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O jet lag do Douglas

Não só você mas, eu também, e boa parcela de amapaenses que esperam e querem o melhor para os estudantes de nossa cidade, fomos pegos de surpresa bem no cerne do tema de meu último artigo sobre a Educação. 

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Veneide Cherfen
Articulista

gora que você voltou de sua viagem espacial e se recuperou do jet lag, Douglas Lima, espero que esteja com a saúde em paz com o universo, amigo.

Se você tivesse aterrissado em Brasília veria que os escândalos mais recentes atingem pessoas que estiveram bem pertinho de nós, aí no Amapá. Mas você escolheu aterrissar na terrinha tucuju, onde os escândalos não são diferentes.

Não só você mas, eu também, e boa parcela de amapaenses que esperam e querem o melhor para os estudantes de nossa cidade, fomos pegos de surpresa bem no cerne do tema de meu último artigo sobre a Educação. Lá, onde discorri acerca do nascimento de Ayumi, minha sobrinha neta. Você lembra?

Confesso-lhe que, com tanta roupa suja sendo lavada na política nacional, colocando em questão a seriedade de nosso país, ferindo de morte a nossa economia, empurrando nossa juventude cada vez mais fundo no abismo, tirando a esperança dos pais de família de verem sua prole crescer sadia e constituir por sua vez sua própria família, eu também, mesmo estando longe daí fisicamente (porque deixei minha alma e meu coração às margens do rio Amazonas), também, repito, sinto-me tentada a me associar, quem sabe aos chineses e pegar uma nave espacial para ir bem alto apreciar tudo isso de longe, lá do infinito.

Porém, o sentimento e o zelo pelo meu país não me permitiriam jamais virar as costas para os acontecimentos atuais. É assim que, com outro artigo pronto para te enviar, li, reli, rabisquei, mudei várias frases, até que estou desistindo de enviá-lo porque já me parece obsoleto face as novidades que se apresentam a cada momento na nossa suja política nacional.

Naquele rabisco de artigo não enviado eu abordava a esperança que nosso povo deposita na faxina política e na melhoria da situação geral brasileira. Eu conversava cá com meus botões sobre uma provável operação da PF na questão do milhão federal e dos uniformes, mas torcia para que o fato se esclarecesse e um ou outro aparecesse (esperança minha); eu divagava sobre a hora e a necessidade de se fazerem novas eleições presidenciais, o que, no meu entender, não seria o momento certo, pois quem elegeríamos? Lula mais uma vez, que coligaria com Marina? Ou Marina, que coligaria com Lula? Ou seria com quem?

E eu continuava: “O Brasil carece de opções. Quem poderia nos apontar algumas? O Brasil precisa de mudanças imediatas. Precisa atrair de volta os investidores. Não temos tempo nem dinheiro, nem candidatos para investir em uma nova eleição agora.

Que tal darmos um tempo para o país respirar e tentar levantar a economia e lavar a alma perante a comunidade nacional e a internacional? O que queremos é um país conduzido por pessoas decentes que respeitem o cidadão brasileiro. Assim, a saúde, a segurança, a Educação e tudo o mais funcionarão melhor. Este blablablá é repetitivo? É . Mas o prejuízo também é. E o poço está cada vez mais profundo”.

Isso seria parte do artigo que não lhe enviei. Transformei-o em uma metalinguagem? Não importa. Porém, com razão, o senador Cristóvão Buarque disse: “A situação que enfrentamos é culpa de todos”. Ele pronunciou essa frase no Senado, onde muitos bem mereceram escutá-la e muitos de nós aqui de fora, também. Uma frase a ser analisada.

Não, não farei uma viagem espacial, Douglas. Não irei para outra galáxia porque quero ver o resultado disso tudo aqui neste planeta! Mas de bom grado eu colocaria numa nave espacial, sem retorno, os salvadores da pátria pré candidatos ao cargo de prefeito que já começam a ricochetear discursos na mídia: “Representamos a mudança e a esperança de um povo que está cansado de sofrer”. Blablablá. Ai! Poupem-nos, senhores! Discursos vazios que já caíram de moda. Ou será que alguém ainda acredita nisso? Se continuarmos a acreditar em salvadores da pátria não sairemos da mesmice. E é o que menos precisamos. Ou nunca mais nos recuperaremos do jet lag causado pela hipocrisia política. (Veneide Cherfen mora em Paris)

 
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