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Presidente, novo pesadelo?

O erro e a consequência da renúncia de Collor guarda semelhança com os vícios de hoje em que a prioridade regula o sucesso pessoal.

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Ulisses Laurindo – Jornalista
Articulista

Com maneira simples e objetiva, o senador Randolfe Rodrigues desfilou ideias três dias após ter sido reeleito para novo mandato na Câmara Alta, e o privilégio de ter sido o segundo mais votado nas eleições no país inteiro, com mais de 284 mil votos, e com méritos para emplacar a sexta vitória consecutiva como o parlamentar mais destacado no Senado. Em entrevista ao programa Luiz Melo, durante a semana, Randolfe comparou a votação de Jair Bolsonaro, no primeiro no turno, como manifestação de um eleitorado confiante na melhoria da situação do país. Como titular da bancada, argumentei que a votação de agora assemelhava-se ao ocorrido na eleição de Fernando Collor de Mello, em agosto de 1990 e, guardando comparação, também com a de Luiz Ignácio Lula da Silva, em 2002, manifestação ditada pelo desencanto da população, porque nos dois períodos o país vivia fortes crises econômicas decorrentes da passividade de governos anteriores que, ontem como hoje, dirigem a Nação pensando mais nos próprios êxitos, lavando as mãos para o bem-estar de um país gigante com 220 milhões de habitantes.

O erro e a consequência da renúncia de Collor guarda semelhança com os vícios de hoje em que a prioridade regula o sucesso pessoal. Quando Collor, pensando que extinguindo o Serviço Nacional de Informações (SNI) teria suas ações nas mãos, ao contrário, daquele momento em diante começou a sofrer derrotas, pois seus auxiliares viram a oportunidade de lançar mão de tudo, e daí apareceu Paulo César Faria que, sem controle, deitou e rolou, cabendo toda culpa ao seu chefe que, segundo disse, foi tirado da Presidência da Republica com “se fosse um simples síndico de edifício”, e ainda responsabilizado pelo delito na participação de um carro Elba. Na época foi lembrada a sentença de Jânio Quadros denunciando “forças ocultas”. Foi outro chefe de governo renunciante, até hoje, sem explicação.

Mesma euforia aconteceu com Lula na eleição anterior a janeiro de 2003. A temática do PT, para controlar o país, baseava-se na ética, na lisura e na valorização do povo brasileiro que, segundo ele, merecia uma vida melhor e que seu governo viera com esse propósito. O povo se encheu de coragem e esperança e o colocou na vaga de Fernando Henrique Cardoso, hoje amaldiçoado por inimigos do Brasil e que deixou as finanças às mil maravilhas.
Sem programa e pouco conhecimento, o caminho de Lula foi enveredar pelo populismo. A boa carga das importações da China e o equilíbrio das finanças foram aproveitados por ele para se projetar como estadista, e o resultado todo brasileiro conhece pagando preço demasiado alto para voltar a ter um país nivelado.

Agora, Jair Bolsonaro, surgindo do nada ou pelo menos daquilo que a Nação quer e precisa, melhor dizendo, união e resolver a soma de seus múltiplos problemas, lançou sua rede e os peixinhos menos avisados foram presos nela. Tomara que, ao fim de tudo, pois ninguém tem bola de cristal para adivinhar o futuro, o país não caia na armadilha já conhecida de Collor e Lula. E o povo, mais uma vez, não saia decepcionado e que, para o futuro, aprenda a escolher melhor. Mas ainda dedico um espaço para o senador Randolfe, e nos despedimos dele agradecendo as boas lições para o nosso estado. Para o segundo turno ele não se manifestou; sobre seu futuro na política prefere esperar o tempo, que é senhor de todas as virtudes.

 
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