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O voto, a aceitação e a rejeição em 2026

  Por Daniel Chaves   No domingo, 4 de outubro, o eleitor amapaense digitará um nome para a Presidência e dois para o Senado, e é bastante possível que, em ao menos um desses votos, a preferência seja definida por rejeição. A última Quaest nacional, divulgada em 28 de setembro, registra Lula com 39% e […]


 

Por Daniel Chaves

 

No domingo, 4 de outubro, o eleitor amapaense digitará um nome para a Presidência e dois para o Senado, e é bastante possível que, em ao menos um desses votos, a preferência seja definida por rejeição. A última Quaest nacional, divulgada em 28 de setembro, registra Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 34% no primeiro turno, empate de 42% a 42% no segundo e rejeições acima da metade do eleitorado para ambos: 56% para Flávio, 54% para Lula. O medo da volta da família Bolsonaro e o medo de mais um mandato petista empatam em 43%. É uma eleição de soma negativa, em que vence quem for menos rejeitado pela estreita fatia que ainda flutua.

 

Ser aceito é importante, mas ser menos rejeitado também é decisivo. Em eleições em que dois disputam, quem consegue capturar votos do outro pode ter o seu ás de ouro na manga. Ponderamos, claro, de que se trata de comparação entre agregados, não entre indivíduos, que mistura institutos, datas e métricas distintas. Só o cruzamento do voto para o Senado com o voto presidencial, ainda não publicado, permitiria afirmar quem, de fato, divide o próprio voto. Lembramos sempre, as fronteiras ideológicas estão cada vez mais turvas e não é possível dizer, com nitidez, que a polarização é de ideias. É também de comportamentos e correlações de força, os vetores que movem a política como ela é.

 

No Amapá, o quadro se desdobra em três camadas. Na disputa presidencial, as pesquisas oscilam entre o empate, com Lula à frente por 37% a 36% no levantamento American Analytics de agosto, e a vantagem de Flávio, com 41,4% a 36% na Veritá de setembro. Não é a primeira vez que o estado descola o local do nacional. Em 2022, Lula venceu o primeiro turno no Amapá por 45,67% a 43,41%; Clécio Luis elegeu-se governador no primeiro turno com 53,69% e declarou apoio ao petista; e, ainda assim, Bolsonaro virou no segundo turno e levou o estado com 51,36%. O vencedor local superou em oito pontos o aliado nacional, e o eleitorado foi para o outro lado. A novidade de 2026 está noutro lugar. Numa mesma amostra, a da American Analytics, Randolfe aparece com 38% e Lula com 37%; Barreto, com 34%, e Flávio, com 36%. A segunda vaga do Senado não diverge da disputa presidencial: acaba se reproduzindo em miniatura, com diferença de um ou dois pontos.

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O voto dividido existe, e desnacionalizar a eleição serve a quem lidera com folga; para quem disputa a segunda cadeira, a lógica é a inversa. É por ali que a soma negativa nacional encontra sua porta de entrada no Amapá. Com dois votos, o eleitor não precisa gostar de dois candidatos, e o segundo pode servir para barrar. O destino da segunda cadeira depende, portanto, menos do voto próprio de cada postulante do que da distribuição do segundo voto de quem já escolheu o primeiro. Se o eleitor de um candidato ou candidata concentrar a segunda escolha em um terceiro, a vaga converte-se em bloqueio. Institutos de pesquisa já dizem que o voto para o Senado já é definitivo para dois terços, e menos de um terço dos eleitores admitem mudar. É nessa fresta que a rejeição decide.

 

Como reflexão nossa, o Amapá soma 0,58 milhão de eleitores, 0,36% do eleitorado nacional, mas ocupa 3 das 81 cadeiras do Senado, pouco mais de 3,7% da Casa. Desde que a Constituição de 1988 converteu o antigo Território Federal em estado, a periferia setentrional pesa na Casa da Federação cerca de dez vezes mais do que pesa na urna, e é precisamente por isso que a cadeira amapaense interessa tanto a Brasília. Não à toa, essa valorização do Senado no Amapá fez com que, por vezes e vezes, o Amapá fosse presidente da casa. No Senado, o amapaense votará a favor de alguém ou contra alguém? É nessa hora que a rejeição pode decidir mais do que a adesão, em um país dividido e um estado que decide seu futuro.

 

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