tendo melhor desempenho, mas o Brasil ainda precisa avançar muito”, salienta. O professor de Ciência Política na Universidade Federal Fluminense, Jessé Souza, presidente do Ipea, nos faz refletir o seguinte:

– Como o Brasil chegou a ser uma das sociedades mais perversas, desiguais e absurdas do planeta? Fruto da reprodução de privilégios, injustiças que são construídas historicamente, além do tempo. Tem a ver com reprodução de injustiça.

O professor do Instituto de Economia da Unicamp, Eduardo Fagnani, alerta:

– Se não tivermos uma saída econômica para a nossa trajetória de desenvolvimento, nosso desenvolvimento social vai virar pó.

Pessoalmente digo que em termos de distribuição de renda o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo. Os índices de Gini, do World Development Indicators 2015, do Banco Mundial, classifica o Brasil na posição 135, entre 149 países pesquisados, à frente apenas do Haiti, Camarões e Seicheles. As regiões brasileiras mais pobres são também as que apresentam os piores níveis de educação. Sul e Sudeste possuem taxas de analfabetismo entre 4% e 9% dos adultos. No Norte, os índices sobem para 9% e 15% e no Nordeste para 17% e 26%. Pessoas formadas no ensino superior, nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste variam entre 11% e 18% enquanto que nas regiões Norte e Nordeste os índices percentuais caem para 7% e 11%. Em 1990 somente 53% da população brasileira possuía residência ligada à rede coletora de esgoto. Em 2012, o número subiu para 77%. No Amapá, apenas 1,4 da população possui residência ligada a rede coletora de esgoto. A Região Norte, incluído o Amapá, ainda está classificada como de alto risco no mapa da malária. Norte e Nordeste apresentam o mais elevado Índice de Vulnerabilidade Social A carência de leito hospitalar nos municípios e o deficitário serviço de atenção básica preocupa a saúde da população brasileira. Urge a necessidade em executar melhores políticas regionais de trabalho, incentivar a iniciativa privada, gerar empregos decentes a jovens recém-formados, promover oportunidades ao empreendedorismo e incentivar a agricultura familiar, o cooperativismo e a economia solidária. É por isso que as 17 metas do milênio, propostas para a ONU, estão rendendo debates interessantes e acalorados. Elas ainda se subdividem em 169 propostas, com metas mais detalhadas. São elas: Acabar com a pobreza em todas as suas formas e em todos os lugares; acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e a melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável; garantir uma vida saudável e promover o bem-estar para todos em todas as idades; garantir a educação de qualidade inclusiva e equitativa e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos; alcançar igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas; garantir disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos; garantir energia acessível, confiável, sustentável e moderna para todos; promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos; construir infraestrutura resiliente, promover a industrialização inclusiva e sustentável e incentivar a inovação; reduzir as desigualdades dentro dos e entre os países; tornar as cidades e povoamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis; garantir padrões sustentáveis de consumo e produção; tomar medidas urgentes para combater as mudanças climáticas e seus impactos; conservar e usar de forma sustentável oceanos, mares e recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável; proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, a gestão sustentável das florestas, combater e desertificação, interromper e reverter a degradação do solo e interromper a perda da biodiversidade; promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, transparentes e inclusivas em todos os níveis; reforçar os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável.

 
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