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O tabaco e a hipocrisia

A diferença do cigarro de ontem e o cigarro de hoje estava na necessidade de o fumante fabricar o seu próprio cigarro, adquirindo o tabaco  e o abade.

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Ruy Guarany – Jornalista
Articulista

Houve época em que, quando o homem completava 18 anos, a família se reunia para festejar. Tornara-se comum que, durante as comemorações, o pai se dirigia ao filho que atingia a maior idade para dizer que a partir daquela data estava autorizado a fumar, se assim desejasse.

Restrito aos homens, o hábito de fumar não sofria proibições e podia ocorrer em qualquer ambiente. A diferença do cigarro de ontem e o cigarro de hoje estava na necessidade de o fumante fabricar o seu próprio cigarro, adquirindo o tabaco e o abade. Os cigarros de palha, ainda hoje, são usados no Nordeste.

Com a expansão dos fabricantes de cigarros, inicialmente desprovidos de filtros, o tabaco foi desaparecendo do comércio e os fumantes passaram a usar cigarros Gato Preto, Continental e Hollywod, fabricados pela Souza Cruz.
Rapidamente o fumo foi se massificando ao ponto de se tornar um hábito, em todas as camadas sociais. Atenta para os perigos que o fumo poderia causar à saúde, principalmente de menores, a medicina passou a exigir medidas restritivas, inclusive proibindo a propaganda de cigarros.

Hoje, as várias marcas de cigarros, lançadas ao mercado, trazem um alerta nas carteiras sobre os males que poderão causar à saúde.

Leis federal, estadual e municipal, entraram em vigor, proibindo o fumo em ambientes fechados, restaurantes, repartições públicas, ônibus, aviões, que vêm surtindo efeito, muito embora o número de fumantes ainda seja bastante elevado.

Na passagem do Dia de Combate ao Fumo observa-se que o governo mergulha na hipocrisia, pois enquanto divulga propaganda contra o cigarro, investe recursos na plantação de tabaco e autoriza os fabricantes a expandirem os seus negócios, altamente rendáveis aos cofres públicos.

Aconteceu no Amap
Durante a gestão do general Luiz Mendes da Silva, nomeado para governar o território federal, nos idos de 1964, a polícia apreendeu um barco com carregamento de café, que seria contrabandeado para a Guiana Francesa.

Luiz Mendes decidiu, pessoalmente, interrogar o comandante do barco, que tremia, de tanto medo. De repente, o general perguntou: O senhor fuma? Fumo, sim, senhor, mas se o senhor quiser, eu deixo de fumar, agora mesmo… respondeu o apavorado comandante.

 
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