Advogada denuncia violência contra mulher que acabou presa ao buscar ajuda oficial
Juciely Sanchez relatou caso em fala no programa LuizMeloEntrevista (Diário FM 90,9), nesta terça-feira, 21, quando também falou da participação feminina na política

Douglas Lima
Editor
A advogada Juciely Sanches chamou atenção para a violência institucional contra mulheres durante fala nesta terça-feira, 21, ao programa LuizMeloEntrevista (Diário FM). Durante a conversa, ela relatou o caso de uma cliente que procurou ajuda na Delegacia da Mulher após denunciar uma situação de violência, mas acabou presa no local.
Segundo a advogada, a mulher foi encaminhada à unidade policial após pedir socorro e chamar a polícia. No entanto, por uma estratégia da defesa do marido, a vítima acabou presa. Juciely classificou o episódio como um exemplo emblemático da violência institucional que pode atingir mulheres até mesmo em espaços criados para oferecer proteção.
“Eu tive um caso em que a mulher pediu socorro na Delegacia da Mulher, chamou os policiais e foi direcionada para lá. Por uma manobra da defesa do marido, ela saiu presa de lá. A vítima que denunciou saiu presa”, relatou.
O caso ocorreu no ano passado, durante a semana do Dia das Mães. Para ela, a situação evidencia a necessidade de atenção permanente para garantir que mulheres vítimas de violência recebam acolhimento e proteção adequados dentro das instituições.
A advogada afirmou que a violência contra a mulher não ocorre apenas no ambiente doméstico. Ela também pode assumir formas institucionais, patrimoniais, físicas e morais. Destacou, ainda, que em disputas por espaço e reconhecimento, muitas mulheres acabam alvo de ataques à reputação.
“Quando não se consegue tirar essa mulher do espaço de uma forma, na disputa por capacidade, atinge-se logo a questão moral dela”, afirmou.
Mulheres ainda enfrentam barreiras na política
Juciely também falou sobre a participação das mulheres na política. Ela citou dados segundo os quais as mulheres representam a maioria do eleitorado brasileiro, mas ainda ocupam uma parcela reduzida dos espaços de poder. Para ela, a dificuldade de acesso das mulheres à política não se resume a uma questão cultural, também envolve estruturas partidárias e sociais que dificultam a chegada feminina a cargos eletivos e posições de decisão.
A entrevistada explicou ainda o funcionamento da cota de gênero nas eleições e destacou a necessidade de fiscalização sobre a efetiva participação das candidatas e a aplicação dos recursos destinados às campanhas. A profissional defendeu a presença de mulheres nos espaços de poder como forma de contribuir para a construção de políticas públicas voltadas a diferentes segmentos da sociedade.
Ao fim, Juciely afirmou que o período eleitoral representa uma oportunidade para discutir a ocupação dos espaços de poder e promover maior participação feminina na política. “A mulher vai muito longe. E com o apoio dos nossos pares, dos homens e de outras mulheres, nós vamos muito mais”, finalizou.
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