Professora dá dicas para conquistar mais de 900 pontos na Redação do Enem
Jéssica Monique destacou que ainda é possível revisar conteúdos e aperfeiçoar desempenho; entre os erros mais comuns estão dificuldades com regras gramaticais e problemas na interpretação da proposta, que podem levar candidato a tangenciar tema e perder pontos importantes

Douglas Lima
Editor
Às vésperas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, a Redação continua sendo uma das principais preocupações dos candidatos. Para ajudar os estudantes na preparação final, a professora de redação Jéssica Monique participou, nesta sexta-feira, 6, do programa ‘LuizMeloEntrevista’, do Sistema Diário de Comunicação, e apresentou orientações sobre estrutura textual, argumentação, interpretação do tema e controle da ansiedade.
A professora destacou que, mesmo na reta final, ainda é possível revisar conteúdos e aperfeiçoar o desempenho. Segundo ela, entre os erros mais comuns estão dificuldades com regras gramaticais, como uso da crase e pontuação, além de problemas na interpretação da proposta, que podem levar o candidato a tangenciar o tema e perder pontos importantes.
Jéssica explicou que é fundamental compreender a diferença entre tema e assunto. O candidato precisa identificar exatamente o que está sendo solicitado pela prova e manter o foco ao longo de todo o texto. Como exemplo, citou a redação do Enem do ano passado, que abordou as perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira. Muitos estudantes, segundo ela, poderiam ter se desviado da proposta ao tratar apenas do preconceito contra pessoas idosas, sem discutir a visão da sociedade sobre o processo de envelhecimento.
Sobre os possíveis assuntos da edição de 2026, a professora recomendou atenção a temas relacionados à tecnologia, inteligência artificial, atuação das grandes empresas de tecnologia, educação, desigualdade social e populações em situação de vulnerabilidade. Também mencionou questões envolvendo comunidades ribeirinhas e periféricas, saúde, gravidez na adolescência, saúde mental de crianças e adolescentes, exposição excessiva às telas, bullying e cyberbullying.
A educadora ressaltou, porém, que mais importante do que tentar adivinhar o tema é desenvolver repertório e saber relacionar os conhecimentos à proposta apresentada. Filmes, séries, livros, acontecimentos históricos e citações de pensadores podem ser utilizados como referências, desde que contribuam efetivamente para a argumentação.
Estrutura e argumentação fazem a diferença
De acordo com Jéssica Monique, não existe necessidade de utilizar palavras difíceis ou construções excessivamente elaboradas para alcançar uma boa nota. O mais importante é apresentar ideias claras, manter a organização textual e fundamentar os argumentos.
“Eu sempre falo para o aluno que o feijão com arroz dá certo. Às vezes, ele quer usar palavras muito rebuscadas, muitos recursos, mas não precisa. Existem redações nota mil que são muito simples, mas deixam claro para o corretor qual é a ideia do candidato”, explicou.
A professora também destacou a importância de apresentar exemplos concretos para sustentar os argumentos. Não basta, por exemplo, afirmar que o governo é negligente: é necessário explicar em que consiste essa negligência, apontar a ausência de políticas públicas ou medidas específicas e demonstrar as consequências do problema.
Outro ponto fundamental é a proposta de intervenção, que vale até 200 pontos na avaliação. Para garantir a pontuação máxima nessa competência, o estudante precisa apresentar os cinco elementos exigidos: agente responsável, detalhamento desse agente, ação a ser realizada, meio pelo qual será executada e finalidade da medida.
Erros que podem zerar a redação
A professora alertou para situações que podem levar à nota zero. Entre elas estão a fuga total ao tema, o tangenciamento da proposta, a inclusão de recados ou mensagens direcionadas ao corretor e a cópia de trechos dos textos motivadores.
Jéssica também recomendou que os candidatos evitem fórmulas prontas sem compreensão do conteúdo. Para ela, memorizar citações ou modelos não garante uma boa avaliação se o estudante não souber relacionar essas referências ao tema proposto.
Tempo de prova e controle da ansiedade
Outro aspecto abordado foi a administração do tempo. A recomendação é reservar aproximadamente uma hora e meia para a elaboração da redação, mas orienta que os candidatos não passem o texto a limpo logo no início da prova.
A estratégia é fazer o rascunho, organizar as ideias e avançar para as demais questões. Depois de aproximadamente duas horas e meia de prova, o estudante pode retornar à redação, revisar o conteúdo e passá-lo a limpo com mais tranquilidade.
Em relação à ansiedade, ela ressaltou que o nervosismo pode comprometer o desempenho de candidatos que passaram o ano inteiro se preparando. Para enfrentar o famoso ‘branco’, a orientação é respirar, beber água, seguir para outras questões e retornar posteriormente àquela que apresentou dificuldade. Também recomendou começar pelas questões consideradas mais fáceis, especialmente as que apresentam imagens, deixando os textos mais longos para outro momento.
Três orientações para buscar mais de 900 pontos
Ao fim da entrevista, a professora reuniu três orientações para os estudantes que desejam alcançar uma pontuação acima de 900 na redação: identificar corretamente o tema e os assuntos que precisam ser abordados; desenvolver uma argumentação consistente, apresentando o problema, exemplos e consequências; e construir uma proposta de intervenção completa, respeitando os cinco elementos exigidos pelo Enem.
Jéssica também destacou que é possível alcançar a nota máxima sem decorar citações ou modelos prontos. O estudante pode utilizar uma estrutura própria, desde que tenha domínio da organização textual e consiga relacionar seus conhecimentos à proposta.
Como mensagem final, a professora pediu que os candidatos confiem na preparação realizada ao longo do ano e não permitam que a ansiedade prejudique o desempenho.
“Não deixe a ansiedade roubar o sono de vocês. Vocês são capazes, estão preparados, estudaram estrutura, repertório e conectivos. Não tem como dar errado. Vai dar tudo certo”, concluiu.
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